Por Lindsey Stomberg
Quando duas pessoas se tornam uma só, Deus santifica ambos os indivíduos no relacionamento conjugal à medida que une os seus corações. Ao longo dos anos, cometemos muitos erros devido ao nosso egoísmo e à nossa falta de conhecimento. Essa constatação nos leva a compartilhar com aqueles que desejam se casar as armadilhas comuns a muitos jovens adultos, a fim de ajudá-los a evitar erros semelhantes.
Aqui estão algumas coisas que gostaríamos de ter aprendido antes de nos casarmos.
1. O namoro moderno não é um modelo bíblico para buscar um cônjuge.
O namoro não é um conceito estranho para nós, pois não conhecíamos outra realidade até depois de casados. Era o padrão entre nossos pares. Crescemos em lares cristãos muito conservadores, aprendendo valores cristãos também muito conservadores. De fato, acompanhamos a ascensão e a queda do movimento da pureza na igreja evangélica em geral. Vimos tanto os seus benefícios quanto as suas muitas falhas.
Essas falhas não ocorreram porque o princípio da pureza sexual estivesse errado, mas sim pela maneira como o movimento demonizava o sexo e não preparava adequadamente homens e mulheres para seus papéis bíblicos no contexto do casamento. Ele gerava a culpa e a vergonha adequadas, mas não oferecia a estrutura necessária para que as pessoas realmente evitassem a imoralidade. Apenas ensinar valores cristãos, sem a devida prestação de contas, não bastava para garantir a pureza. Incutir medo em vez de sabedoria foi uma receita para o desastre e o trauma para muitos. Tornou-se muito difícil para muitos virar a página e abraçar uma vida sexual saudável no casamento, quando haviam sido ensinados apenas a temer ou desconfiar do sexo.
Qual é o propósito do namoro? Alguns podem dizer que é uma forma de socialização. Outros podem afirmar que ele prepara o indivíduo para a vida adulta e o casamento, permitindo que o adolescente ou jovem adulto “avalie as opções” em busca das características que deseja em um cônjuge. O namoro permite que pratiquem o casamento sem o compromisso, testando com quem possuem compatibilidade.
Teoricamente, pode-se dizer que os casais praticam o divórcio quando terminam um relacionamento e partem para outra pessoa que os faça mais felizes. No nosso contexto moderno, a maioria começa a namorar por atração, e não por uma intenção sincera de se casar com aquela pessoa. O casamento pode até acontecer, mas é considerado um bônus, algo secundário em relação ao envolvimento inicial. Esse é um sistema falho e antibíblico que frequentemente gera resultados desastrosos, pois nega completamente todo o projeto de Deus para o casamento.
O modelo moderno de namoro só ganhou popularidade quando pais cristãos romperam com o princípio da liderança de aliança do pai sobre a filha e abdicaram de seu papel de criar homens preparados para liderar e prover para uma família. Por outro lado, uma abordagem bíblica daquilo que é comumente chamado de corte (namoro com propósito de casamento) ocorre quando homens e mulheres iniciam um relacionamento com a intenção de se casar, sob a orientação e a supervisão de familiares e amigos.
Quando rapazes e moças são preparados intencionalmente, durante seus anos de maior formação, para assumir o papel que Deus lhes conferiu na construção de uma família, é provável que cresçam desejando abraçar essa missão que lhes foi proposta. A ideia de que os jovens precisam apenas “aproveitar a vida” ou “curtir a juventude” antes de se sujeitarem à vida doméstica é um conceito pagão.
2. Jovens homens e mulheres devem buscar um cônjuge tendo os princípios bíblicos como guia.
Explicamos por que o namoro moderno não é um modelo bíblico a ser seguido por um cristão que busca o casamento; mas, na prática, como isso funciona? Homens e mulheres não devem começar a buscar o casamento antes de estarem realmente prontos para se casar. Se um homem deseja se casar, ele deve aprender o que significa ser um homem segundo a Bíblia, buscando mentoria junto à sua família da igreja. Ele deve construir patrimônio, na medida do possível, para prover um lar e uma renda estável para uma futura família. Ao encontrar uma mulher com quem deseja se casar, ele deve pedir permissão ao pai dela e agir dentro dos limites estabelecidos por esse pai, visto que ele é o cabeça espiritual da mulher até entregá-la a um marido. Caso o pai da mulher não esteja disposto a acompanhar o relacionamento, o homem pode buscar essa sabedoria junto à sua família da igreja.
As mulheres que desejam se casar devem buscar aprender o que significa ser mulher, esposa e mãe sob uma cosmovisão bíblica. Ao buscar mentoria na igreja, elas podem ser discipuladas e adquirir habilidades necessárias para cumprir seus deveres atuais como filhas e seus deveres futuros como esposas e mães. Quando chegar o momento de encontrar um pretendente adequado, a mulher deve contar com a liderança de seu pai para auxiliá-la nesse processo. Se ele estiver indisponível ou não quiser participar, líderes espirituais da igreja podem oferecer parte dessa estrutura e proteção.
Por fim, o casal deve evitar ficar a sós de maneira que aumente a tentação. Haverá tempo de sobra para construir intimidade física e espiritual após o casamento. Eles devem buscar a sabedoria e a opinião de outras pessoas sobre o relacionamento, a fim de crescerem e manterem-se fiéis aos princípios bíblicos até o dia do casamento. Esse tipo de acompanhamento oferece mais do que apenas prestação de contas; proporciona também proteção para ambas as partes, pois amigos ou familiares podem identificar possíveis sinais de alerta antes que o casamento se concretize.
O namoro casual pode ser a opção popular em nossa cultura, mas a Igreja pode — e deve — agir de forma superior à cultura que a cerca. Quando o único critério de um cristão para o namoro é “casar-se com um cristão e não ter relações sexuais antes do casamento”, abre-se um caminho repleto de armadilhas, como buracos na estrada, nas quais se pode cair, especialmente quando falta a sabedoria ou a prestação de contas necessária para percorrer esse caminho adequadamente.
O namoro moderno não é um modelo bíblico para encontrar um cônjuge; por isso, incentivamos os cristãos a considerarem os princípios bíblicos segundo os quais os pais assumem a responsabilidade pela pureza e proteção de suas filhas, participando do processo de encontrar um cônjuge adequado para elas. Essa prática pode nos parecer estranha hoje, mas, até poucas centenas de anos atrás, era a norma ao longo de toda a história da Igreja.
Por outro lado, encorajamos os pais a repensarem a maneira como criam seus filhos e filhas. Ao criarmos intencionalmente homens e mulheres formados no caráter cristão e capacitados com as habilidades e os valores que todo marido e toda esposa devem possuir, estaremos criando homens e mulheres prontos para constituir suas próprias famílias para a glória de Deus.
3. O casamento não se resume a estar apaixonado.
O casamento não se resume a estar apaixonado. Estar apaixonado pelo cônjuge é um benefício maravilhoso do casamento, mas não é o propósito dele. Muitos concordarão com isso, pois é fácil perceber que o casamento não é um caminho fácil. No entanto, será que realmente compreendemos POR QUE o casamento não se resume a estar apaixonado?
O casamento não trata do indivíduo. O casamento trata de uma aliança. É, especificamente, um símbolo nesta vida que reflete o relacionamento entre Cristo e sua noiva, a Igreja. O casamento é uma parábola do amor sacrificial e da fidelidade que Deus tem demonstrado ao seu povo escolhido desde o início dos tempos.
Quando deturpamos o relacionamento matrimonial ordenado por Deus ao permitir a entrada da pornografia, do adultério, da homossexualidade ou do divórcio, estamos, na essência, apresentando uma imagem falsa de Cristo e de sua Igreja. Cristo é fiel à sua Igreja; então, por que um cônjuge não seria fiel, mesmo quando isso é extremamente difícil? Em nossa sociedade, o divórcio é fácil, o casamento é banalizado e o sexo tornou-se uma moeda de troca. Seríamos ingênuos se pensássemos que a Igreja não foi influenciada por essas normas culturais e que seus membros não adotaram, inconscientemente, esses pensamentos e práticas comuns.
Rapazes e moças precisam estar preparados para as provações do casamento antes de entrarem nele. Haverá momentos em que não gostarão do cônjuge. Pode haver ocasiões em que parecerá mais fácil ir embora do que ficar e lutar. É nesses momentos que se deve buscar na Palavra de Deus conforto e direção. Deus é fiel, portanto, devemos ser fiéis. Deus é perdoador, portanto, devemos perdoar. O Senhor nos manda amar o próximo como a nós mesmos. Se o nosso cônjuge não é o nosso “próximo”, então quem é? Homens, amem suas esposas como Cristo ama a Igreja e entregou-se por ela. Mulheres, submetam-se aos seus maridos como ao Senhor.
Existem situações que envolvem nuances que não abordamos aqui, mas, deixando essas nuances de lado, podemos afirmar com plena convicção que o divórcio não deve ser uma opção considerada nem um “Plano B” para o cristão ao firmar a aliança do casamento. O casamento não se resume a estar apaixonado, mas trata-se de viver o Evangelho dentro da aliança, enquanto ambos se empenham em construir uma família tendo Cristo como fundamento.
Visto que o casamento diz respeito ao Deus que cumpre suas alianças e à sua Igreja, essa instituição não pode ser compreendida sem um fundamento sólido em Cristo e o conhecimento de sua Palavra.
Sobre a
autora
Lindsey
Stomberg é esposa de pastor, mãe de sete filhos (que educa em casa) e coautora
do Reformed Faith and Family juntamente com seu marido, Caleb. Há mais de uma
década, ela une seu amor pela escrita e pelo design gráfico para criar recursos
que encorajam e capacitam famílias cristãs. Lindsey é apaixonada por saúde
integral e cuida do bem-estar de seu lar preparando refeições caseiras do zero,
utilizando ervas medicinais e alimentos fermentados. Quando “crescer”, ela
espera se tornar doula. Os seus passatempos favoritos são ler em voz alta para
os filhos e jogar jogos de tabuleiro com toda a família.
Texto original AQUI