21 setembro 2007

Por que somos presbiterianos? - 4

Cremos que o presbiterianismo não é meramente uma parte importante do Cristianismo. A fé reformada é um conjunto de verdades que formam um sistema que modela influentemente a vida dos presbiterianos. Este conjunto de doutrinas sistematizadas são chamadas de Calvinismo. Entretanto, não podemos cair no engano de pensar que ele é um sistema doutrinário útil somente para a religião. Calvinismo é uma cosmovisão! Ou seja, toda a nossa visão de mundo é definida pela nossa convicção bíblica. Isto significa que toda a nossa interpretação de cada experiência que temos com Deus, conosco, com o próximo e tudo o que existe é resultado das nossas convicções.

O Calvinismo é um sistema de vida tão completo que é suficiente para modelar cada esfera da sociedade. Quando falamos em Calvinismo não podemos nos limitar a pensar em religião. O teólogo e estadista holandês Abraham Kuyper palestrando na Univerdade Princeton declarou que "não há um só lugar no Universo, onde Cristo não possa colocar o seu dedo e dizer: 'isto é meu'". Tudo pertence a Deus e Ele soberanamente é Senhor sobre tudo, não apenas a nossa religião, mas a política, a economia, a ciência, a arte e todas as demais esferas da sociedade devem ser submetidas aos preceitos de Deus. Por isso, não podemos viver dois estilos de vida: uma enquanto crente e, outra como uma vida secular. Somos servos de Deus, e onde estivermos, em nossas atividades e relações devemos manifestar uma mentalidade calvinista.

Como um sistema de pensamento o Calvinismo tem forjado indivíduos com um estilo vigoroso de vida, como também tem modelado culturas inteiras. Todos os países que aderiram a Reforma no século 16, sem excessão, se tornaram grandes potências mundiais! Coincidência? Claro que não! O erudito alemão Marx Weber ficou tão impressionado em perceber esta verdade, que em sua obra "A ética protestante e o espírito do Capitalismo" descreveu como a convicção teológica dos calvinistas produziu o seu desenvolvimento social. Mas o Calvinismo somente prospera por causa da sua obediência ao ensino da Escritura Sagrada, que é aplicada a todas as necessidades do ser humano, debaixo da dependência do Senhor. A nossa preocupação não é apenas com a alma e a vida eterna, mas em suprir todas as necessidades do ser humano, oferecendo uma dignidade presente que o pecado rouba e que gera a miséria em todas as esferas da vida.

15 setembro 2007

Por que somos presbiterianos? - 3

"Eu sei em que tenho crido!" Esta deve ser a postura de todo membro presbiteriano. Para que esta convicção seja possível, temos diversos recursos para capacitar e treinar os nossos membros, como por exemplo, o discipulado, os grupos familiares, a classe de Catecúmenos, a Escola Dominical, estudos durante a semana de doutrina, literatura diversificada, sites, etc. Cada membro tem a oportunidade de conversar com o seu pastor e esclarecer as suas dúvidas.

Não somos uma denominação confusa, nem sem identidade. Desde o século 16, a nossa história tem testemunhado, em períodos, lugares e circunstâncias diferentes que o nosso Deus levantou servos zelosos e fiéis com a verdade e a pureza da Igreja para que lutassem pela fé que foi entregue aos santos (Jd vs.3). Somos Calvinistas. Entretanto, não podemos cair no erro de pensar que somos limitados ao ensino de um único homem. O reformador francês João Calvino nunca teve a intenção, nem permitiu que se criasse uma denominação com o seu nome. Mas, o seu nome foi emprestado à um sistema doutrinário que possuí características que diferem de outros sistemas doutrinários dentro do Cristianismo. Calvinismo é o sistema que "repousa sobre uma profunda apreensão de Deus em Sua majestade, com a inevitável e estimulante realização da exata natureza da relação que Ele sustenta na criação como ela é, e em particular, na criatura pecadora. Aquele que crê em Deus sem reservas, está determinado a deixar que Deus seja Deus em todos os seus pensamentos, sentimentos e volições - em inteiro compasso das suas atividades vitais, intelectuais, morais e espirituais, através de suas relações pessoais, sociais e religiosas" (B.B. Warfield, Calvin and Calvinism in: Works, vol. 5, pp. 354).

A nossa liderança não pode instruir os seus membros conforme as suas predileções pessoais, nem movidos pela moda doutrinária do momento. O nosso princípio básico orientador é: a Escritura Sagrada é a nossa única regra de fé e prática. Os pastores e presbíteros devem ser fiéis ao sistema doutrinário e governo presbiteriano. O direito que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem de determinar as qualificações dos candidatos a cargos eclesiásticos e de requerer-lhes fidelidade é constitucional, moral e bíblico. Por isso, quando alguém anseia tornar-se um ministro ou oficial presbiteriano, ele deve prestrar solene juramento público, requerendo-lhe conhecimento, entendimento, obediência e compromisso com a nossa identidade reformada.

A família presbiteriana e reformada no mundo está unida pela adoção dos padrões doutrinários de Westminster. Entre 1643 à 1646, se reuniu em Londres a Assembléia de Westminster, que foi um grupo com mais de 120 teólogos e líderes que vieram de diversas partes do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda) e visitantes de outros países de confissão Calvinista. Este grupo dividiu-se em comissões e travaram em minunciosos debates, produzindo documentos doutrinários coerentes, precisos, concisos e vigorosos. Estes textos são conhecidos como os Padrões de Westminster: a Confissão de Fé e Catecismos Breve e Maior. Estes livros são usados como referência confessional, recurso de discipulado, treinamento de novos membros e devocional para o culto doméstico, em que cada família pode nutrir o seu lar com sã doutrina.

Além dos textos originais algumas sugestões de leituras adicionais poderão auxiliar o estudo dos nossos Padrões Doutrinários. Estes são comentários expositivos dos símbolos de Westminster publicados pela Editora Os Puritanos:
1. A.A. Hodge, Confissão de Fé de Westminster Comentada, págs. 596;
2. Johannes G. Vos, Catecismo Maior de Westminster Comentado, págs. 656;
3. Leonard T. van Horn, Estudos no Breve Catecismo de Westminster, págs. 198.

Aqueles que desejarem realizar um estudo do nosso sistema de doutrina pode adquirir bons livros da nossa Editora Cultura Cristã ou da Editora Os Puritanos. Sugiro o acesso ao site calvinista: http://www.monergismo.com/ .

13 setembro 2007

Meu protesto contra a decisão do Senado

Não dá prá agüentar a desenfreada, estúpida e descarada corrupção que a política brasileira promove. É simplesmente revoltante ter que assistir a absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), diante de tantas evidências, das mais absurdas até as mais hilárias.

Se quiserem é possível ler e assistir a bisonhice da imoralidade. Infelizmente, diante deste ato político, tenho que engulir a vergonhosa acusação de que o nosso Brasil, é o país da impunidade.

Minha oração é que o Senhor Deus tenha misericórdia do nosso país!

05 setembro 2007

Por que somos presbiterianos? - 2

A fiel pregação da Palavra sempre foi uma expressiva característica das Igrejas herdeiras da Reforma do século 16. Por isso, o culto presbiteriano estrutura-se com sólida base nas Escrituras, cheio de interpolações da Escritura [leitura, cânticos e hinos, exposição, etc.], e para a pregação da Escritura. Deus deve falar com o Seu povo, enquanto este O adora com sincera devoção.

Manejar bem a Palavra da verdade tem sido uma referência dos crentes presbiterianos. Temos como alvo o preparo para sabermos dar razão da nossa fé! Os novos movimentos de doutrina, que vêm e vão, e deixam estragos nas igrejas evangélicas, pouco afetam o nosso meio, pois todo ensino estranho à Escritura é rejeitado e abominado com vigor. Olhamos com desconfiança e cautela o espírito de inovação e modismo, todavia, reconhecemos a necessidade de discernir os tempos e aceitar as mudanças necessárias, sem abandonar a nossa essência. Cremos que podemos ter unidade no essencial, liberdade no não-essencial e amor em tudo.

Mantemos a boa preocupação de termos pastores teologicamente bem treinados. Homens com vida piedosa e conhecimento que com amor e zelo, pastoreiem o rebanho de Cristo. Esperamos no Senhor o cumprimento da promessa de que "dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência" (Jr 3:15). Pastores que saibam aplicar as Escrituras à todas as questões da vida com profundidade, coerência e fidelidade. Saibam nutrir as ovelhas, e não se preocupem em entreter os bodes.

A Escritura deve ser corretamente manejada com as mãos, entendida com a mente e guardada no coração. O nosso tema é: a única regra de fé e prática é a Escritura. A Palavra de Deus instruí todas as coisas necessárias para a salvação. Assim, tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação. Cremos que somente a Escritura Sagrada é autoridade absoluta, definindo as nossas convicções doutrinárias, pois é onde encontramos a verdadeira sabedoria que rege as nossas decisões, e molda o nosso comportamento, como também determina a qualidade dos nossos relacionamentos. Somente obedecendo a Escritura Sagrada poderemos glorificar a Deus.

19 agosto 2007

Nasceu o João Marcos!

Completas as 39 semanas nasceu o nosso filho, João Marcos Pereira Tokashiki. Graças a Deus ele é saudável, é um lindo garoto loirinho e com leves traços nipônicos. Estamos muito felizes e sabemos que ele é filho da Aliança. Em breve estaremos consagrando este pequenino pelo batismo e confirmando a sua participação na comunidade pactual com o Senhor Deus.

10 agosto 2007

Por que somos presbiterianos?

Neste mês, nós presbiterianos brasileiros, estamos comemorando 148 anos. O primeiro missionário presbiteriano, Rev. Ashbel Green Simonton deixou os EUA, em 18 de Junho de 1859,
embarcando no navio “Banshee” rumo ao Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro, em 12 de Agosto de 1859, com 27 anos de idade. Em 9 de Dezembro de 1867, o Rev. Simonton morreu em São Paulo de febre amarela (?) aos 34 anos, deixando implantado em nosso amado país, a semente do evangelho de Cristo e o início da Reforma protestante.

Estudaremos a partir de hoje em nossos boletins algumas informações teológicas e históricas respondendo à questão: por quê somos presbiterianos?

O nosso sistema de governo presbiteriano significa que somos regidos pelos presbíteros. Não somos congregacionais (onde todos decidem pelo voto direto), nem episcopais (onde apenas um superior decide sobre os demais), mas somos uma igreja democrática que é representada pelos presbíteros escolhidos pela igreja local. A base do nosso governo é que o concílio é soberano.

Estes são os princípios doutrinários do nosso sistema de governo: 1) Cristo é a Cabeça da sua Igreja e a Fonte de toda a sua autoridade. Esta autoridade encontra-se escrita na Escritura, de modo que, todos têm acesso ao seu conhecimento. 2) Todos os crentes devem estar unidos entre si e ligados diretamente a Cristo, assim como os diversos membros de um corpo, que se subordinam à direção da cabeça espiritual. 3) Cristo exerce a sua autoridade em sua Igreja, por meio da Palavra de Deus e do seu Espírito. 4) O próprio Cristo determinou a natureza do governo da sua Igreja. 5) Cristo dotou tanto os membros comuns como aos oficiais da sua Igreja com autoridade, sendo que os oficiais receberam adicional autoridade, como é requisito para realização dos seus respectivos deveres. 6) Cristo estabeleceu apóstolos como os seus substitutos, entretanto, eram de caráter transitório. O ofício apostólico cessou, mas a sua autoridade é preservada pelos seus escritos, isto é, o Novo Testamento. 7) Cristo providenciou para o específico exercício da autoridade por meio de representantes (os presbíteros), a quem separou para zelar da preservação da sã doutrina, fiel adoração e disciplina na Igreja. Os presbíteros têm a responsabilidade permanente de pastorear a Igreja de Cristo. 8) A pluralidade de presbíteros numa igreja local é a liderança permanente até a segunda vinda de Cristo.

06 agosto 2007

Sofrimento providencial

Hoje completa 62 anos da explosão da bomba atômica na cidade de Hiroshima. A Little Boy (garotinho) foi lançada sobre a cidade na manhã do dia 6 de agosto de 1945, a sua potência correspondia a 20 mil toneladas de dinamite. A explosão provocou um calor de cerca de 5,5 milhões de graus centígrados, similar à temperatura do Sol.

O bombardeio matou instantaneamente cerca de 130 mil pessoas. Uma das maiores cidades do Japão, tinha na época cerca de 325 mil habitantes. Prédios sumiram com a vegetação, transformando a cidade num deserto. Numa distância de 2 km, a partir da área sobre a qual a bomba explodiu, a destruição foi total. Milhares de pessoas foram literalmente desintegradas. A bomba também afetou seriamente a saúde de outros milhares de sobreviventes. A grande maioria das vítimas era formada pela população civil, que nada tinha a ver com a guerra. Apenas três dias depois, em 9 de agosto de 1945, a cidade de Nagasaki também foi atacada com uma bomba atômica, mais uma vez, os americanos batizaram-na com ironia: Fat Man (gordo). Esta última matou cerca de 70 mil pessoas e deixou mais 25 mil feridas. O mundo aprendeu uma dolorosa lição!

Sei que, apesar de tanto sofrimento e destruição, Deus estava no controle. Ele dirigiu a vida de milhares de japoneses que sairam do Japão, e muitos vieram para o Brasil. Os meus avós fugindo do horror da guerra estavam no navio. O meu avô Naokiti Tokashiki veio da região de Okinawa e, a minha avó Itoko Nagasawa era da cidade de Tóquio. Dos meus parentes que vieram, somente um está vivo, o meu tio-avô Yoshitomi Nagasawa, irmão caçula da minha avó. Tenho muitos tios e primos que descendem da união destas duas famílias.

O meu pai, Kazunoske Tokashiki, é o segundo filho mais novo entre sete irmãos. Minha mãe, Leni é goiana, que conheceu o meu pai, em Dom Aquino-MT, onde nasci; e desta união, sou o filho do meio. Dentro do plano de Deus nasci neste país que amo, os meus avós mudaram-se para cá motivados pela guerra, e assim, segundo a vontade do Senhor encontraram outro lar que os acolheu, onde os seus descendentes estão nascendo e guardando com carinho a sua memória. A minha filha Rebeca Pereira Tokashiki, apesar de ser loira e ter olhos azuís, possuí leves traços nipônicos, e diga-se de passagem, bem mais do que eu.

A minha família sabe o que significa quando a Escritura Sagrada diz que: vós, na verdade, intentaste o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se preserve muita gente com vida (Gênesis 50:20).

03 agosto 2007

Ser um crente de oração

Os judeus no tempo de Jesus tinham vários horários prescritos para a oração diária. Mas, apesar de orarem, várias vezes no dia, e especialmente em lugares públicos, não foram reconhecidos como homens de oração! O Senhor Jesus que conhece os segredos e motivações dos corações reprovou a oração ritualística dos seus contemporâneos (Mt 6:1; 23:14; Lc 18:11-12). Faltava-lhes algo importante: a humildade e sinceridade diante Deus.

Sabemos que os primeiros cristãos eram pessoas de oração (At 2:42). Muitas vezes, Paulo recomendou que os seus leitores se dedicassem à oração (Rm 12:12; Fp 4:6; Cl 4:2; 1 Ts 5:17), e ele mesmo confessou a Timóteo que orava pelo jovem pastor "dia e noite" (2 Tm 1:3). Os servos de Deus no primeiro século eram conscientes de sua absoluta dependência da providência de Deus. O próprio Senhor Jesus os advertiu dizendo "porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5b).

Poucos crentes conhecem profundamente os benefícios da oração. A prova disto é o número de pessoas que freqüentam as reuniões de oração. Quão poucos são os que compartilham as suas vitórias e respostas que Deus responde. Agoniam-se para buscar a Deus em momentos de desespero, calamidades, angústias, mas passados estes períodos esfriam e abandonam o fervor! Esta falta de constância adoece a longo prazo, pois cria um comportamento de relação por necessidade e não de amor. Parece que buscam a Deus para usá-Lo e, depois descartam porque o problema foi resolvido.

A oração é um relacionamento que deve ser diário. O casamento não é algo esporádico, em que você vai visitar o seu cônjuge de vez em quando, e quando sente saudade fala com ele! É convívio ininterrupto, mesmo à distância, porque são pessoas que se relacionam pelo coração. Do mesmo modo o nosso relacionamento com o Senhor. Não podemos apenas reconhecer que o Espírito Santo habita em nós, e ignorá-Lo no nosso dia à dia, como se fôssemos ateus! O nosso amor pelo nosso Salvador carece de uma dinâmica de convívio.

26 julho 2007

Quem eram os puritanos?

O Puritanismo foi um movimento que surgiu dentro do protestantismo britânico no final do século 16. A Inglaterra estava separada da submissão papal, mas não da doutrina, liturgia, e ética católica. O rei inglês Henrique VIII por motivos pessoais, e não por convicção teológica liderou uma reforma política no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales) que defendia o rompimento com a Igreja Católica Romana, vindo a originar-se a Igreja Anglicana. O monarca inglês faleceu e o seu filho, Eduardo VI, tornou-se rei em seu lugar. O jovem regente inglês possuía conselheiros influenciados pela Reforma protestante. Alguns teólogos e professores foram convidados para liderar a Reforma na Inglaterra. Entretanto, este projeto não foi adiante, pois o novo rei veio a falecer prematuramente. A sua irmã mais velha, Maria Tudor, a sangüinária, assumiu o trono ordenando a morte de todos os protestantes, prendendo e expulsando muitos outros do Reino Unido.

Em 1559, Elizabeth sucedeu à sua meia-irmã Maria Tudor. A nova rainha da Inglaterra era simpatizante da Reforma. Ainda em 1559, solicitou a revisão do Livro Comum de Oração, e editou em 1562, os 39 Artigos de Fé[1] como padrão doutrinário da Igreja Anglicana.[2] Autorizou a volta dos reformadores ingleses exilados. Todavia, os que retornaram estavam insatisfeitos com a lenta e parcial Reforma eclesiástica que Elizabeth estava realizando. Justo L. González comenta que os que foram expulsos “trouxeram consigo fortes convicções calvinistas, de modo que o Calvinismo se estendeu por todo o país.”[3] Eles haviam contemplado o que os princípios da Reforma poderiam fazer em outros países, agora estavam comprometidos em aplicá-los em sua terra natal.

Os que defendiam que a Igreja Anglicana carecia duma completa Reforma foram apelidados jocosamente de "puritanos". De fato, os puritanos acreditavam que a igreja inglesa necessitava ser purificada dos resquícios do romanismo. Eles clamavam por pureza teológica, litúrgica, e moral! Henrique VIII embora discordasse da Igreja Católica acerca dos seus divórcios, ele morreu sustentando o título de Defensor da fé Católica. Mas, os puritanos também ansiavam por mudanças litúrgicas, pois, mesmo a Inglaterra se declarando protestante, a missa ainda era rezada em latim, eram usadas as vestimentas clericais, velas nos altares, e o calendário litúrgico e as imagens de santos eram preservadas. Era uma incoerente ofensa aos reformadores ingleses.

A começar pela liderança da Igreja, a prática do evangelho não estava sendo observada. Os puritanos exigiam não apenas mudanças externas, religiosas e políticas, mas mudança de valores, manifesto numa ética que agradasse a Deus, de conformidade com a Palavra de Deus. Foi por causa deste último ponto que o apelido puritano tornou-se mais conhecido. Eles eram considerados puros demais, porque queriam ter uma vida cristã coerente com a Escritura!Infelizmente, uma caricatura horrível é feita deste movimento. Não poucas vezes os puritanos são criticados e mencionados com desdenho; entretanto, isto apenas evidencia a ignorância acerca da grandiosidade da obra e esforço destes homens e mulheres. Muitos perderam a sua vida por serem zelosos com o estudo e ensino das Escrituras Sagradas, por viver consistentemente o puro evangelho de Cristo![4]

O presbiterianismo é herdeiro direto deste movimento. Os Padrões de Fé de Westminster são produto da melhor erudição e piedade puritana do século 17. Os presbiterianos que migraram para os EUA, eram todos puritanos. A oração fervorosa, o culto sóbrio e equilibrado, o estudo da Escritura e a pregação da Palavra de Deus, tanto pelo ensino como pela prática de uma vida simples, eram marcas que distinguiam estes homens, que influenciaram o Cristianismo europeu e norte-americano, e que chegou até ao Brasil, através do missionário Rev. Ashbel G. Simonton.

Notas:
[1] Este documento doutrinário é essencialmente calvinista. Os 39 Artigos de Fé serviram para preparar a abertura de um processo de divulgação do Calvinismo na Igreja Anglicana que culminaria na Assembléia de Westminster (1643-1648), que produziu a Confissão de Fé e os Catecismos Breve e Maior. B.B. Warfield, Studies in Theology in: The Works of. B.B. Warfield, pp. 483-511.
[2] A maioria dos clérigos anglicanos relutam, ainda hoje, em adotar uma posição de consistência teologicamente calvinista. Em geral, os teólogos anglicanos adotam a Via Media, ou seja, eles tentam conciliar a teologia romana com a protestante, e formar um sistema doutrinário sincretista. Veja E.A. Litton, Introduction to Dogmatic Theology (London, James Clark &CO, LTD, 3ªed., 1960), pág. xi-xv. A liturgia anglicana ainda segue o The Book of Common Prayer (Livro Comum de Oração), embora dentro da Comunhão Anglicana cada Província é livre para alterar e adaptá-lo.
[3] Justo González, Visão Panorâmica da História da Igreja (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1998), p. 70.
[4] Leitura indispensável sobre este movimento são as obras:
1. D.M. Lloyd-Jones, Os Puritanos - suas origens e seus sucessores (PES).
2. J.I. Packer, Entre os Gigantes de Deus - uma visão puritana da vida cristã (Editora Fiel).
3. Leland Ryken, Santos no Mundo - os puritanos como realmente eram (Editora Fiel).

30 junho 2007

O que você está fazendo?

Por quê não desenvolvemos mais? Por quê não crescemos mais? Por quê não nos estruturamos melhor? Por quê ainda não trocamos os bancos da nossa igreja? Por quê não abrimos novas congregações em PVH? Por quê não terminamos a construção do prédio de educação cristã? Por quê não começamos ainda a "projetar" a construção dum novo templo? Não é por falta de inicitava do Conselho, ou simplesmente por problemas financeiros. Estas perguntas tem a sua resposta no modo como cada um de nós participa da igreja.

Estamos vivendo um período de paz. Mas, quietude não significa prosperidade. O fato de não termos grandes conflitos externos de relacionamentos não significa que estamos progredindo. Acomodar é preparar-se para novos problemas! Não basta resolver ou amenizar as dificuldades que até aqui passamos. Se agora não nos prepararmos com objetivos definidos e não pensarmos como uma só mente e convergirmos as nossas forças no trabalho que necessita ser realizado, estaremos arando o terreno para que o inimigo semeie contenda. Pois "mente desocupada é oficina do diabo"!

Você faz parte deste corpo? Você se importa com a nossa igreja? Quer o seu bem estar e crescimento? Então, envolva-se! Primeiro, procure entender quem somos (veja no site www.ipportovelho.com); segundo, identifique-se e entre em alguma sociedade e ministério; terceiro, conheça os nossos projetos; quarto, seja fiel na sua contribuição de dízimos e ofertas; quinto, se você ainda não é membro converse com o pastor; sexto, se você participa de algum cargo, sociedade ou ministério, faça o melhor para a glória de Deus; sétimo, participe das reuniões e dê sugestões!

Existem muitas necessidades que precisam ser supridas! Carecemos de novos líderes treinados, mais discipuladores, aumentar a nossa arrecadação, programas de evangelização, ampliação dos ministérios e de um pastor auxiliar. Todas estas coisas exigem tempo e compromisso da unidade do corpo. Por isso, tem muita coisa para ser feita. Por exemplo, estamos reestruturando a nossa Escola Dominical e os grupos familiares. Estamos ampliando o número de discipuladores e precisamos de mais ainda! Treinamentos para liderança e para toda a nossa comunidade é oferecido todo fim de mês (veja o mural e programe-se). Você precisa urgentemente saber quem somos, o que estamos fazendo, e aonde estamos indo! Não cruze os braços. Se você quer que Deus faça grandes coisas, realize coisas grandes para Ele também, e espere os resultados!

02 junho 2007

O que ensinar aos filhos?

Deus nos dá um filho com a responsabilidade de prepará-lo para a vida. Mas, infelizmente muitos pais se preocupam em treinar os seus filhos apenas oferecendo-lhes uma boa educação escolar. Entretanto, esquecem, ou não percebem que além deste cuidado devem se esmerar em prover aos seus filhos um ensino que a sala de aula não se propõe a dar. Embora sabemos que existam professores que são realmente mestres convictos do seu chamado e não meros profissionais da educação, não podemos transferir para eles a responsabilidade de educar para uma vida aprovada por Deus.

O que devemos ensinar aos nossos filhos? Em primeiro lugar, ensine-os que eles nunca poderão esquecer o temor do Senhor. Os seus filhos são herdeiros das promessas da Aliança de Deus contigo. Eles devem ser lembrados disto todos os dias! Esta verdade deve fluir em suas orações, no culto doméstico, na conversa em família, na correção, na busca por solução dos conflitos e problemas: Deus nos ama porque tem uma Aliança conosco, e vocês são filhos da promessa. Os nossos filhos devem saber que o nosso Deus é soberano. Somos responsáveis por tudo o que fazemos, e Ele exige obediência incondicional à Sua santa Palavra. O supremo Deus está no controle sobre cada detalhe e em cada momento da nossa vida. As nossas crianças poderão crescer confiando na fidelidade do Senhor, pois mesmo quando coisas tristes e dolorosas acontecerem na família, eles deverão saber que Deus não deixou de nos amar, mas tudo estará cooperando para o nosso bem, porque Ele tem um amoroso propósito em nossa vida. Os nossos herdeiros com este ensino deverão estar preparados contra a incredulidade e amargura deste mundo tão perigoso. Desde pequeninos os nossos filhos deverão saber que Jesus nos quer bem.

Não podemos omitir aos nossos filhos a consciência de que eles são pecadores. O orgulho é o principal pecado que deverão travar uma batalha ferrenha durante toda a sua vida! Deverão aprender a confessar todos os seus vergonhosos pecados, com tristeza e decisão sincera de abandoná-lo. Os nossos filhos necessitam conhecer o que a Escritura diz do perigo do pecado em suas vidas. O seu maior temor nesta vida deverá ser pecar contra Deus. A iniqüidade deverá causar pavor em seus corações, pois pecar é desobedecer ao santo e justo Deus. Como pais precisamos orar para que os nossos filhos aprendam esta lição do modo menos doloroso possível.

Alimentar-se com a intimidade do Senhor é a uma das maiores riquezas que um servo pode aprender em sua vida. Os nossos filhos devem saber que a oração não é um ritual mecânico, pelo contrário, é a necessidade de se relacionar com o amado Deus. Conversar com Deus sabendo que Ele sempre aceita e ouve cada real necessidade que nos aflige. Ele sabe tudo o que está em nosso coração. Mas, Ele deseja o nosso relacionamento não apenas as nossas palavras. Não podemos modificar os planos de Deus com as nossas orações, mas somos transformados quando e enquanto oramos, porque Ele manifesta o Seu sábio poder para realizar o melhor segundo a Sua soberana vontade. O correto estudo da Palavra de Deus e a comunhão com o povo de Deus vacinarão os nossos filhos da sedução deste mundo.

Toda a nossa vida não deve ser guiada por interesses egoístas, por isso, os nosso filhos precisam saber que "nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si mesmo. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Rm 14:7-8). Se nossos filhos forem alcançados pela misericórdia de Deus, isto será motivo de grande alegria. Mas, se além de salvos eles souberem viver uma vida cristã que em tudo honre ao Senhor e proveitosamente sirvam à Igreja de Cristo, a nossa alegria como pais será completa.

Dicas para ensinar crianças a participar do culto com a família

por  Lindsey Stomberg   Aqui estão algumas dicas que reuni ao longo dos anos, tanto de outras famílias grandes quanto da minha própria exper...