02 maio 2006

Daqui 50 anos...


Às vezes, fico imaginando como será o meu casamento daqui à 50 anos, é claro se ainda estivermos vivos, penso que muitas coisas boas e tristes terão passado. Temos pouco mais de 6 anos de casados, e temos superado, com a graça de Deus, muitas dificuldades dentro do casamento. Mas, não fizemos isto sozinhos. A nossa família nos acompanha, e amados amigos estão sempre orando por nós.

Desejo que a vida nunca terminasse com a morte. Este desejo me faz lembrar de um precioso filme chamado "Terra das Sombras", o ator Anthony Hopkins interpreta a vida de C.S. Lewis. Este filme não se propõe a mostrar toda a vida deste escritor, mas apenas a sua faceta amorosa com a sua esposa. Quando os dois se conheceram, ela fugia dos EUA para a Inglaterra, estava saindo dum conturbado casamento, e Lewis se casa apenas para que ela conseguisse a cidadania inglesa. Algum tempo depois ela descobre que tem câncer! Após algumas seções de radioterapia, ele a visita no hospital e lhe diz: "você quer se casar comigo?" Não há nada de estranho neste pedido. Embora Lewis fosse legalmente casado com ela, os dois viviam um casamento de fachada, por causa de uma necessidade social. Agora, Lewis descobriu que amava aquela mulher, que diante da lei, era a sua esposa, mas dentro de casa era uma estranha. Ainda no hospital, Lewis chama um pastor anglicano e celebram o casamento, rogando sobre o seu matrimônio a benção de Deus. O câncer é uma doença terrível. Posteriormente, ela piora e retorna para ser internada no hospital. Todavia, quando recebe alta volta para casa com a consciência de que iria morrer em breve. No quarto, ela deitada, Lewis ajoelhado ao lado da cama com as mãos apertando os dedos, em oração, ora a Deus, suplicando-Lhe que não a tirasse dele. Ele em lágrimas diz: "Perdoe-me, porque a amo tanto!". Ela ouvindo os seus soluços, lhe diz: "Lewis, deixe-me morrer...". Em alguns instantes, com este sussurro, ela desfalece.

No ano de 2002, eu e a Vanessa quase morremos num acidente de carro. Sei o que é viver a agonia de "quase" perder a companheira. Durante dias chorei num misto de tristeza e alegria. Tristeza pelo trauma, prejuízo e angústia causados pelo acidente. Mas, uma intensa alegria de poder abraçar a minha amada esposa com vida!

Não sei quanto tempo Deus tem preparado até que nos separe pela morte. No dia 6 de Maio de 2000, selei o meu casamento com este juramento "até que a morte os separe", e pensar neste dia, para mim é angustiante. Mas, sei que enquanto vivermos, quero estar junto dela, num relacionamento de qualidade. Quero amá-la intensamente para glorificar ao nosso Deus. Amém.


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