31 dezembro 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 18

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 18. Mas quem é esse Mediador que, ao mesmo tempo, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem e homem justo?
R. O nosso Senhor Jesus Cristo, que nos foi dado para completa salvação e justiça (Jr 23.6; Mt 3.1; Rm 8.3; Gl 4.4; 1Jo 5.20; Lc 1.42; Lc 2.6-7; Rm 1.3; Fp 2.7; Hb 2.14,17; Hb 4.15; Is 53.9,11; Jr 23.5; Lc 1.35; Jo 8.46; Hb 4.15; Hb 7.26; 1Pe 1.19; 1Pe 2.22; 1Pe 3.18; Mt 1.23; Lc 2.11; Jo 1.1,14; Jo 14.6; Rm 9.5; 1Tm 2.5; 1Tm 3.16; Hb 2.9; 1Co 1.30; 2Co 5.21).

Jesus é verdadeiro Deus. A sua divindade é manifesta em seus atributos de eternidade (Jo 1.1; 8.58 e 17.5), onisciência (Jo 16.30; 21.17), onipotência (Jo 5.19) e imutabilidade (Hb 1.12; 13.8); em sua soberania divina participou da criação (Jo 1.3; Cl 1.16), e da providência (Cl 1.17); ele exerceu autoridade divina para perdoar pecados (Mt 9.2; Lc 7.47), ressuscitar mortos (Jo 5.25; 11.25) e julgar (Jo 5.22); ele mereceu adoração (Mt 14.33; 28.9; Jo 20.28-29); ele é a expressão exata do Ser de Deus (Hb 1.3; Cl 1.15); e, por isso, reivindicou ser Deus (Jo 8.58; 10.30; 17.5).

Jesus é verdadeiro homem. Ele teve um nascimento humano (Mt 1.18-2.11; Lc 1.30-38); cresceu e se fortaleceu (Lc 2.50-52); exerceu capacidades próprias de um homem (Mt 26.38; Mc 2.8); sofreu limitações, como fome (Mt 4.2; 21.18), sede (Jo 19.28), cansaço (Jo 4.6) e foi tentado (Mt 4; Hb 2.18); e diversas vezes foi chamado de homem (Jo 1.30; 4.9; 10.38). Ele revelou um caráter perfeitamente justo (Lc 1.35), não cometeu pecado (1Pe 2.22), sempre agradando ao Pai (Jo 8.29); a sua humildade foi insuperável (Fp 2.5-8), conhecido por sua verdadeira mansidão (Mc 11.29); foi um trabalhador incansável (Jo 5.17; 9.4), e demonstrou aos seus discípulos, na prática, como orar (Mt 14.23; Lc 6.12).

Jesus é o tema de toda a Bíblia: Ele é a semente da mulher (Gn 3.15); o cordeiro pascoal (Êx 12.5-6); o sacrifício expiatório (Lv 1.3-6); a rocha ferida (Nm 20.11); o grande profeta de Deus. (Dt 18.15); o príncipe do exército do SENHOR (Js 5.14-15); o nosso libertador (Jz 2.16); o nosso resgatador (Rt 2.1; 3.2); a nossa vitória (1Sm 17.47); o descendente de Davi (2Sm 7.11-13); o doador da sabedoria (1Rs 3.12; 4.29); o reis dos reis (2Rs 11.9, 21); o rei de Deus (1Cr 29.23, 32); o que faz aliança (2Cr 7.14); o nosso auxílio, Senhor dos céus e da terra (Ed 1.2); o nosso ajudador (Ne 1.11); o conselheiro sofredor (Et 3.5-6); o nosso redentor vivo (Jó 19.25); o guarda de Israel (Sl 121.4); a sabedoria de Deus (Pv 8.12, 22, 35); o verdadeiro sentido da existência (Ec 12.1); o amado (Ct 2.16); o servo sofredor (Is 53.2-4); a nossa justiça (Jr 33.16); o varão de Deus (Lm 1.2; 3.1); o pregador rejeitado (Ez 1.1-3.27); o rei eterno (Dn 2.24; 7.14); o que cura as feridas (Os 14.4); o que habita em Sião (Jl 3.17); o teu Deus, oh Israel (Am 4.12); o Senhor no seu reino (Ob 1.21); o profeta ressuscitado (Jn 1.17; 2.6); o nascido em Belém (Mq 5.2); o que leva as boas novas (Na 1.15); o Senhor no seu santo templo (Hc 2.20); o Senhor que está no meio de ti (Sf 3.17); o desejado de todas as nações (Ag 2.7); o preço do cordeiro (Zc 11.12); o sol da justiça (Ml 4.2); o rei Messias (Mt 2.2); o servo de Deus (Mc 1.11); o Filho do homem (Lc 19.10); o Filho de Deus (Jo 19.7); o doador do Espírito Santo (At 1.8); aquele que nos torna justo aos olhos da lei (Rm 8.1-4); as primícias dos que dormem (1Co 15.20); a graça de Deus (2Co 12.9); o verdadeiro evangelho (Gl 1.11-12); toda armadura de Deus (Ef 6.10-11); o que supre as necessidades (Fp 4.13); o cabeça da Igreja (Cl 1.18; 2.19); o vingador de todas as coisas (1Ts 4.6); o fiel protetor (2Ts 3.3); o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5); o Senhor e Justo Juiz (2Tm 4.8); a graça salvadora de todos os homens (Tt 2.11); o Senhor que intercede por nós (Fm 1.10); o autor e consumador da fé (Hb 12.2); o dom perfeito vindo de Deus (Tg 1.17); a pedra principal (1Pe 2.7); o Senhor que nos concede a entrada no seu reino (2Pe 1.11); aquele que se manifestou para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8); a fonte da verdadeira doutrina (2Jo 9); o nome que garante a vitória (3Jo 7); o único Soberano e Senhor (Jd 4); o Rei dos reis, e Senhor dos senhores (Ap 19.16).

Ele disse de si mesmo: “eu sou o pão da vida” (Jo 6.35); “eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12); “eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10.7); “eu sou o bom pastor” (Jo 10.11); “eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25); “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6); “eu sou a videira” (Jo 15.1); “eu sou o primeiro e o último” (Ap 1.17). Ele é o nome que está acima de todo nome (Ef 1.21; Fp 2.9). Jesus Cristo é o “EU SOU” (Jo 8.56-58, veja Êx 3.13-15).

27 dezembro 2019

Como foi o seu ano de 2019?

Hoje é o último Domingo de 2019. Nesta semana encerramos o ciclo de mais um ano da nossa vida. Talvez, devido à correria e muitas preocupações não avaliamos a importância do que ocorreu entre nós neste ano. Mas o salmista nos instrui a pedir que Deus nos ensine “a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria” (Sl 90.12). A sabedoria não vem pela mera soma dos anos, mas por meio do contentamento da providência de Deus. Jacó deu um mau testemunho, quando Faraó lhe perguntou: “Quantos anos o senhor tem?” E, infelizmente respondeu: “São cento e trinta os anos da minha peregrinação. Foram poucos e difíceis e não chegam aos anos da peregrinação dos meus antepassados” (Gn 47.7-9). Não foi a melhor resposta para um homem experimentado, que conhecia ao Deus da aliança. Há amargura em suas palavras e, por isso, lhe faltou sabedoria, e ele deixou de glorificar a Deus em sua resposta. Lembre-se “a murmuração é um cântico de louvor ao demônio” [Thomas Watson].

Não podemos duvidar da bondade do Senhor quando as coisas dão errado. A nossa frustração, ou a aparente demora de acontecimentos bons, ou ausência de motivos de alegria, não significa que Deus nos ame menos. A insegurança não pode nos escravizar na incredulidade. É por isso que a Palavra de Deus nos ordena que “não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7). Há muito o que acontecer até que sejamos mais parecidos com o nosso Redentor. Deus está agindo mesmo quando não vemos.

Temos a compreensão de que Cristo Jesus, soberanamente, conduz todas as coisas cumprindo o seu perfeito propósito? Realmente cremos que os momentos de alegrias e tristezas, saúde e doença, vitórias e fracassos, foram instrumentos para que fôssemos moldados por suas poderosas mãos (Jr 18.1-6)? Cremos que, verdadeiramente, as pressões da vida são os dedos do Oleiro nos conformando à imagem de Cristo (Rm 8.28-29). Somos nutridos com a certeza de que “aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Voltando à pergunta inicial: como foi o seu ano de 2019? Neste tempo você se tornou mais crente, fiel, servo, consagrado, grato, e mais dependente do SENHOR Deus? Ou, a sua resposta resultará em palavras de amargura?

28 novembro 2019

Quatro motivos de John Owen para a vida de oração do pastor

Escrito por Rev. Roycroft Andrew

John Owen entendeu as exigências e privilégios do ministério. Em um valioso sermão pregado num culto de ordenação na sexta-feira de 8 de Setembro de 1682, ele expôs em termos desafiadores e práticos o que realmente é a tarefa do pastor. Em sua mente, estava a necessidade urgente de ministros orarem. Nesta parte, examinaremos os motivos que ele nos fornece para orar e pensaremos no que um pastor deve orar num artigo posterior.

Os motivos da oração são:

1. A oração é a prova de que estamos cumprindo nossos deveres ministeriais plenamente

Owen está convencido de que a oração é inflexível, de que a oração é a medida de um homem verdadeiramente cumprindo o seu ministério. "Deixe-o pregar o quanto quiser, visitar o máximo que puder, conversar o quanto conseguir”, mas sem oração não há evidência de que ele esteja verdadeiramente cumprindo o seu ministério.

2. Este é o caminho pelo qual abençoamos nossas congregações

A habilidade do ministro de abençoar o seu povo não é autoritária (não é algo que ele administra), mas desejável e declarativa. A única maneira pela qual podemos ver a verdadeira bênção recair sobre o povo de Deus, é pedir-lhe que o conceda. Este é um ótimo motivo para orar.

3. Nenhum ministro no mundo pode manter o seu amor pela igreja se ele não ora por eles

O ministério pastoral significa que o pregador está em contato com as melhores e piores condutas e atitudes cristãs. Ele encontrará muitos motivos para o desencorajamento, à medida que pastoreia as almas dos que estão sob seus cuidados e "nada é capaz de manter o seu coração com amor inflamado em relação a eles, se não estiver orando por elas continuamente”.

4. Deus nos ensinará o que devemos pregar ao nosso povo através da oração

Orando pelos crentes, o pregador está constantemente trazendo à sua mente quais são as necessidades mais profundas da congregação, e isto, por sua vez, afeta o seu pensamento sobre o que ele pregará — “quanto mais oramos por nosso povo, melhor nos será instruído o que pregar a eles".

Para muitos de nós, no ministério, o tempo e a aplicação à oração é a batalha mais difícil de todas, e as palavras de Owen nos dão grande incentivo para buscar a face de Deus em favor daqueles a quem ministramos — é crucial para a alegria de nossos corações, a saúde de nossas almas, a eficácia da nossa pregação e o bem dos nossos ouvintes.
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Extraído do site:https://banneroftruth.org/uk/resources/articles/2018/john-owens-four-motives-for-the-pastors-prayer-life/
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

01 novembro 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 17

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 17. Por que o Mediador deve ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus?
R. Porque, somente sendo verdadeiro Deus, Ele pode suportar, como homem, o peso da ira de Deus, e conquistar e restituir, para nós, a justiça e a vida. (Is 9.6; Rm 1.4; Hb 1.3; Is 53.4,11; Dt 4.24; Sl 130.3; Na 1.6; Is 53.5,11; Is 54.8; Jo 3.16; At 20.28; 1Pe 3.18).

Jesus Cristo é Mediador duma aliança que é eterna. Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.3) preparou “toda sorte de bençãos” àqueles que ele escolheu em Cristo. Só Deus existia antes de criar qualquer coisa (Jo 1.1-2), ninguém além dele estava lá, e somente as três Pessoas da Trindade se relacionavam perfeitamente entre si. Deus o Pai, obrigou-se a dar ao Filho, mediante obediência perfeita, um número de eleitos que seria a sua recompensa (Ef 1.14; 1Pe 2.9-10). Ninguém além do Filho poderia satisfazer suficientemente todas as exigências infinitamente perfeitas do Pai. O Pai prometeu ao Filho, e a nenhum outro, um povo. Por isso, enquanto cumpria a sua obra redentora, Cristo pode reivindicar aqueles que o Pai lhe deu (Jo 17.2, 6, 7, 9, 24; 18.9). E por “estes” somente Cristo intercedeu, quando o nosso Senhor orou, dizendo: “eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo 17.11).

O Mediador deveria suportar a ira de Deus, porque o pecado do seu povo cairia sobre ele. O profeta Isaías predisse que “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.10-12). Ele amou àqueles que o Pai lhe deu, e somente por eles sofreu, suportou a ira, e morreu recebendo a punição do pecado. Ele recebeu a nossa punição, por isso, “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Ele como Mediador recebeu uma promessa num pacto eterno, a fim de obter aqueles que o Pai lhe daria, e por estes o Filho obedeceria toda a Lei, produzindo justiça, para que a favor deles pudesse redimi-los da condenação. O Senhor Jesus morreu por aqueles que o Pai lhe deu, e somente por estes ele intercedeu, e todos estes serão a sua recompensa.

Somente o Filho poderia merecer a justiça para todos que o Pai lhe deu. Os atributos divinos do Filho potencializaram a obra redentora do Cristo. Se ele fosse apenas um homem perfeito, a sua obra teria valor finito, como finita é toda criatura. Entretanto, o Filho de Deus é Deus, e seus atributos incomunicáveis potencializaram a sua obra por todos aqueles por quem ele morreu. A segunda Pessoa da Trindade é eterno, infinito, perfeito, imutável e autossuficiente em todo o seu Ser. Assim, a sua obra foi suficiente para salvar todos os que o Pai escolheu nele antes da fundação do mundo. Os eleitos foram amados, e no Amado, receberam o amor do Pai de modo infinito, perfeito, imutável e suficiente. Somente Deus pode satisfazer a si mesmo.

Apenas Filho de Deus obtém para dar a vida. A morte espiritual é a separação da comunhão com Deus. Por isso Isaías disse que “as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2, veja também Ef 2.1-3). Somente Deus nos reconciliar consigo, concedendo-nos a vida. O Senhor Deus nos diz que “dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus” (Ez 36.26-28); e Paulo reconheceu que “estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.5). Somente pela morte e ressurreição do Filho de Deus podemos receber a sua vida eterna.

24 agosto 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 16

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 16. Por que o Mediador deve ser verdadeiro homem e homem justo?
R. Deve ser verdadeiro homem, porque a justiça de Deus exige que o homem pague o pecado do homem. Deve ser homem justo, porque alguém que tem seus próprios pecados, não pode pagar por outros. (Is 53.3-5; Jr 33.15; Ez 18.4,20; Rm 5.12-15; 1Co 15.21; Hb 2.14-16; Sl 49.7; Hb 7.26-27; 1Pe 3.18).

Cristo na encarnação assumiu a nossa completa natureza humana. O Filho de Deus ao encarnar possui um corpo e alma, e todas as suas qualidades. Ele não só se torna humano, mas verdadeiro e perfeitamente humano. Declarando a ortodoxia dessa doutrina o Credo de Calcedônia [451 d.C.] afirma que na encarnação há “Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção das naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência”. O Filho de Deus ao se encarnar não se tornou num ser híbrido, meio divindade e metade humanidade, nem houve uma mistura das duas naturezas. Ele tem inseparavelmente unidas as duas naturezas, sem que a divindade se torne humanizada, ou a humanidade seja divinizada. Jesus Cristo é, em sua a encarnação, verdadeiramente Deus e verdadeiramente humano.

O Senhor Jesus experimentou uma vida perfeita como verdadeiro homem. Embora foi tentado e sofreu à nossa semelhança (Hb 4.15); entretanto, nunca pecou, nem se rebelou contra o Pai, mas submeteu ao propósito eterno, cumprindo toda vontade do Pai (Jo 4.34; 5.30 e 6.38). Ele não foi tentado como Deus, porque a divindade não pode ser tentada (Tg 1.13), mas em sua humanidade foi exposto aos ataques e artimanhas de Satanás (Lc 4.1-13). Ele nunca usou os seus poderes divinos a seu favor, apesar de ser verdadeiro Deus, mas fez-se reconhecido como servo, humilhando-se em tudo, desde a encarnação até o sepultamento (Fp 2.5-8). Ele nunca fez um milagre sequer para beneficiar-se, nem venceu as tentações com o poder divino, nem resistiu as tentações comunicando alguma qualidade divina para a sua humanidade. O Filho de Deus triunfou sobre os seus inimigos evidenciando que Ele é verdadeiro homem, a fim de que, nele, sejamos conformados à sua imagem.

Era necessário, pelo decreto eterno do Pai, que o Filho se tornasse membro da raça humana e, como um verdadeiro homem, cumprisse o pacto das obras que o primeiro Adão falhou obedecer (Rm 5.12-21). Por isso, Cristo como o segundo Adão satisfez todas as exigências da Lei de Deus, produzindo a justiça, bem como as virtudes e dons necessários para merecer a aceitação em favor daqueles que o Pai lhe deu (Rm 8). Ele cumpriu perfeitamente a lei, suportou todo o sofrimento que lhe estava proposto, venceu Satanás, e foi vitorioso sobre a morte. Ele provou ser justo em todas as coisas! O Senhor Jesus pagou pelo pecado dos seus eleitos, obedecendo, morrendo e ressuscitando em seu lugar, e desse modo, merecendo-lhes a vida eterna!

15 agosto 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 15

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 15. Que tipo de Mediador e Salvador, então, devemos buscar?
R. O Mediador deve ser verdadeiro homem e homem justo, contudo, mais poderoso que todas as criaturas; portanto, alguém que é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus (1Co 15.21; Hb 7.26; Is 7.14; Is 9.6; Jr 23.6; Lc 11.22; Rm 8.3-4).

O mundo experimenta a deterioração dos valores que Deus estabeleceu para preservá-lo. A falta de sentido e propósito também produz a desesperança. A sociedade busca a sua redenção na tecnologia, cultura, política, economia e no sexo, todavia, estes meios são ineficazes de transformá-la construtivamente. Reconhecemos que as várias formas de idolatria são fabricadas pela cultura pós-moderna. Mas, infelizmente, a sociedade inclina-se a não reconhecer a verdade como absoluta, ridicularizando a concepção e a ação de Deus no mundo.

O nascimento de Jesus Cristo teve o propósito de reconciliar pecadores escolhidos com o santo Deus. Sendo o Filho de Deus, uma Pessoa que subsiste em duas naturezas, divina e humana, é o completo e final revelador entre Deus e os homens. O sofrimento, obediência, morte e ressurreição de Cristo obtiveram a justiça necessária para merecer-nos a aceitação de Deus, bem como a suficiente satisfação da sua ira, realizando a anulação da condenação pelos nossos pecados. Somos perdoados pela justiça e amor de Cristo Jesus, o nosso mediador. Ele eficazmente intercederá por nós até a sua segunda vinda. A obra de Cristo é o fundamento para a renovação de toda a criação pela presença espiritual e transformadora do seu reino.

O objetivo histórico da obra de Cristo foi a inauguração do seu reino sobre a terra. Isto inclui a salvação de indivíduos, bem como uma nova ordem na sociedade. Todavia, cremos que somente com os valores do reino de Deus, num discipulado integral, em que os cristãos se envolvem produtivamente em todas as áreas da vida, e participam pelo processo de restauração, transformação e desenvolvimento, reconhecendo Cristo como o Senhor em todas as esferas da nossa existência.

Estamos chegando ao fim da história humana não em direção ao desespero e caos, mas à consumação do propósito eterno de Deus. Cristo Jesus julgará toda a humanidade de todas as épocas e culturas, a uns dará a salvação segundo a sua misericórdia, e a outros segundo a sua justiça concederá a merecida condenação dos seus pecados. Ele é verdadeiro Deus para prescrever, exigir, julgar e redimir; e também é verdadeiro homem, para interceder, representar e nos tornar aceitáveis diante do Pai.

27 julho 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 14

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 14. Será que uma criatura, sendo apenas criatura, pode pagar por nós?
R. Não, não pode. Primeiro: porque Deus não quer castigar uma outra criatura pela dívida do homem. Segundo: porque tal criatura não poderia suportar o peso da ira eterna de Deus contra o pecado e dela livrar outros (Gn 3.17; Ez 18.4; Sl 130.3; Na 1.6).

Nenhuma criatura é capaz de pagar pela desobediência dos homens. Os animais sacrificados no Antigo Testamento não cancelavam a dívida do pecado. Eles eram mortos para indicar a consequência do pecado, a ira de Deus e o preço de transgredir a Lei. Em outras palavras, a Lei de Moisés tinha um uso didático de revelar a santidade de Deus, o pecado do homem e a apontar para a redenção em Cristo. Enquanto o pecado exige a sentença de morte, porque evoca a ira de Deus, a Lei didaticamente ensina a gravidade do pecado e a necessidade de satisfazer a justiça divina. Deus é santo e justo. Entretanto, o ensino da Lei se complementa com o Evangelho de Cristo; por isso, a finalidade da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê (Rm 10.4). Então, aprendemos com a Lei e o Evangelho que Deus é misericordioso e gracioso.

O esforço para salvar a si mesmo não é aceito por Deus. Inclusive, o Senhor proibiu o autoflagelamento, ou o sacrifício humano, como uma forma de expiação pelos pecados. Há alguns motivos para essa rejeição. Primeiro, porque o esforço humano é insuficiente. Ou seja, Deus requer uma obediência completa da Lei, e nenhum homem é capaz de cumprir todas as exigências e implicações da Lei. Segundo, porque o esforço humano é imperfeito. Ou seja, Deus requer uma obediência sem deficiência, e isto nenhum homem é capaz de cumprir sem falhar na motivação, no modo, ou no objetivo da Lei. Terceiro, porque o esforço humano é inadequado. Ou seja, Deus requer uma obediência prescrita, e não um sacrifício humanamente inventado. O Senhor decidiu que o sacrifício seria de um mediador perfeito. Entretanto, nenhum homem é capaz de cumprir porque é um mero descendente de Adão. Todos os filhos do primeiro homem nascem sob a sua maldição de morte (Rm 5.12 e Ef 2.1). Eles são escravos do pecado, inimigos de Deus, hostis à santa Lei e servos de Satanás, por natureza são filhos da ira. Como criaturas inábeis para se relacionarem com Deus, também oferecem modos inadequados para agradá-lo. Mas, mesmo que um simples homem nascesse sem pecado, e obedecesse toda a Lei como Deus exige, ainda assim não serviria como um sacrifício suficiente para outros homens. A obediência perfeita de um único homem somente mereceria aceitação diante de Deus para si, e não para outros. O seu sacrifício seria suficiente para si, mas ainda continuaria inadequado para todos os demais.

O Catecismo Maior de Westminster [Perg./Resp. 40] explica qual a necessidade do Mediador ser Deus e homem em uma só pessoa. Ele declara que “era necessário que o Mediador, que havia de reconciliar o homem com Deus, fosse Deus e homem, e isso em uma só pessoa, para que as obras próprias de cada natureza fossem aceitas por Deus em nosso favor e que confiássemos nelas como as obras da pessoa inteira”. Era necessário que o sacrífico perfeito fosse homem, não um animal ou cereais, porque o pecado cometido e transmitido pelo primeiro homem contaminou todos os homens, por isso, a penalidade deve recair sobre os que quebram a Lei. Um descendente de Adão deveria produzir uma obediência perfeita para restaurar o pacto quebrado (Gn 3.15), por isso, era necessário que o sacrifício fosse um verdadeiro homem. Mas, se fosse apenas um simples homem, ele apenas conseguiria oferecer um sacrifício de valor limitado. Por isso, era necessário que fosse verdadeiro Deus, para que a sua obediência e sacrifício possuísse um valor infinito! Cristo cumpriu toda a Lei, satisfez a justiça do Pai, produziu perfeita virtude, venceu a sentença da morte, e produziu vida abundante para todos por quem ele representou como Mediador da Aliança. A morte de Cristo foi suficiente para salvar aqueles que o Pai lhe deu.

05 julho 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 13

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 13. Nós mesmos podemos satisfazer essa justiça?
R. De maneira alguma. Pelo contrário, aumentamos, a cada dia, a nossa dívida com Deus (Jó 4.18-19; Jó 9:2-3; Jó 15.16; Sl 130.3; Mt 6.12; Mt 16.26; Mt 18.25).

Ninguém é capaz de satisfazer a Lei moral com a qualidade exigida. Deus não aceita uma obediência que não seja perfeita. Cumprir a lei de Deus pelo nosso padrão moral não lhe é algo aceitável. Quem aceitaria comer num restaurante que tivesse um criadouro de porcos na cozinha? A ideia é tão absurda que não conseguimos conceber como isso seria possível! Mas a verdade é pior do que colocar sujeira ao lado do preparo da comida, porque o nosso coração é a fonte dessa imundícia. Por isso Cristo denuncia que “as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ‘impuro’. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias” (Mt 15.18-19). Se o nosso critério de pureza exige um padrão mínimo necessário para ser aceitável, e sendo nós pecadores, imagine qual o nível de pureza que Deus exige em sua perfeita santidade. Não temos qualificação moral para nos apresentarmos diante dele! Pelo contrário, o nosso pecado nos torna maltrapilhos, imundos, fétidos, desprezíveis e contaminamos tudo o que tocamos ou fazemos. A lei revela nossa total inabilidade de obedecer perfeitamente a vontade de Deus.

É impossível satisfazermos a Lei de Deus na quantidade exigida. Alguns pensam que obedecer a lei de Deus é apenas seguir a literalidade dos Dez Mandamentos. Daí, enganados pelo seu superficial entendimento da lei, dizem: “nunca matei, nem adulterei, e não sou um ladrão”. A verdade é que pecam mais do que conseguem perceber, e estão iludidos com uma rasa interpretação do decálogo. Isso é mera cegueira espiritual (Jo 9.39-41). Deus requer a completa obediência da Lei moral, em toda a sua extensão, motivação e implicações, e não o mero cumprimento superficial da letra da lei. Por esse motivo não conseguimos produzir virtude suficiente que agrada a Deus. Diminuir o entendimento da Lei moral não dilui o dever de obediência em toda a sua extensão. Enquanto há quem se iluda com a ideia de que consegue obedecer aos Dez Mandamentos, a própria Escritura nos adverte dessa falha mortal, declarando que se alguém se esforça em obedecer “toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Ninguém consegue oferecer uma plena obediência da Lei moral em toda a sua extensão e implicações, e Deus não aceita menos do que o seu completo cumprimento.

Somos incapazes porque ao tentar cumprir a Lei moral, desobedecemos ainda mais. Você conhece pessoas que devendo ao banco pegam mais empréstimos para pagar dívidas anteriores? Elas não estão diminuindo a dívida, mas aumentando o valor da dívida, além dos seus juros! A tentativa de merecer aceitação diante de Deus pela obediência da lei apenas traz condenação. Então, devemos desistir e nos entregar ao pecado? Não! Isso só traria acréscimo de juízo no Dia do Juízo (Rm 2.5-8). Então o que fazer? Se a sua conclusão for: então é impossível obedecer a Deus como ele requer! Ok, você entendeu porque e o quanto dependemos de Cristo. Por isso o Filho de Deus nos disse: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Somos totalmente incapazes de obedecer a Lei moral como Deus requer, mas Cristo obedeceu, como nosso substituto, cumprindo todas as exigências da lei, e satisfez a vontade do Pai. Ele mereceu, em nosso lugar, o favor e a aceitação que carecemos de Deus. Por isso, podemos cantar com Augustus Toplady que “não por obras nem penar, plena paz terei aqui. Só tu podes consolar, há perdão somente em ti. Rocha eterna, só na cruz eu confio, ó meu Jesus!” [Hino 136 HNC]. A consciência atormentada pela certeza de que desobedecemos, e que a transgressão da lei aumenta a nossa dívida, crescentemente nos angustia. Entretanto, somos consolados por sabermos que temos Cristo como pagador do nosso resgate, e que alcançamos o pleno perdão nele. O Amado da nossa alma é perfeito, suficiente e capaz de nos fazer aceitáveis diante do Pai.

29 junho 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 12

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 12. Então, conforme o justo julgamento de Deus, merecemos castigo, nesta vida e na futura. Como podemos escapar deste castigo e, de novo, ser aceitos por Deus em graça?
R. Deus quer que sua justiça seja cumprida. Por isso, nós mesmos devemos satisfazer essa justiça, ou um outro por nós. (Gn 2.17; Êx 20.5; Êx 23.7; Ez 18.4; Hb 10.30; Mt 5.26; Rm 8.3-4).

O juízo de Deus é justo. A Escritura Sagrada sentencia que “todos pecaram” (Rm 3.23), e que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Ninguém é forçado à pecar, ou tem a necessidade de pecar; pelo contrário, todos pecam conscientes e intencionalmente. Ninguém pode se vitimizar diante de Deus alegando que são constrangidos a pecar, porque não tiveram outra opção. Desde o primeiro homicídio somos informados que “se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7). Por causa do nosso pecado, somos merecedores de condenação; por isso, Deus é justo juiz!

Como podemos escapar da sua condenação? O puritano Jonathan Edwards pregou um sermão sob o título “Pecadores nas mãos de um Deus irado”. A história nos relata que os ouvintes foram tomados por um grande temor vindo do Espírito Santo. O Espírito de Deus os moveu para o arrependimento, convencendo-os de seus pecados, e o quanto a sua desobediência é ofensiva à Deus. A tristeza invadiu as suas almas porque pecaram contra o santo Deus. Bem como um desespero se apossou de suas mentes por estarem convictos de que mereceriam os tormentos do inferno! Entretanto, o evangelho fala da imerecida graça que revela o perdão e nos ordena o arrependimento; e que confiemos na promessa de que não seremos rejeitados, mas aceitos por causa das virtudes de Cristo Jesus. Deus usou aquele sermão para salvar, restaurar e santificar muitos de seus filhos naquele culto. A verdade liberta da ira vindoura, da condenação e de uma consciência atormentada pela culpa e medo.

Deus exige que a sua justiça seja cumprida. É nosso dever satisfazer todas as exigências da lei de Deus. Essa é uma tarefa impossível de realizarmos. Por isso, Deus aceitou a obediência de um substituto, o seu Filho, que cumpriu tudo o que a lei exigia. O Pai entregou o seu Filho para a morte, transferiu para ele os nossos pecados e derramou sobre ele a sua santa ira. Deus decidiu odiar o seu Filho por causa dos nossos pecados, para que nos amasse, por causa da justiça do Filho. Paulo nos declara que “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.1-4). A graça que nos alcança é gratuita, mas Cristo produziu virtude pela sua perfeita obediência! O Filho de Deus pagou o alto preço pela infinita ofensa dos nossos pecados. Ele pode nos dar o perdão, reconciliando-nos com o Pai, declarando-nos justificados, adotando-nos como filhos de Deus e tornando-nos alvo de seu eterno amor. A justiça foi cumprida, em Cristo, conforme Deus exige.

30 maio 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 11

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 11. Mas Deus não é também misericordioso?
R. Deus na verdade é misericordioso(1), mas também e justo (2). Por isso, sua justiça exige que o pecado, cometido contra a suprema majestade de Deus, seja castigado também com a pena máxima, quer dizer, com o castigo eterno em corpo e alma [Êx 20.6; Êx 34.6,7; Êx 20.5; Êx 23.7; Êx 34.7; Sl 7.9; Na 1.2-3; 2Ts 1.9].

As pessoas querem viver no pecado, indiferentes à vontade de Deus, sem colher as consequências de suas decisões. Quando são lembradas de que haverá um juízo final, e que prestarão contas de tudo o que viveram, elas contestam que Deus é misericordioso. Elas recorrem ao amor de Deus sem nenhum arrependimento, sem crerem na redenção de Cristo, e sem clamarem pelo seu perdão. Deus é gracioso com aqueles que buscam a sua misericórdia com contrição, e se arrependem verdadeiramente dos seus pecados.

Devemos lembrar que o pecado é um problema legal e moral. Ele é um problema legal porque é a transgressão da lei de Deus. É desobediência, rebeldia e iniquidade, de modo que, todos merecidamente são sentenciados à pena de morte. A desobediência da lei moral exige justa punição. Mas o pecado também é um problema moral. Ele é moral porque envolve os motivos do coração pervertendo, deformando, corrompendo, indispondo e poluindo tudo em nós contra Deus. Por isso, “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1.9).

A justiça exige punição quando não há arrependimento verdadeiro. Quando nos endurecemos em nossos pecados e desprezamos a misericórdia de Deus, corremos grande perigo! O autor da epístola aos Hebreus nos adverte que “não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas” (Hb 12.16-17).

Não podemos confundir remorso com arrependimento, porque são disposições morais diferentes. O arrependimento reconhece a desobediência da lei moral, sabe que ofendeu a santidade de Deus, e que merece a punição sentenciada pela Palavra de Deus, e é tomado pela tristeza de pecar contra o Senhor (Sl 32 e 51; Dn 9.1-19). O arrependido sabe que a graça o limpará da imundícia do pecado, e que não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). O temor do Senhor produz arrependimento.

O remorso, entretanto, não é assim. Embora seja um sentimento acompanhado de tristeza e vergonha, ele não está convencido de ter ofendido ao Senhor. A angústia do remorso é movida pela vergonha da sua imoralidade que se tornou pública. Ele está envergonhado pois a sua reputação se manchou, e o seu nome é criticado, zombado e desmoralizado. Por isso, Paulo afirma que “a tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2 Co 7.9). O remorso é a dor causada pelo golpe do próprio pecado no seu orgulho. É chorar o prejuízo que sofreu, e os benefícios que perdeu. Os arrependidos buscam a Deus, enquanto pessoas angustiadas pelo remorso podem, até mesmo, cometer suicídio. O temor dos homens produz remorso.

A Bíblia fala que há céu e inferno. Estes dois termos se referem à condição e ao lugar onde estão as almas após a morte. É uma condição porque o céu é uma graciosa relação de comunhão, por meio de Cristo, com Deus. Nesse sentido, o céu começa aqui, num vínculo de já e ainda-não (Fp 3.1-4). Mas o céu também é o lugar aonde as almas dos eleitos vão após morrerem. Eles estão com o Senhor, conscientes, adorando, sendo consolados, e esperando a consumação de todas as coisas (Ap 6.9-11).

O inferno também é uma condição e um local. Ele é uma condição, porque é a contínua ira de Deus sobre os ímpios (Jo 3.36), e é um lugar porque é para lá que as almas deles vão quando falecem sem Cristo. O inferno foi criado por Deus para guardar provisoriamente as almas daqueles que receberão maior juízo no grande e terrível Dia do Senhor. Naquele dia não será o momento para se descobrir se será salvo, ou não (Jo 3.17-19); mas, o juízo final será para sentenciar quanto ao galardão, ou a intensidade de maiores sofrimentos, conforme as obras de cada um (Rm 2.5-10). Atualmente, no inferno, o juízo é parcial, porque a ira de Deus se manifesta apenas contra a alma, mas no último dia a punição será completa, porque será contra o corpo e alma daqueles que se rebelaram contra Deus (Ap 20.11-15). Qual será o seu julgamento?