25 maio 2006

Pais e filhos

Paulo ordena que os filhos obedeçam as ordens dos seus pais e os honrem. Ele diz que é o primeiro mandamento. Provavelmente pretendeu dizer o primeiro mandamento que a criança teria que aprender de memória. A honra que Paulo exige não é uma mera honra de palavra; a única maneira de honrar aos pais é obedecendo-os, respeitando-os e não causando-lhes dor.

Mas, Paulo percebe que o problema tem outra faceta. Diz aos pais que não provoquem a ira dos seus filhos. Bengel responde a pergunta do porquê este mandamento definitivamente também se refere aos pais. As mães têm uma espécie de paciência divina, mas "os pais são mais propensos à ira." Chama a atenção de que Paula repete as suas ordens de forma mais completa em Cl 3:21. "Pais", ele diz, "não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.". Bengel disse que a doença do juventude é o "espírito desanimado"; o desalento que pode proceder de uma crítica e censura contínua, ou de uma disciplina demasiadamente dura. David Smith pensa que Paulo escreveu isto a partir de uma amarga experiência pessoal. Disse: "Vibra aqui uma nota de emoção pessoal e parecia que o coração do cativo ancião retornasse ao passado e recordava de desamorosos anos da sua própria meninice. Educado na atmosfera aústera da ortodoxia tradicional, experimentou pouca ternura e muita serveridade, e conheceu 'essa praga da juventude: o espírito desanimado'".

Podemos de três maneiras ser injustos com os nossos filhos:
1. Podemos esquecer que as coisas tendem a mudar. Os costumes de uma geração não são os da outra. Elinor Mordaunt nos narra como deteve a sua pequena filha para que não fizesse algo, dizendo-lhe: "Quando eu tinha a sua idade não me deixavam que fizesse isso." E a menina respondeu: "Mas, mamãe, deve lembrar que a senhora vivia naquela época, eu vivo hoje." Os pais podem causar um imenso dano esquecendo que os tempos mudam e os costumes também.

2. Podemos praticar um controle tão rígido que se torne num descrédito para a educação dos filhos. Manter um filho por demasiado tempo em andajares é confessar que não se confia nele, e isto no fundo é simplesmente dizer que não confia na forma em que se tem educado. É melhor correr o risco de equivocar-se confiando demasiadamente, do que controlando de forma exagerada.

3. Podemos esquecer o dever de estimular. O pai de Lutero era muito rígido, tão rígido que chegava a ser cruel. Lutero costumava dizer: "Omita a vara e arruinarás o menino - isto é verdade; mas, junto da vara tenha uma maçã para dá-la quando ele fizer o bem." Benjamim West nos narra como chegou a ser pintor. Certo dia a sua mãe saiu, encarregando-o de cuidar da sua irmãzinha Sally. Na ausência da sua mãe encontrou alguns frascos com tinta colorida e começou a fazer um retrato de Sally. Ao fazê-lo causou uma considerável desordem e manchou tudo com tinta. Ao retornar, a sua mãe observou a bagunça, mas não disse nada. Tomou o pedaço de papel e contemplando o desenho disse: "Esta é Sally!" Então, inclinou-se para beijar o menino. Depois Benjamin West costumava sempre dizer: "O beijo de minha mãe me fez pintor". O estimulo produz mais do que a reprovação. Anna Buchan nos conta como a sua vó repetia uma frase favorita ainda quando era de idade avançada: "Nunca amedronte os jovens."

Segundo Paulo, os filhos devem honrar os seus pais, mas os pais nunca devem desanimar os seus filhos.


Extraído de William Barclay, Gálatas y Efesios - El Nuevo Testamento Comentado, Editorial La Aurora, 1973, pp. 186-187.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

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