28 novembro 2019

Quatro motivos de John Owen para a vida de oração do pastor

Escrito por Rev. Roycroft Andrew

John Owen entendeu as exigências e privilégios do ministério. Em um valioso sermão pregado num culto de ordenação na sexta-feira de 8 de Setembro de 1682, ele expôs em termos desafiadores e práticos o que realmente é a tarefa do pastor. Em sua mente, estava a necessidade urgente de ministros orarem. Nesta parte, examinaremos os motivos que ele nos fornece para orar e pensaremos no que um pastor deve orar num artigo posterior.

Os motivos da oração são:

1. A oração é a prova de que estamos cumprindo nossos deveres ministeriais plenamente

Owen está convencido de que a oração é inflexível, de que a oração é a medida de um homem verdadeiramente cumprindo o seu ministério. "Deixe-o pregar o quanto quiser, visitar o máximo que puder, conversar o quanto conseguir”, mas sem oração não há evidência de que ele esteja verdadeiramente cumprindo o seu ministério.

2. Este é o caminho pelo qual abençoamos nossas congregações

A habilidade do ministro de abençoar o seu povo não é autoritária (não é algo que ele administra), mas desejável e declarativa. A única maneira pela qual podemos ver a verdadeira bênção recair sobre o povo de Deus, é pedir-lhe que o conceda. Este é um ótimo motivo para orar.

3. Nenhum ministro no mundo pode manter o seu amor pela igreja se ele não ora por eles

O ministério pastoral significa que o pregador está em contato com as melhores e piores condutas e atitudes cristãs. Ele encontrará muitos motivos para o desencorajamento, à medida que pastoreia as almas dos que estão sob seus cuidados e "nada é capaz de manter o seu coração com amor inflamado em relação a eles, se não estiver orando por elas continuamente”.

4. Deus nos ensinará o que devemos pregar ao nosso povo através da oração

Orando pelos crentes, o pregador está constantemente trazendo à sua mente quais são as necessidades mais profundas da congregação, e isto, por sua vez, afeta o seu pensamento sobre o que ele pregará — “quanto mais oramos por nosso povo, melhor nos será instruído o que pregar a eles".

Para muitos de nós, no ministério, o tempo e a aplicação à oração é a batalha mais difícil de todas, e as palavras de Owen nos dão grande incentivo para buscar a face de Deus em favor daqueles a quem ministramos — é crucial para a alegria de nossos corações, a saúde de nossas almas, a eficácia da nossa pregação e o bem dos nossos ouvintes.
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Extraído do site:https://banneroftruth.org/uk/resources/articles/2018/john-owens-four-motives-for-the-pastors-prayer-life/
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

01 novembro 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 17

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 17. Por que o Mediador deve ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus?
R. Porque, somente sendo verdadeiro Deus, Ele pode suportar, como homem, o peso da ira de Deus, e conquistar e restituir, para nós, a justiça e a vida. (Is 9.6; Rm 1.4; Hb 1.3; Is 53.4,11; Dt 4.24; Sl 130.3; Na 1.6; Is 53.5,11; Is 54.8; Jo 3.16; At 20.28; 1Pe 3.18).

Jesus Cristo é Mediador duma aliança que é eterna. Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.3) preparou “toda sorte de bençãos” àqueles que ele escolheu em Cristo. Só Deus existia antes de criar qualquer coisa (Jo 1.1-2), ninguém além dele estava lá, e somente as três Pessoas da Trindade se relacionavam perfeitamente entre si. Deus o Pai, obrigou-se a dar ao Filho, mediante obediência perfeita, um número de eleitos que seria a sua recompensa (Ef 1.14; 1Pe 2.9-10). Ninguém além do Filho poderia satisfazer suficientemente todas as exigências infinitamente perfeitas do Pai. O Pai prometeu ao Filho, e a nenhum outro, um povo. Por isso, enquanto cumpria a sua obra redentora, Cristo pode reivindicar aqueles que o Pai lhe deu (Jo 17.2, 6, 7, 9, 24; 18.9). E por “estes” somente Cristo intercedeu, quando o nosso Senhor orou, dizendo: “eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo 17.11).

O Mediador deveria suportar a ira de Deus, porque o pecado do seu povo cairia sobre ele. O profeta Isaías predisse que “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.10-12). Ele amou àqueles que o Pai lhe deu, e somente por eles sofreu, suportou a ira, e morreu recebendo a punição do pecado. Ele recebeu a nossa punição, por isso, “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Ele como Mediador recebeu uma promessa num pacto eterno, a fim de obter aqueles que o Pai lhe daria, e por estes o Filho obedeceria toda a Lei, produzindo justiça, para que a favor deles pudesse redimi-los da condenação. O Senhor Jesus morreu por aqueles que o Pai lhe deu, e somente por estes ele intercedeu, e todos estes serão a sua recompensa.

Somente o Filho poderia merecer a justiça para todos que o Pai lhe deu. Os atributos divinos do Filho potencializaram a obra redentora do Cristo. Se ele fosse apenas um homem perfeito, a sua obra teria valor finito, como finita é toda criatura. Entretanto, o Filho de Deus é Deus, e seus atributos incomunicáveis potencializaram a sua obra por todos aqueles por quem ele morreu. A segunda Pessoa da Trindade é eterno, infinito, perfeito, imutável e autossuficiente em todo o seu Ser. Assim, a sua obra foi suficiente para salvar todos os que o Pai escolheu nele antes da fundação do mundo. Os eleitos foram amados, e no Amado, receberam o amor do Pai de modo infinito, perfeito, imutável e suficiente. Somente Deus pode satisfazer a si mesmo.

Apenas Filho de Deus obtém para dar a vida. A morte espiritual é a separação da comunhão com Deus. Por isso Isaías disse que “as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2, veja também Ef 2.1-3). Somente Deus nos reconciliar consigo, concedendo-nos a vida. O Senhor Deus nos diz que “dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus” (Ez 36.26-28); e Paulo reconheceu que “estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.5). Somente pela morte e ressurreição do Filho de Deus podemos receber a sua vida eterna.