24 março 2007

Ora que melhora!

Por quê a maioria dos cristãos não têm o hábito de orar regularmente? Observe bem, eu disse CRISTÃOS! Não estou me referindo as pessoas que não são, e se dizem cristãos. Estou falando daquelas pessoas que são convertidas, que receberam o Senhor Jesus como salvador de suas vidas, que sabem do perigo de viver sem a graça e a misericórdia de Deus, que são profundamente gratas pelo perdão dos seus pecados, em Cristo Jesus, e que têm o Espírito Santo habitando pactualmente, e que por causa disto, têm todos os motivos do mundo para viverem em contínua vida de oração, desfrutando da incessante intimidade que o Senhor tem conosco!

Mas, apesar de tudo isto, porque oramos tão pouco? Além das infinitas bençãos que Deus salvificamente nos dá, poderíamos ter como motivação as nossas necessidades do dia a dia, e, diga-se de passagem não são poucas! Vamos brevemente refletir sobre alguns possíveis motivos que nos impedem de orar, que diminuem em nós, a convicção da nossa brutal dependência da graça de Deus.

O primeiro motivo a ser considerado como impecilho, é o orgulho. A soberba nos leva sutilmente a crêr que somos suficientes em nossas virtudes, que as nossas intenções são as melhores, e que podemos fazer o que precisamos sozinhos! A loucura da altivez contamina o nosso raciocínio de tal modo, que não percebemos que estamos sendo levados a agir como ateus, embora sendo crentes em Cristo Jesus! Não é em vão, que a oração essencialmente exija a humildade. O nosso orgulho é um grande inimigo da oração, como também pré-indisposto para receber a resposta da oração. Por causa dele nem sempre desejamos declarar: seja feita a tua vontade!

O segundo motivo pode ser a incredulidade. Este é um ofensivo pecado contra o nosso Deus. A incredulidade não é apenas não crêr em Deus, mas não crêr no modo como Ele governa a nossa vida. É não confiar que aquilo que Ele está realizando é o melhor! É duvidar que quando Deus usa o mal, o sofrimento, e a frustração de um "não" indesejado, ainda assim estas coisas podem ser grande benção para a nossa vida (Gn 50:19-20). O soberano Senhor usa o que, quem, quando e como quiser com infalível exatidão para nos abençoar, e glorificar a Si mesmo. Ele sempre tem as melhores intenções conosco, em Cristo (Jr 29:10-14). Sim! Infinitamente melhores do que as nossas egoístas intenções.

O terceiro motivo que nos desestimula de orar pode ser a amargura. A inimizade é algo perigoso, especialmente quando ela cria raíz, cresce e frutifica. A amargura é o orgulho ferido, desprezado, humilhado sem arrendimento. A amargurada é isenta da doce graça de Deus, porque ele é essencialmente amargo! Perde-se o prazer de interceder por outros, perde-se o gozo de estar na presença do Altíssimo, porque a disposição que se aflora em nosso coração é o mesmo que brotou no coração de Adão no jardim, é tolamente fugir do onipresente Deus. A amargura tira o vigor espiritual, e ficamos fracos para orar. O melhor remédio para vencer este fétido sentimento é orar por quem nos persegue.

Algumas pessoas têm me perguntado "como orar quando não se tem vontade de orar?" Brincando, respondo que é simples: ore quando você não tiver vontade de orar, ore quando você sentir vontade de orar, e ore para que não deixe de desejar de orar. Não devo limitar a minha prática de oração somente quando SINTO vontade. A vontade não deve ser submissa dos sentimentos. Mas os sentimentos devem ser submetidos à vontade, para que a nossa vontade seja submetida à vontade de Deus.

Independentemente do contexto que esteja a sua vida, ore! A oração se encaixa em qualquer situação e para qualquer necessidade. Deus quer nos santificar, Ele decidiu dar-nos ricas bençãos, não permita que os seus motivos pessoais te impeçam de desfrutar uma relação íntima com o Pai que está nos céus. Ora que melhora.

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