23 abril 2019

A segunda vinda

Ó Filho de Deus e Filho do homem,
Tu foste encarnado, sofreste, subiste, ascendeste por minha causa;
Tua partida não foi um sinal de separação, mas um penhor de retorno;
Tua Palavra, promessas, sacramentos, revelam a tua morte até que venhas novamente.
Esse dia não é um horror para mim
porque a tua morte me redimiu,
Teu Espírito me enche,
Teu amor me anima,
Tua Palavra me governa.
Confiei em ti e não tu traíste a minha confiança;
Esperei por ti e não esperei em vão.
Tu levantarás o meu corpo do pó e o reunirás à minha alma,
por uma maravilhosa obra de infinito poder e amor,
maior do que o que limita as águas dos oceanos,
agitas e fluis as marés
manténs as estrelas em seu curso
se dás vida a todas as criaturas.
O que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade
o mortal, de imortalidade,
este corpo natural, se tornará num corpo espiritual,
este corpo desonrado, se transformará um corpo glorioso,
e este corpo fraco, num corpo de poder.
Eu triunfo agora em tuas promessas como farei em tua realização,
porque a cabeça não pode viver se os membros estiverem mortos;
Além da sepultura é ressurreição, julgamento, perdão e domínio.
Todos os eventos e circunstâncias da minha vida serão tratados -
os pecados da minha juventude, meus pecados secretos,
os pecados de abusos contra ti, de desobedecer a tua Palavra,
os pecados de negligenciar as admoestações dos ministros,
os pecados de violar a minha consciência -
tudo será julgado;
E depois do julgamento haverá paz e descanso, vida e serviço,
emprego e gozo para os teus eleitos.
Ó Deus, preserve-me nessa fé e sempre buscando o retorno de Cristo.

22 abril 2019

Amar à Jesus

Se eu te amo, a minha alma te buscará;
mas como te buscarei se o meu amor por ti não for preservado vivo para este fim?
Eu te amo porque Tu és bom,
e somente Tu podes fazer-me bom?
É justo que não deves me considerar,
porque sou vil e egoísta;
mas eu te busco,
e quando te encontro não há ira para me devorar,
mas apenas o doce amor.
Tu permaneces como uma rocha entre o sol escaldante e a minha alma.
e eu vivo sob o lado refrescante como um eleito.
Quando minha mente age sem ti
nada produz além de engano e ilusão;
Quando minhas afeições agem sem ti
nada se vê senão obras mortas.
Como eu preciso que habite em mim
porque não tenho olhos naturais para te ver,
mas eu vivo pela fé em alguém cuja face para mim
é mais brilhante que mil sóis!
Quando vejo que todo pecado está em mim,
sei que toda vergonha me pertence;
deixe-me saber que todo o bem está em ti, e que toda a glória é tua.
Mantenha-me longe do erro de pensar que Tu aparecerás gloriosamente
quando alguma luz estranha encher meu coração,
como se isso fosse a atividade gloriosa da graça,
mas deixe-me ver que a mais verdadeira revelação de Ti mesmo
é quando Tu eclipsas toda a minha glória pessoal
e toda a honra, prazer e benefício deste mundo.
O Filho irrompe em glória
quando Ele se mostra como alguém que supera toda a criação,
faz homens pobres em espírito,
e ajuda-os a encontrar o seu bem nele.
Concede que eu possa desconfiar de mim mesmo, e ver tudo em ti.

21 abril 2019

O amor de Jesus

Ó, Pai de Jesus,
Ajude-me a aproximar-me de Ti com profunda reverência
não com presunção,
nem com medo servil, mas com uma santa ousadia.
Tu estás além do alcance do meu entendimento,
mas não além do meu amor.
Tu sabes que eu te amo acima de tudo
pois Tu és incomparavelmente adorável, bom e perfeito.
Meu coração se desmancha no amor de Jesus
meu irmão, ossos dos meus osso e carne da minha carne,
casado comigo, morto em meu lugar, ressuscitado por mim;
Ele é meu e eu sou dele,
deu-me tudo quanto possível;
Eu nunca serei tão meu, quanto sou dele,
ou tão perdido para mim, até perder-me nele;
então eu acho minha verdadeira varonilidade.
Mas meu amor é gelo e frio, gelo e neve;
Que o seu amor me aqueça,
alivie meu fardo,
seja meu céu;
Que seja mais revelado a mim em todas as suas influências,
que meu amor por ele pode ser mais fervoroso e reluzente;
Deixe a poderosa maré do seu amor eterno
cobrir as pedras do meu pecado e vaidade;
E, assim, deixe o meu espírito flutuar acima dessas coisas
que muito arruinaram a minha vida.
Faça-me frutífero vivendo para esse amor
meu caráter tornando-se mais belo a cada dia.
Se os traços do amor delineador de Cristo estiverem em mim,
ele trabalhará com o seu polimento divino
até que a completa imagem seja alcançada
e eu serei uma cópia perfeita dele, meu Mestre.
Senhor Jesus, venha a mim,
Ó Espírito Divino, repouse em mim,
Ó Pai Santo, olha para mim em misericórdia, por causa do bem-Amado.

19 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 8

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 8. Mas nós somos tão corrompidos que não podemos fazer bem algum e que somos inclinados a todo mal?
R. Somos sim, se não nascermos de novo pelo Espírito de Deus (Gn 6.5; Gn 8.21; Jó 14.4; Jo 15.14,16,35; Is 53.6; Tt 3.3; Jo 3.3,5; 1Co 12.3; 2Co 3.5).

O humanismo secular tenta nos convencer que o ser humano é bom por natureza. Há entre os humanistas não-cristãos aqueles que defendem que a identidade humana é moralmente neutra, isto é, sem impureza, ou sem inclinação para o mal. Eles explicam a má conduta apenas em termos de uma educação deficiente, ou má influência social. Pois, segundo eles, a perversidade não é parte inerente da índole do indivíduo, mas um comportamento aprendido, ou condicionado. É verdade que a má educação, ou a ausência de boas referências morais, dão lugar para exemplos ruins, ou se tornam num incentivo para a perversão e a criminalidade. Todavia, não é somente causas externas, mas o que sai do coração somado ao estímulo social que fomenta toda a miséria. O indivíduo escolhe o que o seu coração ama. A mera educação não é capaz de redimir a humanidade de sua da falência moral.

Deus nos descreve em tons desesperadores. Está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam. Veneno de serpentes está em seus lábios. Suas bocas estão cheias de maldição e amargura. Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz. Aos seus olhos é inútil temer a Deus” (Rm 3:10-18, NVI). O impulso moral de nosso coração é, por natureza, inclinado ao pecado.

Somente somos capazes de fazer o bem se Deus nos estimular. Não há virtude natural no ser humano, porque “meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, para que sejamos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou” (Tg 1.16-18, NVI). Até mesmo a nossa justiça, dizem as Escrituras, é como trapo de imundícia (Is 64.6). Assim, somente se formos regenerados, convertidos e santificados pela influência do Espírito Santo, é que sentiremos prazer em nos submeter a Palavra de Deus, satisfação em obedecê-la e conformar a nossa vida sob autoridade divina. Por isso “meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Fp 2.12-13). Aceitamos como verdade o que o Senhor Jesus nos disse: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5).

09 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 7

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 7. De onde vem, então, esta natureza corrompida do homem?
R. Da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso. Ali, nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado (Gn 3; Rm 5:12,18,19; Sl 51:5; Jo 3:6).

O pecado de todos os homens possui duas fontes para a sua origem: primeiro a origem histórica e, segundo, a fonte existencial do mal moral. Paulo declara que “da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). O apóstolo declara a origem histórica e individual do pecado de todos os homens. Adão foi o nosso mediador no Pacto das Obras. Deus o constituiu como representante de toda a raça humana. O nosso primeiro pai deveria obedecer perfeitamente a simples exigência de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Entretanto, ele comeu, e no paraíso ele recebeu a ira de Deus [Veja o Breve Catecismo de Westminster perguntas 16-19].

O pecado é transmitido na concepção (Sl 51.5). A indisposição contra Deus é transmitida à alma do ser humano como consequência da maldição atribuída a todos os descendentes de Adão. A natureza corrompida é o legado da desobediência cometida no Jardim do Éden. Não escolhemos essa herança, mas por sermos descendentes de Adão, somos recebedores dos seus méritos. O problema é que ele não produziu justiça nem virtude, mas transgrediu a lei; por isso, herdamos a condenação da morte.

A natureza humana tornou-se totalmente corrompida. O calvinismo ensina que “o homem por natureza em toda a sua existência, com todo o seu coração, mente, alma e força tornou-se escravo do pecado; ele é inteiramente incapaz de fazer alguma coisa boa e, está inclinado para o mal” [H. Hoeksema, Reformed Dogmatics, p. 358]. Paulo descreve de modo vívido esta poluição moral como sendo a condição espiritual de todos os homens (Rm 1.18-32 e 3.9-18). A força do pecado que age no coração do ser humano é altamente nocivo!

De quais pecados devemos nos arrepender? Robert L. Dabney escreveu que “o cristão, de fato, lastimará a culpa do primeiro pecado de Adão, mas não se arrependerá dele. Todavia, da corrupção da natureza, da concupiscência e dos desejos desordenados do nosso coração é nosso dever arrependermos, sentirmos vergonha deles, entristecermos e indispormos contra eles, assim como de toda transgressão atual; porque esta culpa é somente nossa, como também o nosso próprio pecado” [Systematic Theology, p. 654]. Não podemos anular os efeitos do pecado de Adão, nem nos arrependermos do pecado original. Quando a Bíblia ordena o arrependimento, a sua exigência se refere aos nossos pecados pessoais, não ao que Adão fez.

05 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 6

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 6. Mas Deus criou o homem tão mau e perverso?
R. Não, Deus criou o homem bom(1) e à sua imagem,(2) isto é, em verdadeira justiça e santidade, para conhecer corretamente a Deus seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo(3).
(1) Gn 1:31. (2) Gn 1:26,27. (3) 2Co 3:18; Ef 4:24; Cl 3:10.

Deus criou o homem maduro, perfeito e santo. Adão não nasceu, cresceu, nem amadureceu, porque ele foi criado adulto fisicamente e em todas as suas capacidades mentais, emocionais e volitivas. Ele estava pronto para cumprir aos mandatos do Pacto das Obras, conforme Deus firmou com ele no Jardim do Éden. Ele era perfeito porque não havia nenhuma disfunção, defeito ou desarmonia em seu corpo, nem dele com a criação. Tudo se relacionava harmonicamente. E, ele era santo, isto é, não havia pecado nele, nem inclinação para pecar. A sua vontade era cumprir a boa vontade de Deus, e o seu prazer era glorificar ao Senhor. Antes de comer do fruto proibido o nosso primeiro pai obedecia, perfeitamente, tudo o que Deus havia ordenado.

Adão foi criado à imagem de Deus. A imagem de Deus é espiritual, essencial e funcional. Os três elementos espirituais desta imagem no homem era o conhecimento perfeito de Deus, a justiça e a santidade. Em outras palavras, Adão conhecia perfeita e suficientemente à Deus, tudo o que ele era e fazia refletia justiça e mérito diante de Deus, e a sua vida e ações se revelavam em pureza moral. O nosso primeiro pai era capacitado pelo que ele era, e pelo o que nele estava, de cumprir perfeitamente o Pacto das Obras. Todavia, quando Adão pecou, ele perdeu o elemento espiritual da imagem de Deus. O Pacto de Obras foi quebrado, a comunhão espiritual rompida, a maldição de morte sentenciada e a inimizade declarada. Ele se tornou morto espiritualmente por perder o elemento espiritual da imagem de Deus, e isso corrompeu os elementos essencial e funcional desta imagem.

A imagem essencial é o que faz dele humano. A capacidade intelectual, emocional e vontade, bem como a sua autoconsciência, as suas relações afetivas e o exercício da vontade constituem o ser humano em sua identidade. Estas capacidades nos colocam acima de toda a criação, e nos capacitam a usufruir de tudo o que Deus criou para o nosso bem, e para motivar-nos a glorifica-lo. Mas por causa da perda do elemento espiritual, a personalidade foi totalmente afetada no coração. Isso significa que os nossos pensamentos, emoções e vontades estão prejudicados em seu nascedouro. A distorção pecaminosa do que é o ser humano, nos tornou menos humanos. A incapacidade de conhecer a Deus corretamente, a amargura, depressão, o orgulho e toda disfunção em nós, bem como a indisposição de amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos, resulta dos efeitos do pecado sobre a nossa humanidade original em Adão.

O pecado também perverteu a imagem funcional. Adão era capaz de cumprir os mandatos do Pacto das Obras. Deus lhe ordenou que cultivasse e dominasse sobre a criação, e multiplicasse enchendo a terra com a sua descendência. O que ele é está afetado pelo pecado, e o que ele faz revela o poder desse pecado nele. Embora o mandato cultural é parcialmente cumprido, ele perde a sua correta motivação de amar a Deus, e desfaz a virtude e o seu objetivo perfeito de glorificar a Deus. Toda a cultura sem a graça está sob os efeitos do pecado. Do mesmo modo o mandato social também é prejudicado pela queda, pois as relações sociais, desde a constituição da família ao surgimento dos grandes impérios, perverteram-se em poligamia, adultérios, infanticídio, genocídio, racismo, guerras, e diversas manifestações de amargura. E, por fim, o mandato espiritual, também recebeu a nódoa do pecado. Por isso, Paulo disse que “tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” (Rm 1.22-23). O ser humano desaprendeu como adorar a Deus e, ao mesmo tempo, rejeita o modelo de adoração determinado por Deus. Agora, sob queda, o homem se tornou num contínuo quebrador do pacto.

Deus não criou o homem mau, mas o pecado o tornou um violentador do Pacto das Obras. A descendência de Adão continua pecando à semelhança dele, e sendo incapaz de amar e glorificar a Deus, como o Senhor exige que o homem o faça perfeitamente.