16 março 2007

O que é oração?

Este é o primeiro artigo de uma série do que a Bíblia ensina sobre a oração. Meditar sobre a oração é tão importante quanto orar. Pois, se não tivermos um entendimento correto do que é a oração e como realizá-la, correremos o perigo de sermos rejeitados e ao mesmo tempo estarmos ofendendo ao amado Deus com as nossas preces. Falar com as pessoas sobre Deus é algo grandioso, mas falar a Deus sobre os homens é algo ainda maior. Por isso, é necessário que a nossa convicção doutrinária seja saudável para que ela melhore a nossa vida cristã.

Quando crianças aprendemos que oração "é falar com Deus". Conforme crescemos e amadurecemos, também aprendemos que este conversar com Deus exige muito mais do que simplesmente falar. Oração é o derramar da alma diante de Deus. Não podemos apenas repetir fórmulas e frases feitas, tornando a nossa relação com Deus um ato mecânico. As nossas orações não podem ser frases decoradas, como se estivéssemos apresentando uma dramatização teatral! Absolutamente, isto nunca deveria acontecer! Saber falar é um ato de maturidade, mas saber conversar com Deus é intimidade com Ele.

A oração deve nascer na consciência do nosso coração, na percepção das nossas necessidades e na dependência e convicção de quem é Deus. É algo que primeiro deve vibrar na alma antes de se tornar palavras. Orar não é apenas submeter as nossas necessidades a Deus, mas submetermos a nós mesmos à Sua vontade. Certa vez, Jim Elliot disse "Deus ainda está no trono, nós ainda estamos a seus pés, e entre nós há apenas a distância de um joelho."

Jesus prometeu que "se me pedirdes alguma cousa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14:14-15). Orar é o momento em que Jesus tem acesso às nossas necessidades, e ao mesmo tempo é colocar os nossos anseios sobre o Seu altar para que Ele possa cuidar de tudo. Pensando bem, Jesus é o único que sabe como realmente orar! Ele é Deus, e conhece intimamente a vontade do Pai. Ele é o sumo-sacerdote e eficazmente intercede por nós. Somente Ele possuí todos os méritos para pedir infalivelmente ao Pai e tem a garantia de que nenhum dos seus pedidos serão rejeitados.

Oração não é apenas algo que faço, é algo que essencialmente sou.

28 fevereiro 2007

Continue a orar

Nós oramos. Às vezes, em silêncio. Outras vezes, em voz alta. Oramos, por mais de 17 anos, pela saúde de nossa filha Melissa, por orientação, por sua salvação e muitas vezes por sua proteção. Assim como oramos por nossos outros filhos, pedimos que a mão de Deus estivesse sobre ela, cuidando dela.

Quando Melissa chegou aos seus anos de adolescência, oramos ainda mais para que Deus a guardasse do mal - que mantivesse seus olhos sobre ela e seus amigos quando começaram a dirigir. Nós oramos: "Deus, por favor, proteja Melissa".

Então, o que aconteceu? Será que Deus não entendeu o quanto machucaria tantas pessoas, perder a esta linda jovem desta maneira, com tanto potencial para servir-lo e servir a outros? Será que, naquela noite cálida de primavera, Deus não viu o outro carro aproximar-se?

Nós oramos. Mas Melissa morreu.

E agora? Vamos parar de orar? Vamos desistir de Deus? Vamos tentar seguir sozinhos?

Absolutamente, não! A oração é ainda mais vital para nós agora. Deus - nosso inexplicável e soberano Senhor - ainda tem o controle. Seus mandamentos para orar ainda são válidos. Seu desejo de ouvir-nos ainda persiste. A fé não exige o que queremos; ela confia na bondade de Deus, apesar das tragédias da vida.

Nós sofremos. Oramos. E continuamos a orar.

Deus pode negar nossos pedidos, mas nunca vai decepcionar nossa confiança.

- J. David Branon

Extraído do devocionário Nosso Andar Diário 27 de Fevereiro de 2007.

24 fevereiro 2007

Porquê participar dos grupos familiares?

A nossa igreja possuí o ministério em pequenos grupos. Mas, a maioria dos nossos membros ainda não descobriu os benefícios deste rico recurso. É possível que alguns pensem que esta seja mais uma atividade semanal. Trabalhamos com grupos familiares porque a igreja cristã desde o seu início também existia em pequenos grupos (At 20:20; Rm 16:5, 10, 14-15; 1 Co 16:19; Fp 4:22).

A nossa vida agitada não nos permite ter o convívio necessário para nutrirmos relacionamentos saudáveis com os irmãos. A prática da mutualidade cristã vai se esfriando, e passamos a conversar apenas após os cultos. Mas, muitos mau saúdam os irmãos e já vão embora. Estamos criando uma comunidade que se reúne regularmente, mas que são estranhos uns aos outros! Não temos a oportunidade de amar, sujeitar-nos, aceitar, ter cuidado, edificar, ensinar, aconselhar, servir, e orar uns pelos outros. Sem a prática da mutualidade estamos matando a comunhão! Não somos a família de Cristo? Que espécie de Cristianismo estamos vivendo?

Na participação dos grupos familiares, cada pessoa exerce o seu sacerdócio universal dos santos. Esta doutrina foi ressuscitada na Reforma do século 16, e ensina que podemos, por nós mesmos, ter livre acesso a Deus e ao estudo da Sua Palavra, compartilhando o que temos aprendido e experimentado pela iluminação do Espírito Santo. Não precisamos de mediadores humanos, pois temos um Mediador perfeito, que é suficiente e o único que é aceito diante do Pai (At 4:11-12). Todos têm a oportunidade de ministrar na vida uns dos outros, em cada reunião, compartilhando as bençãos de Deus. Oramos uns pelos outros, exortamos, aconselhamos, repreendemos, submetemos, edificamos uns aos outros através do nosso sacerdócio. Cristo é o perfeito sumo-sacerdote, e nos chama para ministrar como seus auxiliares, pois somos membros do Seu Corpo (1 Pe 2:9-10).

Este ministério tem se mostrado eficaz como um meio de evangelização. Igrejas que têm adotado os pequenos grupos se fortalecem e crescem naturalmente, pois a quantidade de pessoas que se reúnem semanalmente nos grupos, alcançam muitos vizinhos que ainda não são salvos em Cristo. É importante notar que muito mais membros acabam se envolvendo na evangelização.

A nossa igreja está reestruturando o ministério com grupos familiares. Estamos aprendendo juntos como desenvolver melhor este modelo de ser igreja neotestamentária. Você também pode participar conosco deste processo: 1) ore ao Senhor e avalie como está a sua vida de comunhão com a igreja; 2) converse com o pastor sobre o assunto; 3) reúna-se com um dos grupos familiares; 4) disponha-se em servir no que for necessário. Certamente que você não se arrependerá, e toda a nossa igreja será mais saudável e produtiva no reino de Deus.

17 fevereiro 2007

Buscando santo prazer em período de Carnaval

O nosso Breve Catecismo de Westminster em sua 1a. pergunta questiona "Qual é o fim principal do homem"? A resposta é: "Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre". Este gozo, ou prazer não é pecaminoso porque Deus nos fez para sentir prazer em Sua Presença e na obediência da Sua vontade. Entretanto, a nossa sociedade pós-moderna têm se inclinado aos pés de um ídolo sentimentalista chamado "Hedonismo" que é a busca do prazer tendo como um fim em si mesmo. Assim, ele se torna pecaminoso porque foge do seu propósito, e é buscado por motivações egoístas.

O Carnaval é o período em que as pessoas se entregam as festividades de um modo desenfreado. A carnalidade aflora, e toda espécie de sentimentos e provocações sensuais são estimuladas sem a preocupação de se ofender a consciência e a convicção de santidade dos cristãos. É contraditório que enquanto a lei brasileira que exige respeito e oferece o recurso legal de processar uma pessoa por atentado ao pudor, ou assédio sexual, neste infame período de Carnaval, permita que toda sorte de imoralidade seja praticada para demonstrar a selvageria da natureza humana, e em muitos casos, aprovada e financiada pelos governantes! A contradição colhe um alto preço.

Infelizmente, há aqueles que possuindo uma "mente aberta" defendem o Carnaval como uma festividade cultural e produtiva para a economia brasileira. Entretanto, esta festa pagã é um lado ruim da cultura brasileira que não nos enobrece. A cultura de uma nação somente deve ser cultivada se ela oferece honra a todo o país. No Carnaval, as nossas mulheres são expostas à uma baixa sensualidade, e na mídia o mundo conhece o Brasil do Carnaval, da imoralidade, da prostituição barata e fácil, dos filhos que nascem resultado de relações sexuais ilícitas, de doenças sexuais, casamentos desfeitos, das drogas que são consumidas nas festas, e uma enxurrada de conseqüências a médio e longo prazo. Mas, alguns ainda insistem que é possível brincar de modo saudável! Mesmo que não seja a saúde física prejudicada com doenças, bebidas e drogas, a agressão da consciência induzindo-a à imoralidade sensual é inegável. Não existe Carnaval inocente.

O prazer não é nessariamente felicidade. (Hq 3:16-19). A felicidade se baseia na obediência da vontade de Deus revelada na Escritura Sagrada. Para sermos felizes é necessário a aprovação de Deus sobre a nossa vida, e para isso, devemos amar a Palavra de Deus. O pecado oferece prazer, mas não tem resultado benéfico. O seu prazer é passageiro, e as suas conseqüências são dolorosamente extensas (Hb 11:24-26).

O anseio pelo prazer foi implantado em nós quando Deus nos criou. Todavia, não podemos nos esquecer de que o pecado distorceu toda a nossa natureza, colocando em total desordem quem somos e o propósito para o qual Deus nos fez. Somente encontraremos prazer como realmente ansiamos quando nos realizarmos em Deus. Aurelius Agustinho em seu livro Confissões (escrito 397-400 d.C.) disse: "tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti".

As nossas necessidades nunca serão satisfeitas no pecado. Mesmo que a cobiça desperte as nossas necessidades e prometa que poderemos ser felizes no erro, não devemos aceitar a mentira e a imoralidade como um padrão aceitável diante de Deus.

07 fevereiro 2007

Conselhos práticos sobre o jejum

O que é o jejum cristão?
O jejum cristão é a negação do apetite natural para a comida, de uma convicção do seu verdadeiro uso na Escritura, e com o propósito de glorificar a Deus, pela mortificação do pecado, e de gozar da misericórdia, pelos méritos de Jesus Cristo somente.

1. Quanto ao modo, pode ser a rejeição completa da comida por um período de tempo (2 Sm 12:16), ou, é a rejeição parcial da comida por um período de tempo (Dn 10:2-3).

2. Não se pratica o jejum apenas pela veneração da tradição, embora os servos de Deus em todos os período da história observaram a prática do jejum. Nem se deve jejuar simplesmente porque uma autoridade tenha ordenado. Nem por legalismo de uma mera justiça externa com o objetivo de ser visto pelas pessoas (Mt 6:1, 16-18). Nem mesmo tem o propósito de promover alguma forma de ascetismo, especificamente, a crença de que o corpo é mal e por isso, tem que ser castigado. Pelo contrário, deve ser oferecido como um ato de louvor a Deus com uma convicção sincera de que Deus nos convoca para jejuar em certas ocasiões (Mt 17:21; At 14:23).

3. A meta principal de jejuar, como em todas as outras coisas, é para a glória de Deus (1 Co 10:31).

4. A meta secundária de jejuar é a mortificação do pecado. Devemos enfraquecer o domínio do pecado, humilhando e arrependendo-se do pecado, e experimentando o prazer da misericórdia e da graça de Deus (Rm 8:13; Gl 3:5-11).

5. A base de todas as bençãos que Deus graciosamente nos concede é somente e sempre a pessoa e obra de Jesus Cristo. Não há nenhum mérito em nossas obras de justiça, nem mesmo nos jejuns.

Onde se encontra a ensino do jejum na Escritura?
O jejum cristão é ensinado em toda a Escritura (2 Sm 12:16; Ne 1:4; 2 Cr 20:3; Jn 3:7, 8; Lucas 4:1-13; At 14:23; Mt 6:16-18; 17:21). Tanto na antiga, como na nova Aliança o povo de Deus praticou o jejum como um ato de consagração pessoal. O jejum não cessou no Novo Testamento, como alguns pensam, mas tem a sua continuidade comprovada tanto por Jesus, como pela Igreja no período posterior ao Pentecostes.

Por que alguém deveria jejuar?
A motivação do jejum certamente é a questão mais importante quando se estuda este tema. Muitas pessoas são zelosas em se dedicarem ao jejum, todavia, o fazem com motivações erradas, e correm o risco de não serem aceitos por Deus. Pelo menos cinco razões poderão ajudar a esclarecer esta questão:

1. A prática do jejum é necessária, pois Deus ordena praticá-lo.

2. Porque os seus sentimentos e apetites estão inclinados para as coisas deste mundo, e no jejum você volta os seus sentimentos das coisas desta vida para as coisas de Cristo.

3. Porque o orgulho e a auto-suficiência impedem a sua convivência com Deus. O jejuar, entretanto, revela a sua insuficiência e a nossa plena satisfação em Deus. A debilidade física que se sente ao jejuar, deveria lembrar a fragilidade humana diante um Deus absolutamente soberano e infinitamente santo.

4. Porque você deseja mortificar o pecado e regozijar-se na misericórdia de Deus.

5. Porque você necessita de poder espiritual e sabedoria que procede de Deus. Os discípulos após terem recebido a autoridade de expulsar os demônios numa jornada missionária (Lc 9:1-6) regressaram para relatar as grandes coisas que se fizeram nas cidades por onde haviam passado (Lc 9:6, 10). Todavia, quando a autoridade sobrenatural concedida para a sua jornada missionária terminou, os discípulos necessitaram de recorrer a oração e ao jejum (Mt 17:21). Do mesmo modo os apóstolos, e as igrejas do primeiro século reconheciam a sua necessidade absoluta de sabedoria e poder para escolher e ordenar os presbíteros, com um tempo dedicado ao jejum e à oração (At 14:23).

Quem deveria jejuar?
Todos os que podem praticá-lo como uma obra de adoração a Deus com uma consciência sincera, sem superstição, legalismo, ascetismo, ou hipocrisia. Pode-se inclusive estimular as crianças para o jejum, do mesmo modo que se deve ensiná-los a orar, mas, eles devem ser instruídos acerca do que é o jejum com suficiente clareza, e sobre a sua necessidade.

Quando se deve jejuar?
Em geral, deveríamos jejuar muito mais do que costumamos fazer. Não podemos pensar em apenas jejuar somente quando temos problemas, mas também como uma medida preventiva para encher-nos com sabedoria e poder e evitar crises.

Como deve ser praticado o jejum?
O jejum pode ser praticado individualmente, ou em família, quando ocorre a necessidade pessoal. Com a igreja inteira, quando é convocada pelo pastor, ou pelos presbíteros. Como nação, quando é feito a convocação por um governante civil que é realmente cristão, e tem o propósito de direcionar todo o país ao arrependimento, e à submissão a Deus.
A prática do jejum não deve ser feita sem o devido cuidado, em que cada indivíduo deve observar a sua condição física. Cada pessoa possuí necessidades singulares, por isso, ela deve ser ciente das suas limitações, e tomar o cuidado necessário para que desejando obter saúde espiritual, não venha prejudicar a sua saúde física.

1. Não podemos esquecer de que o jejum, como o dia do descanso, foi feito para o homem, e não o homem para o jejum. Nada deveria levar a abstinência a tal extremo ao ponto de por em perigo a saúde física. Mas, quando a fraqueza física aparece por causa do jejum, não se deve pensar que não se é capaz de jejuar.

2. Se alguém tem problemas físicos (diabete, gastrite, úlcera, pressão alta, etc.), pode-se fazer um jejum parcial. Não coma para satisfazer o seu apetite, mas coma apenas para satisfazer a necessidade, evitando o mal-estar. Alimente-se de frutas, legumes, verduras, e água, apenas o necessário, de modo que não agrave o estado de saúde debilitada.

3. Se o seu trabalho exige esforço físico e você necessita se alimentar bem, faça um jejum por um período de tempo menor. Não pense que, porque o seu jejum não pode ser por um período longo que não será aceito por Deus, pois, Ele quer misericórdia, e não sacrifício (Os 6:6).

4. Ensine aos seus filhos sobre o jejum, e o modo como podem praticá-lo, pois, talvez, sejam incapazes de jejuar por um dia todo, mas, podem jejuar apenas um período do dia. Tenha cuidado para não prejudicar os filhos causando neles desnutrição.

5. Tenha cuidado de tomar uma quantidade suficiente de água quando estiver jejuando. Não beba refrigerante, sucos, café ou chá, pois eles satisfazem a fome, e podem prejudicar o objetivo do jejum.

6. Planeje o seu dia para que você possa ter em mente, durante o dia, que este período está separado para revelar a sua insuficiência, e a suficiência de Deus na sua vida.

7. Neste dia você não deve passá-lo ocioso, ou com ocupações de diversão e entretenimento. Ele deve ser seriamente dedicado para a oração, leitura das Escrituras e reflexão acerca da circunstância que motiva o jejum. Mas, se for um dia normal de trabalho e compromissos, mantenha em mente o seu propósito de jejuar.

8.Tenha cuidado para que o seu semblante não anuncie publicamente que está jejuando (Mt 6:1,16). Não demonstre uma cara de tristeza e angústia, mas mantenha a normalidade do seu dia, como outro qualquer. Não busque a atenção das pessoas sobre você, de modo que fique demonstrando o seu jejum (Mt 6:16-18). Mas, se alguém lhe perguntar porque você não está comendo, procure de maneira discreta responder-lhe que está em jejum, sem prolongar muito o assunto. Não há necessidade de mentir.

9. Quando você for iniciar o seu período de jejum, e também quando findá-lo, faça de modo solene. Recolha-se a um lugar, separe uma porção das Escrituras para meditar durante o tempo em que estiver jejuando, ore e estabeleça o início e o fim deste momento de consagração. No momento de terminar o jejum, também recolha-se, ore e entregue o seu jejum, agradecendo a Deus, porque Ele lhe preservou capacitando-o a cumprir este santo propósito.

31 janeiro 2007

Não desperdice o seu sofrimento!

O tempo enquanto estamos padecendo um problema parece ser infindável! Criamos uma expectativa de que acabe logo. Lembramos da promessa em Pedro de que “por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações” (1 Pe 1:6). Nestas horas desejamos ansiosamente que este breve se torne mais curto ainda do que o necessário. Mas Deus é o Senhor do tempo, é Ele quem decide “o tempo de chorar e o tempo de rir” (Ec 3:3).

Por isso, não use o seu sofrimento para cultivar a auto-compaixão. As pessoas naturalmente se sensibilizam com a sua dor. Mas, quando você usa a dor para despertar propositalmente nas pessoas compaixão por você, isto pode ter um efeito negativo. É possível que você seja interpretado como sendo um murmurador. Daí, a compaixão diminui, e desperta nas pessoas um sentimento de indiferença!

A murmuração nunca serviu de anestésico. Reclamar não alivia a dor, nem consola o coração. É uma atitude difícil, mas não impossível manter uma disposição de gratidão e dependência enquanto sofremos. O paciente Jó após perder todos os seus bens, e saber da morte de todos os seus filhos, declarou “o Senhor o deu, o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Este foi um misto de desabafo, dependência e adoração, mas não murmuração. É fácil não reclamar enquanto tudo está bem, mas no momento em que padecemos surge o mais propício cenário de gratidão.

Creio que o nosso Deus não apenas, usa o nosso sofrimento, mas tenho a convicção de que ele também o planejou com o propósito de ensinar-nos. Quando nos damos o direito de reclamar simplesmente desperdiçamos o aprendizado do sofrimento. Não devemos nos concentrar na dor, mas no que Deus quer nos ensinar. Quando o Senhor mexe em nosso sistema nervoso, Ele realmente quer tornar-nos pessoas de fibra, quer quebrantar o nosso coração, e abrir os nossos olhos para a Sua glória. Não desperdice o seu sofrimento.

24 janeiro 2007

A justiça de Deus

Uma definição simples da justiça divina é que ele é o atributo que reflete a integridade moral de Deus. A justiça de Deus não inocenta os culpados, por mais escondidos que eles estejam, nem culpabiliza os inocentes, por mais caluniados que eles sejam. Deus é onisciente e conhece a dimensão exata da nossa culpa, e também sabe quando alguém está transferindo sobre outrem uma falsa culpa. Assim, quando Adão lançou a sua acusação contra Deus e sua esposa, pelo seu pecado, o Senhor puniu todos segundo a iniqüidade de cada um. Não há injustiçados nem omissões no tribunal divino.

A justiça de Deus tem motivo certo e medida certa. Embora a santidade ofendida seja de grau infinito, exigindo uma punição eterna, ela não será aplicada nos escolhidos de Deus, pois, esta punição foi imputada no amado Filho, sobre a cruz. Mas, por causa do Seu redentor propósito eterno, Ele decidiu condicionar o Seu perdão ao nosso arrependimento (At 3:19). Ele nos pune para manifestar a Sua glória, sem excessos, corrigindo e educando-nos para vivermos a Sua santidade, à imagem de Cristo.

A justiça de Deus não é negociada, não é comprada, nem é subornada. A Sua justiça muitas vezes, ao nosso parecer, é lenta: porque ela não está a serviço de poder econômico algum, de poder político algum, de religioso algum. Deus é independente de qualquer necessidade e absoluto em Suas decisões. Nada pode intimidá-lo na aplicação da Sua justiça. Ninguém pode manipular os resultados dos Seus juízos, nem torcer aos padrões da Sua retidão.

Deus retribui a cada um segunda a sua medida. A justiça de Deus separa o falso do verdadeiro, o joio do trigo, o fingido do autêntico, o condenado do perdoado, o incrédulo do crente, o perdido do salvo. A justiça de Deus coloca de um lado as boas obras meritórias e do outro, as boas obras produzidas pelo coração purificado e agradecido. Deus é inerrante em Suas sentenças, bem como é exato em suas recompensas.

A justiça de Deus traz à tona os pecados não confessados nem abandonados, e joga no lixo os pecados arrependidos. A justiça de Deus é terrível para aqueles que amam mais a impiedade do que a Sua santidade. Ela se manifesta agora de forma esporádica e há de se revelar no futuro próximo de forma conclusiva. É o que chamamos de juízo final! A Escritura declara em tom absoluto e solene: Deus é justo juíz, Deus que sente indignação todos os dias (Sl 7:11).

04 janeiro 2007

Santo ardor

Neste primeiro artigo de 2007 desejo lhe perguntar : como está o seu processo de crescimento na graça e a sua intimidade no andar com Deus? Esta é uma preocupação que me acompanhará o ano todo, por isso, quero compartilhar a minha principal preocupação como pastor. Desejo saber se você tem ansiado ardentemente se beneficiar dos meios públicos de graça, como os cultos, a Ceia do Senhor, a pregação da Palavra e da oração? O teu Cristianismo é mera religiosidade, ou a real expressão de uma reconciliação com Deus, em Cristo Jesus?

Fico profundamente angustiado quando percebo no meio do povo de Deus uma espécie de mornidão espiritual. A indiferança e a religiosidade rotineira é algo ofensivo ao Senhor. Com temor, advirto que Deus sente nojo deste tipo de vida e com franqueza Ele declara que "estou a ponto de vomitar-te da minha boca" (Ap 3:15-17). Talvez, você esteja tranqüilo por não ter uma vida com pecados públicos e escandalosos, todavia, pecados de omissão também são ofensivos à santidade de Deus, por serem desobediência ativa aos Seus santos mandamentos.

Ouça atentamente algumas sugestões inadiáveis. Saiba que as lutas espirituais que você trava na sua alma, eu as conheço muito bem, pois também sou herdeiro do legado de Adão, e, pela graça de Deus, como você desfruto da nova aliança, em Cristo. Por isso, aconselho que você:
1. Mortifique a cada dia, mais diligentemente, os seus pecados; e, faça isto pela confissão sincera e arrependimento verdadeiro. Solicite ao Espírito Santo que meça cada recanto da sua obscura alma, e clame para que Ele seja misericordioso em iluminar os pecados que você não consegue perceber na sua vida, mas que estão sendo motivo de zombaria entre os demônios.
2. Memorize muitas porções das Escrituras e medite nelas em todo o tempo. Nutra a sua alma com este santo alimento, e mastigue bem cada porção, degustando o delicioso sabor que ela contém, para que todas as suas proteínas possam ser absorvidas.
3. Jamais despreze a oração diária. Não seja tolo em acreditar que você pode passar uma hora sequer do dia sem estar em espírito de oração, na presença do Onipotente. A presença do Senhor é o lugar que o pecado é aniquilado, e os demônios não têm acesso. Quando aprendemos a desfrutar desta maravilhosa relação, a sedução de Satanás e o transitório prazer do pecado tornam-se em mesquinharias diante do que é eterno.
4. Compartilhe da comunhão dos filhos de Deus quando se reunirem para adorar o Altíssimo. Mas, nunca se esqueça do seu culto pessoal.
5. Seja um discipulador, pois quando temos o privilégio de conduzir um eleito de Deus aos pés de Jesus, experimentamos um gozo indizível que renova a nossa alegria da salvação.

Se você não sente prazer nestas práticas, você está enfermo espiritualmente! Seja sincero, e procure auxílio rápido, antes que o câncer se aloje em sua alma e você se torne ineficiente para toda a boa obra no reino de Deus! Antes que Satanás tenha vitória sobre a sua vida, e os dons que você recebeu do Senhor sejam encardidos pela vergonha. Antes que você seja lembrado pelo estrondo dos seus pecados, e não pela sinfonia da graça de Deus. Talvez, as minhas advertências soem demasiadamente duras aos seus ouvidos. Não creio que um médico possa ser considerado honesto ao ler um exame e omitir ao paciente a gravidade de sua saúde. Do mesmo modo, não posso falar de um assunto tão sério em tom de brincadeira, e dizer que não há nada para ser corrigido. Salomão disse: "leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Pv 27:6).

Neste ano que se inicia nunca se esqueça de orar por seu pastor. Como declarei no início, estas são as minhas preocupações com todo o rebanho que o Senhor confiou ao meu pastoreio, mas são as minhas angústias pessoais: em não ser reprovado naquilo que estou pregando. Que Deus tenha misericórdia da Sua igreja, que Ele tenha misericórdia de mim. Amém!

22 dezembro 2006

Celebrando a nova Aliança no Natal

O Natal não é apenas o nascimento de Jesus. Pensar nele assim é limitar o seu real significado. Quando Cristo nasceu, ele inaugurou a nova Aliança, e se fez o nosso representante diante do Pai, como Mediador deste Pacto da graça. O Redentor é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Desde o Jardim do Éden, o nascimento do Filho de Deus é ansiado (Gn 3:15). Ao decorrer de toda a antiga Aliança foram acrescentadas novas promessas e profecias descrevendo com detalhes como o Salvador se manifestaria no mundo, reconciliando pecadores com o santo Deus. Por isso, Ele é chamado de Cristo [do hebraico mashiah: que significa prometido].

Hoje podemos olhar para o passado e visualizar toda a obra da redenção consumada. Por isso, não devemos nos limitar a comemorar somente o nascimento de Cristo, mas podemos nos alegrar com toda a salvação realizada por Ele. A sua encarnação apenas inaugurou todo o processo que culminaria na Sua vergonhosa morte na cruz (Fp 2:5-11; 2 Co 5:18-21).

A verdadeira celebração começa na conversão. Não é possível festejar o nascimento de Cristo sem passarmos por um novo nascimento (Jo 3:3-15). Não é possível comemorar o nascimento do Salvador, vivendo escravo do pecado, sob a ira de Deus, desprezando a graciosa salvação. Cristo veio precisamente para perdoar e salvar o que estava perdido (Lc 15).

O verdadeiro sentido natalino somente se tornará real, quando você entender que “se confessarmos os nossos pecados, Ele [Cristo] é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:9). Se não tivermos dado boas vindas a Cristo em nosso coração, não temos a alegria da salvação, e conseqüentemente, o Natal será apenas comida e bebida, mas não haverá “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

Abençoadas festas celebrando a Aliança do Senhor contigo, em Cristo Jesus o Mediador.

20 dezembro 2006

Que presente é este?

Celebramos o aniversário da nossa igreja, a Igreja Presbiteriana de Porto Velho, no dia 18 de Dezembro! Estamos completando 29 anos de organização. Mas, desejo perguntar-lhe o que você fez para enriquecer a nossa comunidade? Não estou perguntando de dinheiro, a minha questão se refere à sua participação no Corpo de Cristo. Os valores do reino de Deus “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Refazendo a minha pergunta: no desenvolver de 2006, você e a sua família se tornaram mais ricos e nutridos de justiça, paz e alegria no Espírito de Deus?

Dar um presente à nossa igreja não é simplesmente comprar um objeto para colocar no templo, ou em qualquer outro lugar que envolva o nosso patrimônio físico. Presentear a nossa igreja começa com o preparar-se para viver na presença de Deus, aceito por Ele. Alguns atos simples se tornam em preciosos presentes quando cuidamos com carinho da nossa família; ou, sinceramente exercendo a nossa comunhão com os irmãos; preocupando-nos uns com os outros; chorando e nos alegrando juntos; cooperando nas programações; aceitando os desafios dos novos projetos com discernimento; e, quando buscamos àqueles que ainda não têm Jesus como o seu Salvador pessoal, conduzindo-os ao amor de Deus (Jo 3:16).

Talvez, você agora me pergunte: mas, que presente é este? É um presente para a igreja ou para mim mesmo? Realmente a resposta está na sua questão! Você é membro da igreja, a sua família é parte muito importante do Corpo de Cristo, então, ao cuidar da sua família, e ao conduzir a sua família a participar do convívio saudável do povo de Deus, você estará presenteando toda a igreja. Quanto custa a felicidade da comunhão familiar e da igreja? Não podemos trocar os valores: não se esqueça que pessoas são sempre mais importantes do que as coisas.

Prepare-se para dar à nossa igreja a sua santidade pessoal, o seu amor, apaixone-se pela nossa comunidade, assuma compromisso de cuidar das pessoas que convivem conosco, que com a nossa família são parte da grande família de Deus. Ninguém saberá o que você quer dizer quando fala que Deus é amor, se você não agir conforme o que se fala.

Seja a tua fidelidade e obediência em tudo ao Senhor o teu verdadeiro presente ao Senhor da nossa igreja. O presente que é entregue por obrigação não é recebido com alegria. A Escritura diz: ... eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros (1 Samuel 15:22). Por isso, é possível dar sem amor, mas é impossível amar sem dar. Apenas somos o que amamos.

07 dezembro 2006

O perigo do orgulho

Orgulho é a disposição de mostrarmos uma condição superior àquilo que realmente somos. Por mais capazes que sejamos, nunca poderemos nos esquecer que Deus nos faz servos. Por isso, no Antigo Testamento a palavra hebraica para orgulho realça a altivez ilusória da pecador, e no Novo Testamento, a palavra grega refere-se ao engano de olhar por cima dos demais, considerando-se superior aos outros. Em nossa cultura também expressamos esta verdade ilustrada pelo provérbio: fulano pensa que está por cima da carne seca.

O orgulho tem variadas formas de sinônimos. Pode ser chamado de arrogância, presunção, altivez, insolência, ostentação, pedantismo e soberba. Embora, haja variação no uso de cada um destes verbetes, mas a causa, a raíz, o desenvolvimento e o resultado sempre serão os mesmos.

Esta disposição transforma-se em pensamentos, motivações, sentimentos e finalmente atitudes. É interessante como este pecado é tão comum em todo ser humano, e ao mesmo tão prazeiroso, e tão difícil de ser reconhecido em si mesmo. Mas, é precisamente por causa do próprio orgulho, é que ele se esconde, somos motivados pelo sentimento de auto-preservação. O orgulho é sujo demais para aparecer manchando a nossa tão ilustre imagem!

O orgulho conduz e induz à outros pecados. Por exemplo, a auto-suficiência faz com que neguemos a necessidade da mutualidade [uns aos outros]; a competividade gera desprezo pela superioridade e excelência do outro, produzindo em nós inveja do seu desempenho, ou prosperidade; o engano de sermos superiores nos ilude em ostentar um status e valores que realmente são vaidade; o próprio saber perde o seu propósito produtivo tornando-se em pedantismo; e a lista não termina...

Mas, o orgulho de cada um compete com a soberba dos demais. Outro ditado diz que dois bicudos não se beijam. Responda com sinceridade às seguintes perguntas de auto-avaliação: 1) o quanto me desagrada ser desprezado?; 2) sinto-me ofendido quando recusam dar-me atenção?; 3) qual a minha reação quando um orgulhoso se aproxima de mim, ostentando a sua própria soberba?; 4) aceito que outras pessoas [confiáveis] se intrometam na minha vida [prática da mutualidade]?

Geralmente as pessoas não percebem, mas o orgulho pode ser um estímulo para derrotar pecados mais simples. No impulso do orgulho "ferido" o covarde reage! Para não ser desprezado é possível dominar, sem mudar, o mau gênio. Com medo do escândalo algumas pessoas evitam uma vida de promiscuidade, mas quando estão seguras entre estranhos se soltam e fazem aquilo que realmente são. Por fim, o orgulho pode ser a motivação para a vaidade, mas também o inibidor dela. O real problema é que o orgulho não aperfeiçoa a pessoa, apenas produz uma maquiagem temporária, para que o soberbo não entre em prejuízo nos seus interesses pessoais.

O resultado final do pecado que ostenta, e que nos ilude com uma pseudo-elevação [altivez] será uma desgraçada queda. Os efeitos do orgulho são: engano do coração [Jr 49:16]; endurecimento da mente para a verdade [Dn 5:20]; produção da inimizade [Pv 13:10]; leva à auto-destruição [Pv 16:18; 2 Sm 17:23]; esgota as energias, porque o esforço de manter o orgulho é demasiado difícil para ostentá-lo de forma permanente [Sl 131]. A Palavra de Deus diz que ele resiste ao soberbo [Tg 4:6].

A cura para o orgulho não está na maturidade obtida com os anos. Não é o acúmulo de conhecimento, ou de experiências que lhe habilitará vencer o seu orgulho, mas apenas o quebrantamento produzido pelo Espírito do Senhor. A Escritura Sagrada ordena-nos humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará [Tg 4:10].

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