27 fevereiro 2015

A dor, a dúvida e a incredulidade

A dor causa um estranho efeito em nós. Ela nos tira a alegria, a força e a nossa sensibilidade. Quando sofremos é natural que sejamos dominados pela tristeza, fiquemos desanimados e nos tornemos indiferentes com os outros. Certamente não gostamos desta situação. E se não bastasse ainda somos agredidos por diferentes tipos de dúvidas que podem se tornar perigosamente em incredulidade. Certamente você já se questionou o “por que” do sofrimento? É uma questão justa para quem sofre, mas nem sempre encontramos “a resposta” que satisfaz as nossas dúvidas sobre este assunto.

A dúvida e a incredulidade são superficialmente parecidas, mas são essencialmente diferentes. A dúvida geralmente é saudável quando nasce da curiosidade e produz maturidade. A dúvida surge do entendimento parcial, e deseja completar o conhecimento. Quando sofremos parece que a nossa dor e amor de Deus não são compatíveis. A dúvida surge exigindo uma resposta, uma causa, um motivo e um propósito. Por isso, ela pode nos levar ao entendimento de que Deus é soberano e bondoso e, quem controla de toda a nossa vida. Mas, se a dúvida abraçar a rebeldia, e desprezar a verdade da Palavra de Deus, então, ela se converte em incredulidade. Então, a incredulidade gera incertezas, ingratidão, insegurança, e desespero. A dúvida se satisfaz com a verdade, mas a incredulidade a despreza.

Apesar de não termos todas as respostas, convido que pensemos nalgumas coisas em que a dor não deveria nos prejudicar quando assaltados pela dúvida. A verdadeira fé alimentada pela Escritura é mais forte do que as emoções nascidas no sofrimento.

A dor não deveria produzir amargura em nosso coração. Em vez de remoer a decepção, a enfermidade, ou a rejeição, deveríamos nos humilhar diante de Cristo. Ele sofreu grande humilhação pelos homens, torturado, e suportou a mais intensa dor na cruz. O Filho de Deus tem toda autoridade nos céus e sobre a terra. Por isso, Jesus disse que “venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30, NVI). É possível viver com dúvidas, mas é insuportável viver na incredulidade. Posso não entender os “por quês” da vida, mas é angustiante viver sem crer em nada, ou pior, sem crer que em Jesus Cristo podemos receber o perdão, o amor e o consolo de Deus o Pai.

A dor não deveria nos isolar de Deus. Há pessoas que por causa do sofrimento preferem se esquecer de Deus. Isso é estranho porque tudo testemunha as digitais do Criador (Salmo 19:1-6 e Romanos 1:18-20). Não temos como nos esquecer dele, nem fugir para algum lugar que Ele não esteja (Salmo 139). Então, em vez de fugirmos do Senhor, seria melhor irmos para Ele. Um autor chamado Os Guiness observou que “Deus não é apenas uma pessoa, ele é a pessoa suprema de quem dependem todos os seres humanos, sem falar da própria vida e de toda a nossa existência. É por isso que confiar nele é conhecê-lo, confiar nele é começar a conhecer a nós mesmos. É por isso que o nosso fim supremo é glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre. É por isso também que confiar em Deus na escuridão seja tão difícil, e duvidar de Deus seja tão devastador” (Encontrando Deus em meio à dúvida, p. 10). Aqueles que têm uma aliança com Deus são amados desde antes da fundação do mundo (Efésios 1:3-11) e são atraídos com este eterno amor que nos encontra e dá sentido a nossa vida (Jeremias 31:3). E nada pode fazer com que Deus desista de nós (Romanos 9:31-39). É neste sentido que Jesus promete que “eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20, NVI).

A dor não deveria nos fazer desistir da vida. A Bíblia fala que Deus é soberano e amor. Ele cuida daqueles que têm uma aliança com Ele. Não podemos amaldiçoar, ou falar coisas vergonhas contra Deus e contra as pessoas. Não é sensato desejar coisas ruins contra a nossa vida. Isto apenas aumentaria o nosso problema. Às vezes, pessoas em intensa dor desejam a morte. Mas, o suicídio é uma fuga para a covardia sem retorno. Nunca deveria ser uma opção por mais angustiante que seja o problema! Então, qual deve ser a nossa escolha? É preciso que leiamos a Bíblia e nela encontremos entendimento da vontade de Deus para a nossa vida. O salmista diz “foi-me bom passar pela aflição para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119:71). Na Escritura Sagrada aprendemos o propósito da vida, do sofrimento e de tudo o que acontece conosco.

A verdadeira fé nasce a partir da Escritura Sagrada (Romanos 10:17). A fé é a soma do correto conhecimento de Deus, de concordarmos com toda verdade revelada e de confiarmos nas promessas da Palavra de Deus. Assim, viver pela fé não é viver andando na cegueira da ignorância. A Bíblia nos ordena que “alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:4-7, NVI). Quando temos a mente de Cristo, conseguimos capacitados pelo Espírito Santo, entender a dor, o seu propósito e o se fim para a glória de Deus. Não precisamos duvidar, nem errar na incredulidade, mas vigorosamente crer que o Senhor Deus faz com que tudo coopere para o nosso bem, segundo o propósito de nos tornar capaz vez mais semelhante à Cristo Jesus. Assim, com Cristo sabemos que “dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (Romanos 11:36, NVI).

23 fevereiro 2015

CARTAS AO JOÃO MARCOS – 2

Aprendendo com o sofrimento

Meu amado filho João Marcos

Confesso que nestes últimos dias o meu coração anda com certa medida de tristeza. Entretanto, o Senhor tem me alimentado com a Sua Palavra e confortado com o contínuo cuidado de irmãos. Não tenho desperdiçado do que tem acontecido à nossa família, mas meditado como a boa mão do Senhor tem nos amparado e dirigido.

Vou registrar a história desses dias porque é possível que daqui a alguns anos você não se recorde mais dos detalhes do acidente. A memória dos fatos nos ajuda a sermos gratos. Levamos cerca de dois anos programando um momento oportuno para descansarmos na casa flutuante dos nossos amigos Genésio e Ni, bem como com os nossos amados irmãos Mário Sérgio e família. Chegamos sexta-feira a tarde, almoçamos e fomos pescar. Aquele é um lugar lindo de beleza natural, um ambiente propício para revigorar as forças e ter um tempo de comunhão em família. Tudo ia muito bem, um lugar lindo, a família reunida com amigos, e boa pescaria. O fim de semana prometia ser muito agradável!

Não imaginávamos o que o Senhor tinha reservado para nós naquele início de noite. Você machucou acidentalmente o teu olho com o anzol e a chumbada ao puxar a linhada com que pescava! Você foi homem o suficiente para tirar o anzol do olho e suportou a dor, sem gritos, sem murmurar e nem falar coisas que pudessem desagradar ao nosso bom Deus. Você não demonstrou rebeldia questionando por que Deus deixou acontecer aquele acidente. Suportou a dor e aceitou com contentamento. Confesso que aprendi a admirá-lo ainda mais, e senti uma satisfação muito grande porque o Senhor me deu como filho um verdadeiro homem.

Eu não estava no flutuante no momento do acidente, porque havia saído de barco para pescar com os tios Mário Sérgio, Vinicius e Igor. Quando cheguei mamãe me deu a triste notícia, e fui vê-lo imediatamente. Encontrei você deitado, quietinho, com o olho coberto, e você me disse: “estou bem papai”. Aquela noite foi longa, e pela primeira vez na minha vida tive dificuldades para dormir. Fiquei pensando qual seria a real gravidade e no que poderia acontecer com o teu olho, e se a demora em leva-lo ao médico não prejudicaria ainda mais. Mas, sair naquela hora da noite não seria prudente. Então, restava-nos a opção de esperar amanhecer o dia, e acima de tudo, esperar na providência do Senhor Deus.

Ao amanhecer, bem cedo, fomos levados pelo sr. Genésio até Porto Velho. A viagem durou cerca de duas horas de barco e depois continuamos numa camionete para a cidade. Chegamos ao CEOF [Centro de Oftalmologia] onde com urgência e competência fomos atendidos pelo Dr Valdemar K. Kjaer. No primeiro momento muita coisa era incerta, porque dependíamos de alguns exames, e de como o seu organismo reagiria ao trauma e aos medicamentos. Assim, uma cuidadosa assistência nos foi dada pelo Dr Valdemar e Dr Gustavo que entre o Sábado até a Terça-feira, insistiram em examinar a reação do teu olho em oito diferentes consultas. As piores possibilidades foram pouco a pouco sendo eliminadas, mas uma catarata se desenvolveu, e a pressão do teu olho subiu, de modo a preocupar os médicos. Em uma semana a pressão foi controlada, mas você terá que passar por uma cirurgia por causa da catarata. A nossa incerteza neste momento é quando isso será possível. Infelizmente você não está enxergando com o olho ferido. Embora isso seja um motivo de tristeza, somos gratos ao Senhor e continuaremos orando e confiando nEle.

Dói-me muito vê-lo limitado por não poder viver as coisas próprias de sua idade. Você é um menino muito alegre e cheio de energia. Normalmente você corre, agita-se e gosta muito de futebol, de desenhar e brincar das coisas próprias dos meninos de sua idade. Mas, agora, às vezes, você se entristece por não poder acompanha-los nas diversões, que neste momento são perigosas para o teu olho. Percebo que uma simples conversa acalma a sua tristeza e conseguimos redirecionar a sua agitação para outra atividade. Nestes últimos dias o João Pedro revelou-se num verdadeiro amigo, deixando de divertir com outros meninos, para ficar fazendo companhia para você.

Confiamos na bondade do nosso Senhor Deus. Entregar o nosso coração ao desespero ou ao descontentamos não glorificará ao Senhor, nem servirá como testemunho do evangelho que cremos. Ao meditar no Breve Catecismo de Westminster lemos na pergunta 2 – Que regra Deus nos deu para nos dirigir na maneira de glorificar e gozá-Lo? Então, ele responde que: “A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento é a única regra para nos dirigir na maneira de glorificar e gozá-Lo.” Isto é profunda e extensivamente verdadeiro. Somos fracos e facilmente tentados a ceder à dúvida por causa do sofrimento. Mas, a Escritura nos oferece uma correta cosmovisão para tudo o que ocorre conosco. Existimos para glória de Deus, e o verdadeiro significado de nossa vida está em satisfazer-nos em seus atributos divinos e vontade. O único modo de conhecermos a Deus de modo correto, e entendermos a sua perfeita vontade é pela Escritura Sagrada. Assim, podemos entender o Catecismo de Heidelberg que nos instrui na questão 2. “O que você deve saber para viver e morrer neste fundamento?” E a resposta é: “Primeiro: como são grandes meus pecados e minha miséria. Segundo: como sou salvo de meus pecados e de minha miséria. Terceiro: como devo ser grato a Deus por tal salvação.” Sabemos que a graça do Senhor é melhor do que a vida. Porque uma vida sem a graça não vale a pena ser vivida, por não ter sentido, e por ser atormentada pelo pecado, e o terror da condenação da justa condenação de Deus. Todas as dores, pesares e amargas tragédias que o nosso Senhor nos concede são para estimular a nossa percepção na sua doce graça.

Meu filho, o nosso coração se une ao salmista que declara que “tudo isso nos sobreveio; entretanto, não nos esquecemos de ti, nem fomos infiéis à tua aliança, nem se desviaram os nossos passos dos teus caminhos, para nos esmagares onde vivem os chacais e nos envolveres com as sombras da morte. Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus ou tivéssemos estendido as mãos a deus estranho, porventura, não o teria atinado Deus, ele, que conhece os segredos dos corações? Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.” (Sl 44:17-22). E mais uma vez, reforça que “foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119:71). Somos alimentados com a Palavra de Deus no decorrer destes dias de espera e indecisão, em que somente podemos confiar que o Senhor Deus nos guiará, pois está no controle absoluto, usando pessoas, e preservando sob todo cuidado o nosso coração para amá-Lo acima de todas as coisas.

Assim, em tudo, quer sejam coisas boas ou ruins, alegres ou tristes, temos a inabalável certeza de que somos imutavelmente amados com toda perfeição do nosso Deus. Somos ordenados a amá-Lo acima de todas as coisas, com todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento [Mt 22:37].

23 janeiro 2015

7 razões para ensinar História da Igreja para as nossas crianças

por Jeff Robinson

Pergunte aos meus quatro filhos o que seu pai ama, e eles farão uma classificação no topo da seguinte lista de "Jesus, nossa mãe, beisebol e os Bulldogs Geórgia," pode ser que encontre "pessoas mortas." Por quê? O fato de ensinar História da Igreja, eu acho que é importante que os meus filhos - iniciando desde a tenra idade - entendam a riqueza da fé que eu recomendo a partir da Escritura. (E sim, eles sabem que o herói deste livro voltou dos mortos.)

Presumindo o que eles têm ouvido, os meus filhos podem dizer-lhe algo sobre Lutero, as 95 teses, e uma porta da igreja em Wittenberg. (E eles até sabem pronunciar o "W" como um "V", porque acho que soa como um inseto). Podem dizer-lhe tudo sobre Calvino e seu encontro desagradável com William Farel. Podem dizer-lhe que William Carey é o pai das missões modernas (e provavelmente eles vão lembrá-lo que ele era um batista). Podem dizer-lhe que Spurgeon fumava um charuto ocasional e que um homem com o nome engraçado de Atanásio ganhou o dia numa reunião convocada pelo Concílio de Nicéia (que provavelmente vai ter a data certa demais que é 325 dC). Eles conhecem uma importante batalha que ocorreu numa ponte chamada Mílvia (ou como o meu filho de 6 anos de idade a chama de "Melvin"). E, de fato, eles sabem que aquelas pessoas que aparecem na nossa varanda nos seletos Sábados, tendo em mãos as suas revistas Sentinela, na verdade são os modernos arianos. Eu tinha 30 anos antes de saber tudo isto.

De maneira nenhuma a história da Igreja deve substituir o ensino da Bíblia em sua família. O culto doméstico e a Palavra de Deus deve vir em primeiro lugar em seu lar. Mas são inumeráveis os benefícios de ensinar-lhes algo sobre as figuras-chave e movimentos a partir do rico patrimônio da Igreja. Aqui estão sete razões pelas quais devemos ensinar nossos filhos a história da igreja:

1. Porque eles devem saber que o cristianismo é uma fé histórica. Jesus realmente viveu. Ele morreu. Ele ressuscitou. Ele subiu ao céu. Ele está construindo a sua Igreja, assim como ele prometeu. A história da Igreja testemunha a todos esses fatos, os quais aconteceram e estão ocorrendo no tempo e espaço na história. Eu não quero que eles confundam a história da redenção com Hobbit, As Crônicas de Nárnia, Robinson Crusoé, ou Rapunzel.

2. Porque queremos que eles evitem o esnobismo cronológico. Como C.S. Lewis colocou, novo não significa necessariamente melhor (ou vice-versa). Tal como os seus pais, nossos filhos são constantemente inundados com mensagens de "novas" e "melhores" - versões de 1.1, 1.2, 1.3, e afins. Eu quero que meus filhos saibam que o evangelho não é novo, não pode ser melhorado, e nunca vai mudar. Eles devem saber também que, enquanto não houver uma "idade de ouro" no que diz respeito à história do homem, grandes despertamentos no passado nos conduziram a orar para que Deus fizesse isso de novo.

3. Porque eles devem saber que a Bíblia é algo pela qual vale a pena morrer. Uma das definições simples da história da Igreja eu dou aos meus alunos é "uma batalha pela Bíblia," ou seja, a história da Igreja é um relato da guerra de 2.000 anos entre heresia e ortodoxia, entre interpretações que competem com a santa Palavra de Deus. Eu quero que meus filhos saibam que nossas Bíblias, especialmente as que temos uma tradução em inglês, em praticamente todos os quartos da nossa casa - não tiveram baixo custo. Homens e mulheres foram presos, perseguidos, espancados e mortos para que pudéssemos ler a Bíblia em nossa língua nativa. Eles também arguiram, lutaram, foram perseguidos, e até mesmo morreram, permanecendo firmes sobre a sua ortodoxa interpretação.

4. Porque eles devem saber que a teologia é importante. Eu quero que eles conheçam sobre Agostinho e Pelágio, Calvino e Armínio, Wesley e Whitefield e as diferenças teológicas que os dividiam, e por que tais divisões foram necessárias num primeiro momento. Quero que os meus filhos sejam bons teólogos, conscientes de que todo mundo tem uma teologia e nem todos elas se encaixam com as Escrituras. Eu quero que eles saibam que as ideias têm consequências para o bem e o mal. O apóstolo Paulo teve uma cosmovisão. E o mesmo aconteceu com Hitler.

5. Porque eles devem entender que somos parte da Igreja de Cristo através dos tempos. Nós não somos os primeiros cristãos. E por mais que a minha profunda educação eclesiástica sulista tenha insinuado (principalmente através da música), ao contrário, vovó não foi a primeira cristã. Eu quero que eles saibam sobre a coragem de Atanásio, o martírio de Justino e Policarpo, o brilho de Calvino, as inesquecíveis palavras de Lutero, e a batalha pela Bíblia na minha própria denominação, a Convenção Batista do Sul. Os capítulos finais da vida dos nossos heróis foram escritos, então sabemos como acabou a sua caminhada com Deus, grandes homens e mulheres da história da Igreja produziram excelentes ilustrações de uma fé perseverante (ver Hb 11).

6. Porque queremos que eles saibam que mesmo grandes homens são profundamente falhos. Pintar um quadro completo, tridimensional de seus heróis a partir das páginas da história da igreja - bom, mau e o feio, para lembrar a seus filhos que Jesus foi/é o único homem perfeito. Diga-lhes que alguns grandes líderes espirituais, como o rei Davi no Antigo Testamento fez coisas tolas, um lembrete de que os pecadores são salvos pela justiça de outro. Deus desenha linhas retas em linhas tortas. Talvez essa perspectiva vai ajudar a orientar os seus filhos longe das valas mortais do farisaísmo e do perfeccionismo.

7. Porque incentiva-os a obedecer o nono mandamento. Deturpar a teologia ou, as ideias de outra pessoa é falso testemunho contra elas. Calvino não inventou a doutrina da predestinação. A doutrina do livre arbítrio não foi obra exclusiva de Armínio. Wesley (ambos irmãos Wesley, na verdade) e Whitefield frequentemente correspondiam-se pessoalmente em cartas e sermões, e muitas vezes não tinham condições de se falarem, e não têm quase o tipo "discordo docemente" de relacionamento que são popularmente retratados (veja a excelente biografia de Thomas Kidd com as provas, publicada em 2014). Assim, a caricatura é deturpar. E deturpar intencionalmente é violar o novo mandamento de Deus. Assim, acostume-os a essa idéia em uma idade precoce. Pela graça de Deus, isto pode prepará-los para serem piedosos membros da Igreja.

Então, por onde começar? Felizmente, há nos dias de hoje um excessivo recurso para o ensino das crianças a Bíblia e teologia, mas não muitos para ensinar-lhes história da Igreja. Abaixo estão três recursos que a nossa família considera útil:[1]

1. History Lives: Chronicles of the Church Box Set (Christian Focus) por Mindy and Brandon Withrow. Este é um conjunto de cinco volumes que é perfeito para a leitura de sua família por um longo período de tempo, para um período de um a dois anos, um capítulo a cada noite ou qualquer outra noite. As nossas crianças adoram.

2. Trial and Triumph: Stories from Church History (Canon Press) por Richard M. Hannula. Um excelente panorama dos grandes personagens na história da igreja em um volume.

3. The Church History ABCs: Augustine and 25 Other Heroes of the Faith (Crossway) por Stephen J. Nichols. Leituras breves que conduzem através do alfabeto com os nomes de cada personagem histórico que corresponde a uma carta particular ("E é para Beringelas e Jonathan Edwards").[2] Este volume é colorido e ilustrado por Ned Abetarda.


Escrito em 20 de Janeiro de 2015 por Jeff Robinson.
Jeff Robinson (PhD, do Seminário Teológico Batista do Sul) é um editor de The Gospel Coalition. Ele atua como assistente de pesquisa sênior do Andrew Fuller Center for Baptist Studies e professor adjunto de História da Igreja no Southern Baptist Seminary. Antes de entrar no ministério, ele passou quase 20 anos como jornalista na Geórgia, Carolina do Norte e Kentucky, que cobre tudo, da política à Major League Baseball e SEC Futebol. Ele é co-autor, com Michael Haykin do livro To the Ends of the Earth: Calvin’s Mission Vision and Legacy.[3] Jeff e sua esposa Lisa têm quatro filhos. Eles vivem em Louisville.

Traduzido e notas em 23 de Janeiro de 2015 por Ewerton B. Tokashiki


NOTAS:
[1] Infelizmente não podemos dizer o mesmo que o autor. Há poucos livros infantis que ensinem Bíblia e Teologia em português. Existem Bíblias ilustradas para crianças, mas não tantos manuais introdutórios com metodologia e recursos didáticos planejados para o ensino de crianças. As editoras cristãs no Brasil têm iniciado, mas há uma grande carência de publicar material nesta área. Os livros recomendados pelo autor não existem em português.
[2] O texto original: (“E is for Eggplants and Jonathan Edwards”).
[3] Livro não publicado em português.

27 novembro 2014

Carta para minha filha mais velha

Minha amada Larissa

Hoje é seu aniversário, e gostaria de registrar algumas palavras a seu respeito.

Você se tornou uma jovem cativante. O que mais me alegra é saber que você não atrai recorrendo à sensualidade, algo tão comum entre muitas jovens nestes nossos dias, mas são as suas virtudes que honram a Cristo. De fato, a sua beleza física é percebida, mas não é ela que te enobrece, nem valoriza quem é você. Admiro o seu bom humor e franqueza. Você sabe ser engraçada sem ser vulgar. Acho que isso é um equilíbrio raro entre a sinceridade e a moderação.

Eu e Vanessa te amamos e oramos por sua vida. Tenho-a em meu coração com um santo afeto no Senhor nosso Deus. Também será parte da minha alegria nesta vida vê-la andando na piedade e na comunhão do povo de Deus. Como estou lhe devendo uma carta, está será a que darei alguns conselhos que serão úteis para toda a vida:

1. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Sei que você sabe este verso de cor, e a familiaridade, por vezes, é nossa inimiga. A verdade “tão bem conhecida” corre o risco de ser desvalorizada, não meditada, e por fim, não praticada. O sublime pode se tornar comum, e a riqueza da verdade facilmente desvalorizada pelo nosso orgulho de obter reflexões mais profundas e mais complexas. Todavia, a verdade que alimenta não depende da extensão, da profundidade ou da complexidade de raciocínio, e sim, da fidelidade, do zelo e fiel obediência. O temor do Senhor diariamente nos recorda que tudo na vida precisa nortear-se pela sabedoria do alto. Você sabe que “enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada” (Pv 31:30), e também “como joia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição” (Pv 11:22).

2. Tome cuidado com o seu orgulho. Não seja tola em aparentar uma superioridade sobre as demais pessoas. É verdade que todos temos dificuldade de admitir o orgulho, mesmo porque ele cria em nós um sentimento de autopreservação, que nos impede de assumir publicamente o quão feios somos sem a graça de Deus. Mortifique este perigoso impulso pecaminoso. Nunca se dê por satisfeita, certifique-se de que a sua soberba está dominada pela glória de Cristo. Não se engane este pecado é difícil de matar, porque ele se alimenta de quase tudo, desde simples e inofensivos elogios, do conhecimento adquirido, da posição honrada, até mesmo da vitimização e do sofrimento! Por isso, questione-se constantemente o quão dependente você é do elogio e da aprovação dos outros? Quão preocupada que os outros saibam das suas virtudes e feitos. Como você reage às críticas? O que ocorre dentro do seu coração quando alguém te rejeita? Qual a sua reação quando alguém manifesta orgulho diante de você? O Pr Joel R. Beeke certa vez, num sermão, disse: “Deus odeia o orgulho com o seu coração, amaldiçoa-o com a boca, e pune-o com as mãos.” Parece-me que C.S. Lewis está correto em observar que “todo pecado nos põe contra Deus, o orgulho é um ataque contra Deus. É o mais completo estado de alma antiDeus. A soberba eleva o nosso coração acima de Deus, sem Deus e contra Deus!” Por isso, um cristão orgulho é tão contraditório e estranho como um demônio humilde. Lembre-se do que nos adverte a Escritura “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6), e ainda, “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16:18). Você sabe que uma pessoa soberba é alguém que tem uma alma amarga. A pessoa arrogante é enganada pelo próprio coração (Jr 49:16), tem a mente endurecida (Dn 5:20), enche-se de inimizades (Pv 13:10), e não encontra descanso (Sl 131). Não existe piedade prática sem antes vencermos a presunção de vivermos sem dependermos do Senhor Deus. Medite na humildade e glória de nosso Redentor (Mt 11:29; Jo 13:14-15 e Fp 2:5-11).

3. Alimente-se diariamente com a Escritura Sagrada. Leia o grande livro, medite nele, decore várias e tantas quantas porções for capaz, e siga a recomendação do salmista “de que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119:9-11). A incredulidade é contagiosa e teimosa, e por este motivo deve ser vencida pela verdade que liberta. Ter dúvidas não é um problema, mesmo porque dúvida e incredulidade não é a mesma coisa. A dúvida deve ser um auxílio para a verdadeira fé, quando descobrimos que o misticismo, ou superstição querem adulterar a nossa comunhão com Cristo, então, o conhecimento de Deus nos dá o correto conhecimento a nosso respeito, e da relação que ele requer para o nosso culto racional, renovando a nossa mente. O verdadeiro problema da dúvida é quando ela se torna numa incredulidade rebelde diante da verdade revelada. Nisto penso estar correto o escritor Os Guiness ao declarar que “Deus não é apenas uma pessoa, ele é a pessoa suprema de quem dependem todos os seres humanos, sem falar da própria vida e de toda a nossa existência. É por isso que confiar nele é conhecê-lo, confiar nele é começar a conhecer a nós mesmos. É por isso que o nosso fim supremo é glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre. É por isso também que confiar em Deus na escuridão seja tão difícil, e duvidar de Deus seja tão devastador.” O Senhor Deus dá a sua Palavra como única regra de fé e prática para nos revelar o seu Ser e a sua vontade, e modo como devemos nos relacionar com ele. Sabemos que “toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16-17). J.I. Packer comenta que a Escritura “manda que transformemos cada verdade aprendida sobre Deus em assunto de meditação diante de Deus, conduzindo-nos à oração e ao louvor a Deus.” De modo similar Charles H. Spurgeon disse que “não conheço coisa que possa confortar mais a alma, acalmar as ondas da tristeza e da mágoa, pacificar os ventos da provação do que uma meditação piedosa a respeito da Divindade”. Se quisermos algo que satisfaça a nossa mente devemos alimentar com pensamentos da glória de Deus. Jeremias registra que “assim diz o SENHOR: não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas cousas me agrado, diz o SENHOR” (Jr 9:23-24).

Deus a abençoe e a faça bela, na beleza da sua santidade.

Em Cristo,
Ewerton

19 março 2014

Minha filha, agrade a Deus com as tuas tarefas

Porto Velho, 19 de Março de 2014.

Minha amada Rebeca

As palavras quando faladas são facilmente esquecidas. Eu sei disso, e por isso tomo nota, rascunho e escrevo, porque senão, perco muito do que é importante da vida. Sei que algumas características da sua idade [8 anos] como a agitação, a pressa e a impaciência reforçam a desatenção. O perigo do descuido está sempre próximo! Percebo que não poucas vezes que as tarefas realizadas, precisam ser corrigidas, e refeitas por simples falta de atenção. Filha da minha alegria, leia, releia e guarde no teu coração, o que de modo bem simples e prático vou te ensinar, para que você possa ser feliz em tudo o que fizer.

Aprendi cedo com a vovó que a pressa é inimiga da perfeição. Quando criança, e na sua idade, eu era como você, um tanto que apressado, agitado e impaciente. Eu gostava de fazer tudo rápido para ficar livre, e assim poder brincar, desenhar ou assistir TV. Mas, a vovó Leni sempre gostou de tudo limpinho e arrumado, e olhava cada detalhe da tarefa e se foi bem realizada. Se ela encontrasse alguma coisa que não fosse do seu agrado, eu teria que fazer de novo! Com isto aprendi que não vale a pena fazer mal feito. Há uma regra que suaviza a vida: faça o que tem que ser feito, e faça bem feito. E por que fazer? Porque é para a glória de Deus! Não podemos fazer uma tarefa só pra nos livrarmos da obrigação, ou para terminar logo, ou ainda para que sejamos elogiados. O motivo é simples, mas, o mais excelente: agradar a Deus com o nosso trabalho!

Por que você deve fazer tudo da melhor forma possível? A minha aprovação e os elogios de sua mãe não devem ser os ídolos do seu coração. Se você se esforçar por melhores notas, ou em executar os seus deveres domésticos, ou ainda em fazer qualquer coisa simplesmente para ter a admiração e aprovação das pessoas, saiba que você está vergonhosamente pecando contra Deus! Você deve fazer todas estas coisas, e fazê-las muito bem, mas o alvo é agradar a Deus. Se tudo o que você começar, desenvolver e terminar tiver a sincera intenção de agradar ao Senhor, certamente que conseguirá aprender muito mais na escola. Do mesmo modo, se em cada tarefa em casa houver o esforço de glorificar a Deus, os resultados serão melhores. Mesmo que a sua mãe não veja, saiba minha filha, Deus que está vendo, e se alegrando com a sua santa obediência. Não estou educando você para que seja hipócrita, e sim, alguém que teme ao Senhor. Não se esforce no que faz apenas quando vemos, mas tenha o mesmo cuidado quando estivermos ausentes. Assim, que cada motivo do teu coração se movimente gritando: é somente para a glória de Deus!

A mamãe está treinando você para que seja uma boa esposa. Observe como ela limpa e zela dos móveis, colocando em harmonia os detalhes que fazem toda a beleza e conforto de nossa casa. Veja com que carinho prepara a nossa comida. Uau, como é saborosa! Você já parou para avaliar o precioso tempo que a mamãe dedica para ver o que você e seu irmão estudaram na escola, e os ajuda na realização das tarefas? Tenho prazer de ir pra casa, e sempre que estamos juntos o nosso lar é uma satisfação pra mim, porque a mamãe é responsável de me auxiliar e ela o faz com virtude e excelência! Oro ao Senhor que você aprenda e seja uma esposa submissa e afetuosa, como a sua mãe o é para mim.

Vou explicar a você quais são as nossas convicções sobre a importância do trabalho. É nisto que cremos e esta verdade governa o nosso lar.

O Deus que tem um pacto da graça com a nossa família faz tudo muito bom! A Escritura nos revela que Ele poderia, pelo poder de sua palavra, criar tudo de uma só vez, mas, propositalmente, Ele decidiu criar por etapas. Dividiu em dias, e em cada dia organizou da melhor forma, tudo perfeito e santo, como o nosso Senhor nos ensina a fazer. Primeiro Ele criou o ambiente, o lar e a comida, e depois ele criou as aves, os peixes, os animais e, por último, Deus criou o homem e a mulher, a sua imagem, para que fossem como Ele e cuidassem e governassem toda a criação.

Ainda podemos pensar que Deus tem o controle de tudo, segundo a sua providência. Cada detalhe do universo, desde os micróbios até os grandes corpos celestiais no universo estão sob o seu perfeito governo. Quando penso que o nosso Senhor Deus arruma tudinho tão organizado, e cada detalhe está bem encaixado, funcionando da melhor forma, e que até as moléculas dos átomos se movem sob os seus cuidados, sinceramente, eu fico admirado e sinto vontade de adorá-lo, e me sinto seguro, porque nada foge do seu controle.

Jesus trabalhou duro para cumprir a vontade do Pai. Não se esqueça de que o nosso redentor Jesus cumpriu plenamente as exigências da Lei de Deus. O nosso amado Salvador satisfez ativa obedecendo, e passivamente sofrendo, tudo o que a Lei ordena. Cristo Jesus, em nada pode ser acusado de descuido, ou de erro! Ele mereceu aceitação com justiça perfeita. Mencionando o nosso Senhor Jesus, não estou sugerindo que você tenha que obedecer perfeitamente como Ele obedeceu para merecer a salvação. A salvação é confiando na justiça de Cristo, que nos torna aceitáveis pela graça, reconciliados com o Pai. Lembre que o Amado de nossa alma nasceu no tempo certo, começou o seu ministério como o Pai quis, e cada detalhe do seu trabalho foi realizado conforme estava prescrito nas Escrituras. O nosso Senhor não fez só o que era suficiente, Ele o fez perfeito em nosso favor! Agora somos perdoados e amados pelo Pai, porque o trabalho de Cristo nos reconcilia com Ele.

Em resumo, quero que você pense em duas ideias aqui. Primeiramente, que você deve fazer cada tarefa e cumprir com responsabilidade os teus deveres, porque somos a imagem de Deus, e temos que “cuidar e governar o jardim”. É verdade que desde Adão até hoje as nossas tarefas se avolumaram, e por isso mesmo carecemos realizar os nossos afazeres com mais cuidado, mesmo porque a maldade e pecado também aumentaram! Vigie o seu coração quanto aos motivos que te movem a fazer qualquer coisa. O fazer e a sua qualidade devem ser regidos pelo temor do Senhor, fazendo para a sua glória. Execute o seu trabalho com alegria, com cuidado, observando os detalhes, aperfeiçoando cada vez mais, porque a sua satisfação em ver o bom resultado glorificará a Deus. Lembre-se quanto mais estivermos satisfeitos em Deus, mais Ele será glorificado em nós!

Em segundo lugar, se for encontrado defeito no que você faz, não espere ser corrigida, mas se for, não seja melindrosa com a repreensão. Pelo contrário, seja sempre ensinável e aceite a autoridade, ou a experiência de quem sabe. Lembre-se o errado, o sujo, o defeituoso como resultado do nosso trabalho, não glorifica a Deus. Arrependa-se e, se necessário peça perdão, corrija e reinicie para cumprir com excelência as suas atividades. Não somos perfeitos, mas estamos sendo santificados pelo Espírito Santo.

Do papai, que recebe a sua preciosa ajuda.

08 março 2014

Não é feliz "o Dia da Mulher"

Hoje dentro do politicamente correto comemoramos "o dia da mulher". Em vez de comemorarmos o "dia da mulher" seria maravilhoso voltarmos a perspectiva bíblica: a unidade da família e não a fragmentação do indivíduo, quer seja o homem, ou a mulher. É neste sutil, mas desastroso ponto que o Movimento Feminista está ganhando terreno e promovido por uma mentalidade anti-família, ou propondo novos e estranhos modelos de família, que contrariam frontalmente o ensino das Escrituras!

Numa crítica ao movimento feminista de seus dias, ainda no nascedouro, B.B. Warfield analisa um dos seus pressupostos e, declara que
talvez, devesse acrescentar um esclarecimento do último ponto para que se faça a diferença entre Paulo e o movimento feminista de hoje [1919], que está arraigado numa diferença fundamental em suas perspectivas em relação à constituição da raça humana. Para Paulo, a raça humana é composta de famílias, e todos os diversos organismos – inclusive a igreja – estão compostos de famílias, unidos por este, ou outro vínculo. Portanto, a relação dos sexos na família continua na igreja. Para o movimento feminista a raça humana é composta de indivíduos; uma mulher é simplesmente outro individuo comparado ao homem, e não podemos considerar nenhum motivo para que existam diferenças ao tratar os dois. Se não podemos ignorar a grande diferença fundamental e natural dos sexos, e destruir a grande unidade social fundamental da família a favor do individualismo, parece não existir razão para que devamos eliminar as diferenças estabelecidas por Paulo entre os sexos na igreja; exceto, se supor-se, a autoridade de Paulo. Em tudo isto, finalmente, retornamos a autoridade dos apóstolos, como os fundadores da igreja.[1]

Fragmentar e aceitar o individualismo feminista, que promove a mulher em detrimento da família, não é uma ideia feliz. Assim, apenas sendo coerente e fiel ao ensino das Escritura Sagrada: FELIZ DIA DA FAMÍLIA!

NOTA:
[1] B.B. Warfield, Paul on Women speaking in Church in: John W. Robbins, ed., The Church Effeminate (Unicoi, The Trinity Foundation, 2001), p. 215.

11 fevereiro 2014

Ensinando o Breve Catecismo de Westminster para crianças

Ensinar crianças é algo maravilhoso. É participar de sua formação. Penso que devemos estudar com elas o Breve Catecismo de Westminster, porque ele foi preparado para crianças, e elas são aptas para aprender o seu conteúdo. Aqui ofereço algumas sugestões bem práticas de como preparar uma simples aula para nossas crianças. Estas sugestões se aplicam para professores que lecionam para a faixa etária de 7 a 9 anos [a turminha do "eu já sei ler"]:

1. Comece fazendo uma revisão da aula da anterior. Mesmo que quem lecionou seja outra pessoa, isso é necessário, por 2 motivos: 1) as perguntas do Breve Catecismo possuem sequência lógica e deve haver a construção didática na memória das crianças. 2) descubra o que eles aprenderam, e como a sua aula somará no conhecimento adquirido deles, progredindo com novas informações.

2. Memorização da pergunta/resposta do Breve Catecismo que será o tema de estudo da aula. Eles conseguem e devem ser incentivados a memorizar a pergunta e resposta. Se cada um aluno tiver o seu próprio Breve Catecismo é o ideal, senão, escreva no quadro, ou numa cartolina, ou use de forma dinâmica o data show!

3. Escolha sempre 1 versículo bíblico que resuma a sua aula. Veja que o próprio Breve Catecismo tem vários versículos chaves em cada pergunta/resposta. É só escolher 1 que melhor se encaixe com a sua aula.

4. Elucidação da pergunta/resposta do Breve Catecismo. É aqui que entra a lição e explicação da perg/resp do BC. Você pode fazer isto:
4.1. Explicando cada parte da resposta do BC;
4.2. Contando uma história bíblica ou moral;
4.3. Assistindo um breve vídeo ou desenho [no máximo 15 minutos] e conversando sobre ele depois;
4.4. Fazendo uma atividade lúdica [boneco, recortes, pintura, artesanato, etc.]

5. Aplicação da lição. Aqui algumas perguntas devem ser respondidas:
5.1. O que esta perg/resp quer dizer mesmo? Realmente entendi?
5.2. Como viverei esta verdade?
5.3. Como praticar esta verdade em casa?
5.4. Como praticar esta verdade na escola?
5.5. Como praticar esta verdade na igreja?
5.6. Como praticar esta verdade no esporte?
5.7. Como praticar esta verdade com meus amigos?
5.8. Como posso ensinar esta verdade pra outras pessoas?
5.9. O que não posso fazer que contradiz essa verdade?
5.10. O que posso fazer para ser melhor com o que aprendi?

Espero que estas orientações ajudem a preparar a nossa aula com zelo pela verdade, fidelidade ao Senhor e amor aos nossos pequeninos.

26 janeiro 2014

Minhas filhas, que tipo de marido vocês querem?

Tenho duas filhas: Larissa e Rebeca. A primeira não é nascida de mim, mas teve o seu nascimento dentro do meu coração, e a minha outra filha e mais nova, fruto do meu casamento com a minha esposa. Como pai que se preocupa com o seu futuro, e que tem procurado participar de sua formação, educação e oro diariamente para que o Senhor preserve-as em Sua graça, na Aliança de Cristo, importa-me e muitíssimo com quem elas se casarão.

De modo breve, mas não artificial, desejo compartilhar alguns pensamentos sobre indispensáveis princípios que espero que elas observem, e busquem para acertar na escolha de seus maridos, no temor do Senhor. Atentem: vocês devem procurar HOMENS DE DEUS.

Eles precisam ser "HOMENS de Deus". Devem ser homens com dignidade, com iniciativa de liderança, que nutrirão a sua esposa e protegerão em toda circunstância. Não podem ser covardes, nem meninos inseguros ou imaturos, nem instáveis em suas opiniões e objetivos.

Vocês precisam escolher "homens DE Deus". Eles devem viver o padrão procedente DE Deus. Não podem ser "da" impiedade ou da imoralidade secularizada desta sociedade corrompida e sem temor DE Deus. Se eles não tiverem a mente DE Cristo não servem para casar com moças que amam a Deus.

E, por último, mas não menos importante, eles precisam ser "homens de DEUS". Deus deve ser o seu Senhor, o seu Guia, o seu Salvador, deve ser Aquele a quem se submetem, a quem buscam, e amam acima de todas as coisas. Estes homens não podem ser indiferentes com os seus pecados, pois eles, em todo momento, estão diante de Deus. Eles se preocupam com a sua santidade, vida de oração, em alimentar-se com a Palavra de Deus, e uma vida de comunhão com Deus e o seu povo. Eles não devem ser conhecidos pela sensualidade, linguajar obsceno, nem lascívia, mas pelo seu temor ao Senhor.

Há muito mais o que dizer, mas, inicialmente estes critérios ajudarão no discernimento da vontade de Deus. E continuo orando, e supervisionando os meus tesouros. Em Cristo.

12 dezembro 2013

Discurso de formatura do João Marcos

Este discurso será lido pelo João Marcos como orador da sua turma durante a solenidade de formatura do primeiro ano do Ensino Fundamental. É uma imensa alegria vê-lo lendo! Escrevi o texto do discurso e sinceramente estou ansioso em vê-lo discursando hoje a noite.


Boa noite amados pais, queridos parentes e amigos

Estamos reunidos neste momento solene para agradecer o privilégio de sabermos ler. Deus usou algumas pessoas para que isso fosse possível: a diretora Terezinha Santana pelo seu cuidado, zelo e verdadeira preocupação conosco. Somos devedores da nossa professora Alessandra Nunes por participar da formação da nossa cidadania! Também reconhecemos a nossa dívida com todos os funcionários da Escola Presbiteriana XV de Novembro que nos receberam, amaram e cuidaram de nós neste ano de 2013.

Hoje somos pequeninos leitores, consumidores do conhecimento e amantes da verdade. Somos crianças que sinceramente desejam um próspero futuro para Porto Velho e Rondônia. Estamos vencendo ao saber ler e queremos aprender a pensar para crescer com o nosso Brasil.

Sabemos que a educação é importante, mas não é suficiente. Todos carecemos da benção de Deus. Somente o temor do Senhor nos dá sabedoria. A Escritura Sagrada nos ensina que somente temos comunhão com Deus através de Jesus Cristo, o nosso Senhor. Por isso, tudo o que fizermos, tudo o que ganharmos, todas as nossas amizades, e toda a vida, sejam somente para a glória de Deus!

Agradecemos por seu cuidado conosco. Aprendemos a andar, mas a caminhada é longa, e por isso, reconhecemos que precisamos de sua companhia. Muito obrigado porque podemos confiar nos senhores. Queremos que Deus sempre nos abençoe, amém.

14 outubro 2013

CARTAS AO JOÃO MARCOS – 1

~ Como glorificar a Deus com a sua vida ~


Meu amado filho João Marcos


Decidi escrever para instruí-lo no temor do Senhor. O meu desejo é que você aprenda em toda a vida como glorificar a Deus. O Senhor me deu um homem e sei que preciso treiná-lo com a autoridade da Escritura Sagrada, porque sabemos que ela é a nossa única fonte de regra de fé e prática. É verdade que também poderemos recorrer à sabedoria preservada nos catecismos da nossa herança reformada, pois neles encontraremos alimento da Palavra de Deus que tem nutrido gerações de homens fortes, que com a sua vida e em sua morte temeram e glorificaram a Deus. Por isso, usaremos tanto o Breve Catecismo de Westminster, como o Catecismo de Heidelberg em nossas cartas, certamente isso será muito proveitoso.

Em nossas conversas temos lembrado que “o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. Dia a dia essa verdade é o alimento para a nossa comunhão com Deus. Quão importante é guardar e entende-la com sabedoria. Medite sempre nisto: glorificar a Deus é algo precioso que enobrece um homem. Todas as nossas ações devem se mover com a intenção de que a santidade de Deus esteja presente nelas. Assim, quando você brincar com seus amigos, ou estiver assistindo um desenho, estudando na escola com seus colegas, navegando na internet, lendo um livro, reunindo-se com os irmãos nos cultos, ou fazendo qualquer outra atividade - tudo deve ser com a finalidade de amar mais e mais ao nosso Deus. Precisamos fazer o melhor para Ele, reconhecendo que tudo Lhe pertence. Viver diante de Deus é muito mais do que saber que Ele a tudo conhece e está em todo lugar, é também temer ofendê-Lo com o nosso pecado, e deste modo, deixando de viver a beleza da Sua santidade.

Existimos somente para glorificar a Deus! Você foi criado por Deus, e em todo momento e tudo o que acontece está sob o cuidado de sua mão invisível. Ele é o Senhor e governa todas as coisas para glorificar o seu precioso Nome. Ele lhe deu inteligência, saúde, dons, e um lar para crescer de modo saudável. Você tem o privilégio de desde a sua meninice conhece-lo com a sã doutrina da Escritura e servi-lo, isso é a maravilhosa providência de Deus sobre a sua vida! Você tem pais que creem e amam ao Senhor. Você é membro de uma igreja que zela pela fiel pregação da Palavra de Deus, da correta administração da Ceia do Senhor e da amorosa aplicação da disciplina na vida dos filhos de Deus.

Aos 6 anos você sabe ler e isso é algo riquíssimo, porque você pode ler, agora mesmo, o que escrevi para você! Estou reafirmando a você por escrito, o que conversamos diariamente. Então, você sabe que intencionalmente deve sempre glorificar a Deus. Sinceramente deseje que todo sucesso, prosperidade, ou admiração que você venha a ter, seja uma forma de verem que Cristo é o Senhor de sua vida. Mas se a providência de Deus quiser usar a dor, as perdas, ou toda sorte de sofrimento, nunca se entregue ao desespero, nem amaldiçoe ao nosso Redentor, pelo contrário lembre-se: qual é o seu único conforto, na vida e na morte? Tenha em seu coração e confesse diante das pessoas a firme convicção: “o meu único conforto é meu fiel Salvador Jesus Cristo. A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte, e não pertenço a mim mesmo. Com seu precioso sangue Ele pagou por todos os meus pecados e me libertou de todo o domínio do diabo. Agora Ele me protege de tal maneira que, sem a vontade do meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo. Além disto, tudo coopera para o meu bem. Por isso, pelo Espírito Santo, Ele também me garante a vida eterna e me torna disposto a viver para Ele, daqui em diante, de todo o coração.” A sua vida pertence ao Senhor, e ela deve levar as pessoas a obedecer à Palavra de Deus sob sua influência, e conhecer ao Salvador a quem você serve.

13 novembro 2012

Vamos quebrar tudo?

Há uma música sertaneja cantada por Gilberto e Gilmar em que eles repetem no refrão “vamo quebra tudo, vamo, vamo. Vamo quebra tudo!” Mesmo sendo uma música engraçada ela nos faz pensar em como as pessoas tendem a destruir o que tem ou o que usam. Isso evidencia a sua tendência para o mal. Somos inclinados por natureza para coisas ruim. Parece ser o que a Bíblia ensina quando diz: “como está escrito: não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Rm 3:10-18). Precisamos ter temor do Senhor para não sermos dominados pela nossa tendência má e destruidora.

Quem preserva, sempre tem. Você já observou que alguns objetos parecem ser descartáveis, dá até vontade de perguntar: por que a sua duração se tornou tão limitada? É verdade que antigamente algumas coisas, como os eletrodomésticos, demoravam estragar, e ainda assim, as pessoas zelavam para que não dessem defeito, e faziam isso usando de modo correto e limpando após o uso e guardando imediatamente. Mas a cultura do “estraga logo, que quero comprar outro novo, e mais moderno” está dominando a nossa mente. Esse pensamento nos leva ao relaxo, e a não valorizar o que temos. E isso é ruim! Pessoas gastam mais e tem menos. Por isso, quem preserva sempre tem, e isso é uma verdade que não se pode negar.

O que você usa hoje, possivelmente precisará de novo amanhã. Aqui em nossa igreja você já deve ter encontrado algo que está estragado. Alguém não pensou em você, nem nele mesmo, e muito menos na glória de Deus. O uso dos bancos, livros, armários, banheiros, bebedouro, objetos e móveis da cozinha, o equipamento de som, e etc, não são descartáveis. A Bíblia nos instrui que devemos preservar o que temos com inteligência porque não sabemos o dia de amanhã: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” (Eclesiastes 11:1-2). Cuide, poupe, não desperdice, não estrague e assim preserve e sempre terá.

Assim, permita-me dar algumas dicas bem práticas. Ensine o seu filho a não bater, nem danificar os brinquedos, os bancos, ou nos demais móveis de modo que estraguem. Seja você mesmo exemplo. Cada objeto tem o seu uso correto e nenhum deles funciona por meio da pancada ou da violência, ou ainda da sujeira. Não desperdice o que lhe é dado use somente o necessário. Não tenha aquela ideia errada de que “a gente pode estragar porque se precisar compra outro”, lembre-se: é para o nosso uso e de outras pessoas que também precisarão! Lembre-se “quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Co 10:31).

Dicas para ensinar crianças a participar do culto com a família

por  Lindsey Stomberg   Aqui estão algumas dicas que reuni ao longo dos anos, tanto de outras famílias grandes quanto da minha própria exper...