11 maio 2019

Exposição devocional do Catecismo de Heidelberg - Q/R 10

Catecismo de Heidelberg – Pergunta 10. Deus deixa sem castigo esta desobediência e rebeldia?
R. Não, não deixa, porque Ele se ira terrivelmente tanto contra os pecados em que nascemos como contra os que cometemos, e quer castigá-los por justo julgamento, agora, nesta vida, e na futura (1). Ele mesmo declarou: "Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las" (Gl 3.10) [Gn 2.17; Êx 20.5; Êx 34.7; Sl 5.5; Na 1.2; Rm 1.18; Rm 5.12; Ef 5.6; Hb 9.27; Dt 27.26].

O falso evangelho apresenta um deus de amor que não manifesta juízo. Entretanto, a Escritura Sagrada fala constantemente da ira de Deus contra o pecado. A sua ira revela outros dos atributos divinos, ou seja, ela é uma ira santa, justa, perfeita, onipotente, onisciente, etc. Por isso, Deus não erra, nem é injusto quando manifesta a sua ira contra alguém. Deus é justo ao condenar ao inferno e a sua sentença é perfeita. Mesmo que no mesmo lar houver membros ímpios e justos, a Escritura declara que “aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada” (Ez 18.20). Deus é o justo juiz.

Os pecados merecem justa condenação. A Escritura nos declara que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm 6.23). Deus nos adverte que “o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte” (Pv 8.36). Então, o Senhor Deus é justo em retribuir a cada um segundo o seu pecado. Por isso, Paulo nos afirma que “por causa da sua teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento. Deus retribuirá a cada um conforme o seu procedimento. Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade. Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça” (Rm 2.5-8). Mas a longanimidade de Deus faz com que ele não derrame toda a sua justa ira sobre a humanidade. Ele manifesta a sua bondade sobre todos, e dá graça e misericórdia aos seus eleitos.

Deus derrama juízos temporais sobre a humanidade. Juízos temporais são as manifestações dos castigos de Deus, no tempo presente, antes do juízo final. Eles começaram desde o Jardim do Éden quando Deus impôs o sofrimento e limitações ao nossos primeiros pais, e sobre a criação, por causa do seu primeiro pecado (Gn 3.17 e Rm 8.20). Assim, as enfermidades, dores, disfunções, desequilíbrios, a tristeza, destruições, etc. são juízos temporais divinos. Entretanto, podemos classifica-los em juízos temporais gerais e pessoais. Os que foram mencionados são juízos gerais, e não tem relação direta com algum pecado que tenhamos cometido. Entretanto, há juízos temporais pessoais, por serem consequência de pecados que praticamos. Eles podem ser resultantes da imoralidade do pecado, quando perdemos a boa reputação, o respeito, o crédito, e sobrevém a vergonha, a separação, a desconfiança e o desprezo. Podem vir em forma de doenças venéreas, ausência da alegria da salvação, desonra pessoal impedindo o exercício dos dons, ou a desqualificação para o exercício dos ofícios. Entretanto, por mais grave e vergonhoso seja o pecado de alguém isso não tira a graça salvadora sobre ele. Sabemos do jovem que adulterou com a esposa de seu pai, e terrível juízo lhe sobreveio, apesar de Paulo ordenar que “ entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5.5).

Há quem pense que todo o sofrimento humano termina com a morte. Isto só é verdade para os salvos em Cristo. Pois, para aqueles que morreram sem Cristo há o inferno e o juízo eterno. Embora muitos ímpios usufruam, aparentemente impunes, de uma boa vida, na verdade eles terão um triste destino. Esperamos na misericórdia de Deus, mas os ímpios vivem sem esperança, por isso, Asafe diz “o meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos” (Sl 73.26-28).

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