30 maio 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 11

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 11. Mas Deus não é também misericordioso?
R. Deus na verdade é misericordioso(1), mas também e justo (2). Por isso, sua justiça exige que o pecado, cometido contra a suprema majestade de Deus, seja castigado também com a pena máxima, quer dizer, com o castigo eterno em corpo e alma [Êx 20.6; Êx 34.6,7; Êx 20.5; Êx 23.7; Êx 34.7; Sl 7.9; Na 1.2-3; 2Ts 1.9].

As pessoas querem viver no pecado, indiferentes à vontade de Deus, sem colher as consequências de suas decisões. Quando são lembradas de que haverá um juízo final, e que prestarão contas de tudo o que viveram, elas contestam que Deus é misericordioso. Elas recorrem ao amor de Deus sem nenhum arrependimento, sem crerem na redenção de Cristo, e sem clamarem pelo seu perdão. Deus é gracioso com aqueles que buscam a sua misericórdia com contrição, e se arrependem verdadeiramente dos seus pecados.

Devemos lembrar que o pecado é um problema legal e moral. Ele é um problema legal porque é a transgressão da lei de Deus. É desobediência, rebeldia e iniquidade, de modo que, todos merecidamente são sentenciados à pena de morte. A desobediência da lei moral exige justa punição. Mas o pecado também é um problema moral. Ele é moral porque envolve os motivos do coração pervertendo, deformando, corrompendo, indispondo e poluindo tudo em nós contra Deus. Por isso, “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1.9).

A justiça exige punição quando não há arrependimento verdadeiro. Quando nos endurecemos em nossos pecados e desprezamos a misericórdia de Deus, corremos grande perigo! O autor da epístola aos Hebreus nos adverte que “não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas” (Hb 12.16-17).

Não podemos confundir remorso com arrependimento, porque são disposições morais diferentes. O arrependimento reconhece a desobediência da lei moral, sabe que ofendeu a santidade de Deus, e que merece a punição sentenciada pela Palavra de Deus, e é tomado pela tristeza de pecar contra o Senhor (Sl 32 e 51; Dn 9.1-19). O arrependido sabe que a graça o limpará da imundícia do pecado, e que não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). O temor do Senhor produz arrependimento.

O remorso, entretanto, não é assim. Embora seja um sentimento acompanhado de tristeza e vergonha, ele não está convencido de ter ofendido ao Senhor. A angústia do remorso é movida pela vergonha da sua imoralidade que se tornou pública. Ele está envergonhado pois a sua reputação se manchou, e o seu nome é criticado, zombado e desmoralizado. Por isso, Paulo afirma que “a tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2 Co 7.9). O remorso é a dor causada pelo golpe do próprio pecado no seu orgulho. É chorar o prejuízo que sofreu, e os benefícios que perdeu. Os arrependidos buscam a Deus, enquanto pessoas angustiadas pelo remorso podem, até mesmo, cometer suicídio. O temor dos homens produz remorso.

A Bíblia fala que há céu e inferno. Estes dois termos se referem à condição e ao lugar onde estão as almas após a morte. É uma condição porque o céu é uma graciosa relação de comunhão, por meio de Cristo, com Deus. Nesse sentido, o céu começa aqui, num vínculo de já e ainda-não (Fp 3.1-4). Mas o céu também é o lugar aonde as almas dos eleitos vão após morrerem. Eles estão com o Senhor, conscientes, adorando, sendo consolados, e esperando a consumação de todas as coisas (Ap 6.9-11).

O inferno também é uma condição e um local. Ele é uma condição, porque é a contínua ira de Deus sobre os ímpios (Jo 3.36), e é um lugar porque é para lá que as almas deles vão quando falecem sem Cristo. O inferno foi criado por Deus para guardar provisoriamente as almas daqueles que receberão maior juízo no grande e terrível Dia do Senhor. Naquele dia não será o momento para se descobrir se será salvo, ou não (Jo 3.17-19); mas, o juízo final será para sentenciar quanto ao galardão, ou a intensidade de maiores sofrimentos, conforme as obras de cada um (Rm 2.5-10). Atualmente, no inferno, o juízo é parcial, porque a ira de Deus se manifesta apenas contra a alma, mas no último dia a punição será completa, porque será contra o corpo e alma daqueles que se rebelaram contra Deus (Ap 20.11-15). Qual será o seu julgamento?

15 maio 2019

SPIRITUS SANCTUS

Ó Espírito Santo,
Como o sol é pleno de luz,
o oceano abundante de água,
O céu repleto de glória,
assim meu coração seja cheio de Ti.
Inúteis são todos propósitos divinos do amor
e a redenção consumada por Jesus
a não ser, se Tu operas internamente,
regenerando pelo teu poder,
dando-me olhos para ver Jesus
mostrando-me as realidades do mundo invisível.
Dá-me a Ti mesmo sem medida
como uma fonte intocada,
como riquezas inesgotáveis.
Eu lamento minha frieza, pobreza, vazio,
visão imperfeita, culto desanimado,
orações vazias, louvor sem valor.
Sofro por não me afligir ou resistir a Ti.
Venha como poder,
para expulsar toda rebelde luxúria, para reinar supremo e manter-me Teu;
Venha como mestre,
conduzindo-me à toda a verdade, enchendo-me de todo entendimento;
Venha como amor
para que eu possa adorar o Pai e amá-lo com tudo o que tenho;
Vem como alegria,
habitar em mim, mover-se em mim, animar-me;
Venha como luz
iluminando as Escrituras, moldando-me em Tuas leis;
Vem como santificador
corpo, alma e espírito são totalmente Teus;
Venha como auxiliador,
com poder para abençoar e manter, direcionando todos os meus passos;
Vem como embelezador,
trazendo ordem a partir da confusão, amabilidade do caos.
Engrandeça-me na Tua glória, magnificando-se em mim
e me faça sentir a Tua fragrância.

11 maio 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 10

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 10. Deus deixa sem castigo esta desobediência e rebeldia?
R. Não, não deixa, porque Ele se ira terrivelmente tanto contra os pecados em que nascemos como contra os que cometemos, e quer castigá-los por justo julgamento, agora, nesta vida, e na futura (1). Ele mesmo declarou: "Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las" (Gl 3.10) [Gn 2.17; Êx 20.5; Êx 34.7; Sl 5.5; Na 1.2; Rm 1.18; Rm 5.12; Ef 5.6; Hb 9.27; Dt 27.26].

O falso evangelho apresenta um deus de amor que não manifesta juízo. Entretanto, a Escritura Sagrada fala constantemente da ira de Deus contra o pecado. A sua ira revela outros dos atributos divinos, ou seja, ela é uma ira santa, justa, perfeita, onipotente, onisciente, etc. Por isso, Deus não erra, nem é injusto quando manifesta a sua ira contra alguém. Deus é justo ao condenar ao inferno e a sua sentença é perfeita. Mesmo que no mesmo lar houver membros ímpios e justos, a Escritura declara que “aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada” (Ez 18.20). Deus é o justo juiz.

Os pecados merecem justa condenação. A Escritura nos declara que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm 6.23). Deus nos adverte que “o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte” (Pv 8.36). Então, o Senhor Deus é justo em retribuir a cada um segundo o seu pecado. Por isso, Paulo nos afirma que “por causa da sua teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento. Deus retribuirá a cada um conforme o seu procedimento. Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade. Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça” (Rm 2.5-8). Mas a longanimidade de Deus faz com que ele não derrame toda a sua justa ira sobre a humanidade. Ele manifesta a sua bondade sobre todos, e dá graça e misericórdia aos seus eleitos.

Deus derrama juízos temporais sobre a humanidade. Juízos temporais são as manifestações dos castigos de Deus, no tempo presente, antes do juízo final. Eles começaram desde o Jardim do Éden quando Deus impôs o sofrimento e limitações ao nossos primeiros pais, e sobre a criação, por causa do seu primeiro pecado (Gn 3.17 e Rm 8.20). Assim, as enfermidades, dores, disfunções, desequilíbrios, a tristeza, destruições, etc. são juízos temporais divinos. Entretanto, podemos classifica-los em juízos temporais gerais e pessoais. Os que foram mencionados são juízos gerais, e não tem relação direta com algum pecado que tenhamos cometido. Entretanto, há juízos temporais pessoais, por serem consequência de pecados que praticamos. Eles podem ser resultantes da imoralidade do pecado, quando perdemos a boa reputação, o respeito, o crédito, e sobrevém a vergonha, a separação, a desconfiança e o desprezo. Podem vir em forma de doenças venéreas, ausência da alegria da salvação, desonra pessoal impedindo o exercício dos dons, ou a desqualificação para o exercício dos ofícios. Entretanto, por mais grave e vergonhoso seja o pecado de alguém isso não tira a graça salvadora sobre ele. Sabemos do jovem que adulterou com a esposa de seu pai, e terrível juízo lhe sobreveio, apesar de Paulo ordenar que “ entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5.5).

Há quem pense que todo o sofrimento humano termina com a morte. Isto só é verdade para os salvos em Cristo. Pois, para aqueles que morreram sem Cristo há o inferno e o juízo eterno. Embora muitos ímpios usufruam, aparentemente impunes, de uma boa vida, na verdade eles terão um triste destino. Esperamos na misericórdia de Deus, mas os ímpios vivem sem esperança, por isso, Asafe diz “o meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos” (Sl 73.26-28).

03 maio 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 9

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 9. Então, Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir. Isto não é injusto?
R. Não, pois Deus criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei (1). O homem, porém, sob instigação do diabo e por sua própria rebeldia, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes destes dons (Gn 1.27; Ef 4.24; Gn 3.4-6; Rm 5.12; 1Tm 2.13-14).

Deus criou o homem capaz de cumprir perfeitamente a lei. Zacharias Ursinus, um dos autores do Catecismo de Heidelberg, disse que se Deus “requer o que é impossível somente é injusto se, primeiro, não deu a habilidade para cumprir o que ele exigiu; segundo, a menos que o homem cobiçou, e por si mesmo, consentiu escravizar-se nesta inabilidade; e, por último, a menos que o exigido não fosse possível ao homem obedecer, sendo de tal natureza, planejado levá-lo a reconhecer e desprezar a sua incapacidade. Mas Deus criou o homem à sua própria imagem, deu-lhe a habilidade de prestar-lhe obediência, a qual justamente requer dele em sua lei” [The Commentary on Heidelberg Catechism, p. 66]. Agostinho resumiu esta verdade ao dizer “dá-me aquilo que ordenas, ordena-me aquilo que queres.” Deus não exige o que ele mesmo não dá, e sabemos disto porque o apóstolo Paulo nos revela que “não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar” (1Co 10:13). Ele exige que vençamos as tentações, porque nenhuma delas é mais forte do que o poder que ele nos dá, e se buscarmos a ele também nos dará livramento.

O diabo incentiva o despertamento da cobiça humana. Sabemos que Satanás nos oferece o que o nosso coração deseja. Ele não nos obriga a pecar. O inimigo de nossas almas é nosso tentador, mas nunca o autor do nosso pecado. Mas, ele nos conhece bem, e sabe das nossas fraquezas, e como nos iludir, bem como despertar desejos pecaminosos em nosso coração. Por isso, a Bíblia nos ordena resistir ao diabo e, consequentemente, ele fugirá de nós (Tg 4.7).

Os nossos primeiros pais se rebelaram contra a Deus. Eles estavam providos em Deus e deveriam estar satisfeitos nele, todavia, o diabo os convenceu de que havia algo maior que Deus lhes omitiu, e que eles deveriam experimentar o fruto proibido para que pudessem ser iguais à Deus. Na verdade, Deus os havia criado à sua imagem. Eles refletiam os atributos comunicáveis de Deus, e receberam autoridade para dominar sobre toda a criação. Entretanto, eles não queriam refletir a glória de Deus, mas queriam ter uma glória própria. O descontentamento foi despertado nos seus corações para que desejassem algo que é exclusivo em Deus.

Adão e Eva perderam parcialmente a imagem de Deus. Alguns dos atributos morais são fundamentais na imagem de Deus, ou seja, o conhecimento, a justiça e a santidade. Estas perfeições manifestavam a comunhão de Deus com o homem, sem elas o ser humano está separado de Deus (Is 59.2) e debaixo de sua divina ira (Jo 3.36). No entanto, além de sofrer o prejuízo moral e dano espiritual, os nossos primeiros pais tiveram os resquícios da imagem de Deus distorcida. O ser humano ainda preserva parte da imagem de Deus, mas ela está tão afetada pelo mal moral, que o pecado o animaliza tornando-o menos humano (Sl 32.9 e Sl 73.21-22).

Deus continua sendo justo em exigir obediência da lei moral apesar de todo o estrago do pecado. Todo ser humano deve adorar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-40) e cumprir todas as exigências da lei de Deus (Êx 20.1-17; Mt 5.17-19). Entretanto, lembremos que ao obedecer a lei não produzimos mérito para sermos aceitos diante de Deus, porque Cristo fez isso em nosso lugar e a nosso favor. Obedecemos porque somos habilitados amar à Deus (Rm 5.5), e cumprimos o que Ele exige de nós para agradar ao nosso Pai celestial (Jo 14.15).

23 abril 2019

A segunda vinda

Ó Filho de Deus e Filho do homem,
Tu foste encarnado, sofreste, subiste, ascendeste por minha causa;
Tua partida não foi um sinal de separação, mas um penhor de retorno;
Tua Palavra, promessas, sacramentos, revelam a tua morte até que venhas novamente.
Esse dia não é um horror para mim
porque a tua morte me redimiu,
Teu Espírito me enche,
Teu amor me anima,
Tua Palavra me governa.
Confiei em ti e não tu traíste a minha confiança;
Esperei por ti e não esperei em vão.
Tu levantarás o meu corpo do pó e o reunirás à minha alma,
por uma maravilhosa obra de infinito poder e amor,
maior do que o que limita as águas dos oceanos,
agitas e fluis as marés
manténs as estrelas em seu curso
se dás vida a todas as criaturas.
O que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade
o mortal, de imortalidade,
este corpo natural, se tornará num corpo espiritual,
este corpo desonrado, se transformará um corpo glorioso,
e este corpo fraco, num corpo de poder.
Eu triunfo agora em tuas promessas como farei em tua realização,
porque a cabeça não pode viver se os membros estiverem mortos;
Além da sepultura é ressurreição, julgamento, perdão e domínio.
Todos os eventos e circunstâncias da minha vida serão tratados -
os pecados da minha juventude, meus pecados secretos,
os pecados de abusos contra ti, de desobedecer a tua Palavra,
os pecados de negligenciar as admoestações dos ministros,
os pecados de violar a minha consciência -
tudo será julgado;
E depois do julgamento haverá paz e descanso, vida e serviço,
emprego e gozo para os teus eleitos.
Ó Deus, preserve-me nessa fé e sempre buscando o retorno de Cristo.

22 abril 2019

Amar à Jesus

Se eu te amo, a minha alma te buscará;
mas como te buscarei se o meu amor por ti não for preservado vivo para este fim?
Eu te amo porque Tu és bom,
e somente Tu podes fazer-me bom?
É justo que não deves me considerar,
porque sou vil e egoísta;
mas eu te busco,
e quando te encontro não há ira para me devorar,
mas apenas o doce amor.
Tu permaneces como uma rocha entre o sol escaldante e a minha alma.
e eu vivo sob o lado refrescante como um eleito.
Quando minha mente age sem ti
nada produz além de engano e ilusão;
Quando minhas afeições agem sem ti
nada se vê senão obras mortas.
Como eu preciso que habite em mim
porque não tenho olhos naturais para te ver,
mas eu vivo pela fé em alguém cuja face para mim
é mais brilhante que mil sóis!
Quando vejo que todo pecado está em mim,
sei que toda vergonha me pertence;
deixe-me saber que todo o bem está em ti, e que toda a glória é tua.
Mantenha-me longe do erro de pensar que Tu aparecerás gloriosamente
quando alguma luz estranha encher meu coração,
como se isso fosse a atividade gloriosa da graça,
mas deixe-me ver que a mais verdadeira revelação de Ti mesmo
é quando Tu eclipsas toda a minha glória pessoal
e toda a honra, prazer e benefício deste mundo.
O Filho irrompe em glória
quando Ele se mostra como alguém que supera toda a criação,
faz homens pobres em espírito,
e ajuda-os a encontrar o seu bem nele.
Concede que eu possa desconfiar de mim mesmo, e ver tudo em ti.

21 abril 2019

O amor de Jesus

Ó, Pai de Jesus,
Ajude-me a aproximar-me de Ti com profunda reverência
não com presunção,
nem com medo servil, mas com uma santa ousadia.
Tu estás além do alcance do meu entendimento,
mas não além do meu amor.
Tu sabes que eu te amo acima de tudo
pois Tu és incomparavelmente adorável, bom e perfeito.
Meu coração se desmancha no amor de Jesus
meu irmão, ossos dos meus osso e carne da minha carne,
casado comigo, morto em meu lugar, ressuscitado por mim;
Ele é meu e eu sou dele,
deu-me tudo quanto possível;
Eu nunca serei tão meu, quanto sou dele,
ou tão perdido para mim, até perder-me nele;
então eu acho minha verdadeira varonilidade.
Mas meu amor é gelo e frio, gelo e neve;
Que o seu amor me aqueça,
alivie meu fardo,
seja meu céu;
Que seja mais revelado a mim em todas as suas influências,
que meu amor por ele pode ser mais fervoroso e reluzente;
Deixe a poderosa maré do seu amor eterno
cobrir as pedras do meu pecado e vaidade;
E, assim, deixe o meu espírito flutuar acima dessas coisas
que muito arruinaram a minha vida.
Faça-me frutífero vivendo para esse amor
meu caráter tornando-se mais belo a cada dia.
Se os traços do amor delineador de Cristo estiverem em mim,
ele trabalhará com o seu polimento divino
até que a completa imagem seja alcançada
e eu serei uma cópia perfeita dele, meu Mestre.
Senhor Jesus, venha a mim,
Ó Espírito Divino, repouse em mim,
Ó Pai Santo, olha para mim em misericórdia, por causa do bem-Amado.

19 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 8

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 8. Mas nós somos tão corrompidos que não podemos fazer bem algum e que somos inclinados a todo mal?
R. Somos sim, se não nascermos de novo pelo Espírito de Deus (Gn 6.5; Gn 8.21; Jó 14.4; Jo 15.14,16,35; Is 53.6; Tt 3.3; Jo 3.3,5; 1Co 12.3; 2Co 3.5).

O humanismo secular tenta nos convencer que o ser humano é bom por natureza. Há entre os humanistas não-cristãos aqueles que defendem que a identidade humana é moralmente neutra, isto é, sem impureza, ou sem inclinação para o mal. Eles explicam a má conduta apenas em termos de uma educação deficiente, ou má influência social. Pois, segundo eles, a perversidade não é parte inerente da índole do indivíduo, mas um comportamento aprendido, ou condicionado. É verdade que a má educação, ou a ausência de boas referências morais, dão lugar para exemplos ruins, ou se tornam num incentivo para a perversão e a criminalidade. Todavia, não é somente causas externas, mas o que sai do coração somado ao estímulo social que fomenta toda a miséria. O indivíduo escolhe o que o seu coração ama. A mera educação não é capaz de redimir a humanidade de sua da falência moral.

Deus nos descreve em tons desesperadores. Está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam. Veneno de serpentes está em seus lábios. Suas bocas estão cheias de maldição e amargura. Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz. Aos seus olhos é inútil temer a Deus” (Rm 3:10-18, NVI). O impulso moral de nosso coração é, por natureza, inclinado ao pecado.

Somente somos capazes de fazer o bem se Deus nos estimular. Não há virtude natural no ser humano, porque “meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, para que sejamos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou” (Tg 1.16-18, NVI). Até mesmo a nossa justiça, dizem as Escrituras, é como trapo de imundícia (Is 64.6). Assim, somente se formos regenerados, convertidos e santificados pela influência do Espírito Santo, é que sentiremos prazer em nos submeter a Palavra de Deus, satisfação em obedecê-la e conformar a nossa vida sob autoridade divina. Por isso “meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Fp 2.12-13). Aceitamos como verdade o que o Senhor Jesus nos disse: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5).

09 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 7

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 7. De onde vem, então, esta natureza corrompida do homem?
R. Da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso. Ali, nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado (Gn 3; Rm 5:12,18,19; Sl 51:5; Jo 3:6).

O pecado de todos os homens possui duas fontes para a sua origem: primeiro a origem histórica e, segundo, a fonte existencial do mal moral. Paulo declara que “da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). O apóstolo declara a origem histórica e individual do pecado de todos os homens. Adão foi o nosso mediador no Pacto das Obras. Deus o constituiu como representante de toda a raça humana. O nosso primeiro pai deveria obedecer perfeitamente a simples exigência de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Entretanto, ele comeu, e no paraíso ele recebeu a ira de Deus [Veja o Breve Catecismo de Westminster perguntas 16-19].

O pecado é transmitido na concepção (Sl 51.5). A indisposição contra Deus é transmitida à alma do ser humano como consequência da maldição atribuída a todos os descendentes de Adão. A natureza corrompida é o legado da desobediência cometida no Jardim do Éden. Não escolhemos essa herança, mas por sermos descendentes de Adão, somos recebedores dos seus méritos. O problema é que ele não produziu justiça nem virtude, mas transgrediu a lei; por isso, herdamos a condenação da morte.

A natureza humana tornou-se totalmente corrompida. O calvinismo ensina que “o homem por natureza em toda a sua existência, com todo o seu coração, mente, alma e força tornou-se escravo do pecado; ele é inteiramente incapaz de fazer alguma coisa boa e, está inclinado para o mal” [H. Hoeksema, Reformed Dogmatics, p. 358]. Paulo descreve de modo vívido esta poluição moral como sendo a condição espiritual de todos os homens (Rm 1.18-32 e 3.9-18). A força do pecado que age no coração do ser humano é altamente nocivo!

De quais pecados devemos nos arrepender? Robert L. Dabney escreveu que “o cristão, de fato, lastimará a culpa do primeiro pecado de Adão, mas não se arrependerá dele. Todavia, da corrupção da natureza, da concupiscência e dos desejos desordenados do nosso coração é nosso dever arrependermos, sentirmos vergonha deles, entristecermos e indispormos contra eles, assim como de toda transgressão atual; porque esta culpa é somente nossa, como também o nosso próprio pecado” [Systematic Theology, p. 654]. Não podemos anular os efeitos do pecado de Adão, nem nos arrependermos do pecado original. Quando a Bíblia ordena o arrependimento, a sua exigência se refere aos nossos pecados pessoais, não ao que Adão fez.

05 abril 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 6

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 6. Mas Deus criou o homem tão mau e perverso?
R. Não, Deus criou o homem bom(1) e à sua imagem,(2) isto é, em verdadeira justiça e santidade, para conhecer corretamente a Deus seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo(3).
(1) Gn 1:31. (2) Gn 1:26,27. (3) 2Co 3:18; Ef 4:24; Cl 3:10.

Deus criou o homem maduro, perfeito e santo. Adão não nasceu, cresceu, nem amadureceu, porque ele foi criado adulto fisicamente e em todas as suas capacidades mentais, emocionais e volitivas. Ele estava pronto para cumprir aos mandatos do Pacto das Obras, conforme Deus firmou com ele no Jardim do Éden. Ele era perfeito porque não havia nenhuma disfunção, defeito ou desarmonia em seu corpo, nem dele com a criação. Tudo se relacionava harmonicamente. E, ele era santo, isto é, não havia pecado nele, nem inclinação para pecar. A sua vontade era cumprir a boa vontade de Deus, e o seu prazer era glorificar ao Senhor. Antes de comer do fruto proibido o nosso primeiro pai obedecia, perfeitamente, tudo o que Deus havia ordenado.

Adão foi criado à imagem de Deus. A imagem de Deus é espiritual, essencial e funcional. Os três elementos espirituais desta imagem no homem era o conhecimento perfeito de Deus, a justiça e a santidade. Em outras palavras, Adão conhecia perfeita e suficientemente à Deus, tudo o que ele era e fazia refletia justiça e mérito diante de Deus, e a sua vida e ações se revelavam em pureza moral. O nosso primeiro pai era capacitado pelo que ele era, e pelo o que nele estava, de cumprir perfeitamente o Pacto das Obras. Todavia, quando Adão pecou, ele perdeu o elemento espiritual da imagem de Deus. O Pacto de Obras foi quebrado, a comunhão espiritual rompida, a maldição de morte sentenciada e a inimizade declarada. Ele se tornou morto espiritualmente por perder o elemento espiritual da imagem de Deus, e isso corrompeu os elementos essencial e funcional desta imagem.

A imagem essencial é o que faz dele humano. A capacidade intelectual, emocional e vontade, bem como a sua autoconsciência, as suas relações afetivas e o exercício da vontade constituem o ser humano em sua identidade. Estas capacidades nos colocam acima de toda a criação, e nos capacitam a usufruir de tudo o que Deus criou para o nosso bem, e para motivar-nos a glorifica-lo. Mas por causa da perda do elemento espiritual, a personalidade foi totalmente afetada no coração. Isso significa que os nossos pensamentos, emoções e vontades estão prejudicados em seu nascedouro. A distorção pecaminosa do que é o ser humano, nos tornou menos humanos. A incapacidade de conhecer a Deus corretamente, a amargura, depressão, o orgulho e toda disfunção em nós, bem como a indisposição de amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos, resulta dos efeitos do pecado sobre a nossa humanidade original em Adão.

O pecado também perverteu a imagem funcional. Adão era capaz de cumprir os mandatos do Pacto das Obras. Deus lhe ordenou que cultivasse e dominasse sobre a criação, e multiplicasse enchendo a terra com a sua descendência. O que ele é está afetado pelo pecado, e o que ele faz revela o poder desse pecado nele. Embora o mandato cultural é parcialmente cumprido, ele perde a sua correta motivação de amar a Deus, e desfaz a virtude e o seu objetivo perfeito de glorificar a Deus. Toda a cultura sem a graça está sob os efeitos do pecado. Do mesmo modo o mandato social também é prejudicado pela queda, pois as relações sociais, desde a constituição da família ao surgimento dos grandes impérios, perverteram-se em poligamia, adultérios, infanticídio, genocídio, racismo, guerras, e diversas manifestações de amargura. E, por fim, o mandato espiritual, também recebeu a nódoa do pecado. Por isso, Paulo disse que “tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” (Rm 1.22-23). O ser humano desaprendeu como adorar a Deus e, ao mesmo tempo, rejeita o modelo de adoração determinado por Deus. Agora, sob queda, o homem se tornou num contínuo quebrador do pacto.

Deus não criou o homem mau, mas o pecado o tornou um violentador do Pacto das Obras. A descendência de Adão continua pecando à semelhança dele, e sendo incapaz de amar e glorificar a Deus, como o Senhor exige que o homem o faça perfeitamente.